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180513 XOSE MANUEL PEREIROGaliza - De volta para Loureda - [X. M. Pereiro] Queria contar duas histórias. Ao fim e ao cabo, é do que vivo. As duas passárom nos Estados Unidos há muito tempo. Umha foi a de umha mulher que topárom na rua, e nom fôrom quem de entendê-la, nem ela de dizer onde morava ou quem era. Metêrom-na provisoriamente num desses sítios que se chamam impropriamente “instituiçons mentais”. Primeiro protestou, depois resignou-se e finalmente afijo-se. Como ninguém a reclamou, passou ali 37 anos. Finalmente, descobriu-se que o que lhe acontecia é que era umha imigrante húngara que perdera a documentaçom. Ninguém se preocupara de distinguir o húngaro de umha doença mental.


A outra história nom é real, ou polo menos vem num desses relatos de William Irish que descrevem à perfeiçom os baixos fundos da época da Depressom. Um velho gánster, canso do ofício e das suas conseqüências, mas sem outro do que botar mao, tivo a ideia de percorrer pequenas vilas rurais assaltando lojas sem mais arma que o seu trabalhado aspeto de matom. Nom lhe fazia falta outra para que os estarrecidos comerciantes lhe entregassem a recadaçom. Recolhia e ia-se tam tranqüilo. Se o detinham, argumentava que lhe deram os quartos voluntariamente, tal e como confirmavam, muito ao seu pesar, todas as testemunhas. Até que um dia deu com um juiz tam trabalhado como ele. Como o assaltado nom era o proprietario, condenou-no por roubo do dinheiro do seu patrom e ao gánster por cúmplice e receptador, e ato seguido suspendeu a pena ao dependente.

A segunda história demonstra que a lei é aseghum ou que, como dizia Ghandi, é como as cobras, que somente morde aos que vam descalços. Jaime Matas, com umha condena de seis anos enriba, anda ceivo por razons que se me escapam e que pretender entender custaria-me bastante tempo e umha minuta considerável. Carlos Calvo leva oito meses em prisom por pertença a umha organizaçom terrorista. A qual? À que queira, e se nom gostar desta, temos outra. Recordo a apresentaçom em sociedade da “Operaçom Castinheira”, numha época em que ainda havia perguntas. Quero dizer em que os jornalistas fazíamos perguntas e os perguntados respondia-nas. A “Operaçom Castinheira” foi a detençom, com umha cheia de wátios de luz e som, de oito ou nove rapazes pertencentes a AMI. “Qual é a acusaçom?”, preguntáramos ao daquela Delegado do Governo. “Bueno, son de AMI”. “Mas nom é ilegal, nom é?”, “Bueno, el juez ya determinará si hay algo…”. Decerto, nom havia nada. Máis nada que um ridículo absoluto para quem ordenou a operaçom e um mal trago considerável para quem a sofeiu. Desde aquela aperfeiçoárom o sistema. Já ninguém se pom a tiro de microfone. E os detidos falam húngaro.

X. Manuel Pereiro. Decano da Ordem Profissional de Jornalistas da Galiza.


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