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060712 mnGaliza - Galizalivre - [Zélia Garcia] A 16 de dezembro de 2010, Miguel Nicolás era detido pola Policia pola autoria duns supostos ataques à oficina do INEM no bairro viguês de Coia.


Depois de percorrer as cadeias da Lama (Ponte Vedra), Villabona (Asturies) e Zuera (Zaragoza), o dia 2 de maio de 2012 ficou livre à espera de julgamento e após o pagamento de 3.000 euros. Conversamos com ele da volta à sua cidade, da repressom, das suas vivências nestes 16 meses de dispersom e do futuro. A maquinaria de castigo do Estado nom só nom venceu o ánimo deste jovem eletricista do sul da Galiza, senom que responde sem voz rota, desde a dignidade pelejada, e com mais ánimos sublinhando que "só resta a opçom de luitar".

Que implicou para ti o teu encarceramento?

Fôrom muitas cousas. Em primeiro lugar, olhar como todo é sobredimensionado, como é aplicada umha política de excepcionalidade sem razom de ser. Dentro da cadeia, também comprovei o trato que é recebido, tentam contagiar a degradaçom do próprio sistema. Vim a verdadeira face deste Estado: a alienaçom, a repressom, a humilhaçom que tentam impor às pessoas presas.

Visualizei o que era a injustiça e foi um ano e pico de aprendizagem. Foi um ano de repressom e castigo, mas tentei assumi-lo doutro modo.

Sentias dentro a solidariedade? Fôrom muitas as mostras de apoio? Como vivias essa privaçom de liberdade?

Foi mui duro, mas às vezes também emocionante. Chorei várias vezes ao olhar tanta carta, tanta preocupaçom, tanto de gente achegada como de gente que nem conhecia. Deu-me moita fortaleza, porque sentia que nom estava só e isso foi mui importante. Passaria todo o tempo agradecendo esse carinho, porque foi o principal motor que me mantivo e com que me defendim na distáncia baixo os muros. Também quero salientar que ter comigo todos os meses o Novas da Galiza, foi para mim como umha janela de ar fresco, graças a vós podia saber algo do que estava a passar no país.

Como continua o vosso processo judicial?

Temos que aguardar a que chegue o juízo. Desde o começo desta operaçom aplicárom contra nós medidas mui graves, de excepcionalidade própria da Audiência Nacional, fomos privados da presunçom de inocência, e nom sabemos que é o que nos aguarda. Está claro que todo este processo é político e está baseado no interesse de amedrontar a sociedade e que ninguém se mova. Nom estamos a receber nem um trato justo, nem proporcional segundo o que somos acusados. Aguardamos que non consigam o seu objetivo, e ainda que queiram impor-nos medidas exemplarizantes, a gente tem que estar nas ruas e defender os seus direitos sem medo.

Qual é a situaçom em que se encontra Telmo Varela?

Pois de novo tenho que incidir no injusto que é o nosso caso e, sobretodo, que ele continue em Topas (Salamanca) a centos de quilómetros da sua família. Continua dispersado e eu non entendo porque ele nom está de volta aquí comigo, livre e aguardando a data do juízo, recuperando o pulso à vida. Eu só espero que poda sair quanto antes.

Só levas uns dias fora, mas como encontrache o país e o seu contexto?

Ainda estou aterrando, mas vejo que a situaçom está muito pior. O desemprego é altíssimo, a reforma laboral é mui agressiva, estám a falar de copagamento na sanidade, cortes no ensino... Também sei que está a haver muita gente nas ruas em contra destas medidas, mas mesmo assim estamos numha situaçom de ameaças mui fortes aos nossos direitos. Há que luitar.

Que projetos tés em mente?

O meu envolvimento e o meu trabalho no mundo laboral vai continuar a ser o mais importante para mim, sempre vai ser prioritária. Quero voltar trabalhar no metal e retomar o dia a dia. Agora creio que temos que estar nas ruas a cada pouco e, evidentemente, continuarei a participar no que puder. O campo da solidariedade com as pessoas presas também me parece mui importante e, em concreto, estarei junto ao resto de companheiras e companheiros, dando a batalha pola liberdade de Telmo e do resto dos presos políticos galegos que, para mim, som a maior mostra de dignidade do nosso povo.

Tirado do Novas da Galiza nº 114. A fotografia é também de Zélia Garcia.


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