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3Galiza - Diário Liberdade - A Galiza nom queria que o PP ganhasse as eleiçons. É a conclusom que se pode tirar do inquérito pré-eleitoral realizado polo CIS há poucas semanas [1], quando comparado com os resultados destas eleiçons autonómicas que passarám à história polo contexto em que se realizárom.


Mas nem só: o mais grave é que, ao que parece, nengumha das possibilidades de governo que havia para a Comunidade Autónoma neste 21-O –lembrando que candidaturas minoritárias tenhem praticamente impossível aceder a umha cadeira- era acorde com as preferências da populaçom, segundo esse mesmo documento, e tendo em conta que a que acabou por ser terceira força mais votada (AGE) nom era considerada no estudo.

Lembre-se, entretanto, que embora as eleiçons fossem teoricamente livres e abertas, a realidade é que o sistema obriga a contar com ingentes quantidades de dinheiro para concorrer aos processos. Além do mais, mesmo os recursos públicos som repassados para os partidos políticos em funçom dos seus resultados em anteriores eleiçons, de maneira que se fai praticamente impossível entrar na corrida eleitoral para formaçons novas e sem o apoio de empresariado, de grandes fortunas ou dos grupos mediáticos de poder.

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Enquanto os meios do regime focavam toda a atençom desse inquérito em se a ultradireita renovaria ou nom a sua maioria absoluta no Parlamento Galego, o documento publicado polo ‘Centro de Investigaciones Sociológicas’ (CIS) espanhol deita luz sobre questons mais profundas.

Escandaloso suspenso do governo

Segundo as respostas do dito inquérito do CIS, o governo galego em maos que estava e estará do Partido Popular tem umha avaliaçom de desempenho péssima entre a populaçom galega.

Para 4 a cada 10 galegos/as, a Junta tem um desempenho mau ou muito mau. Idéntica proporçom dizem classificam este de “regultar”. Assim, apenas 17.8% dos galegos e galegas consideram o trabalho da Junta da Galiza como bom ou muito bom (esta última opçom com só 1.1%) durante os últimos quatro anos.

Mas é que o reprovado é tam contundente que, perguntadas/os separadamente em 11 itens, os e as galegas consideram que, em todos eles, a gestom do PP à frente da Junta foi má ou muito má.

No desemprego e a economia é onde a consideraçom é pior, com 65% das pessoas questionadas classificando de mau ou muito mau o trabalho da Junta, e apenas cerca de 10% considerando a gestom do governo galego como boa ou muito boa.

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E apesar disso, o Partido Popular acaba de vencer, mais umha vez, num processo eleitoral autonómico com umha alargada maioria.

... e os outros partidos do sistema também desacreditados

Mas se calhar o pior é certificar que as outras opçons às que o regime dá algumha possibilidade de alternáncia nom desfrutam de melhor consideraçom.

Perguntadas sobre a sua opiniom sobre a oposiçom de BNG e PSOE (outros partidos nom fôrom avaliados no estudo do CIS), as cerca de 4.000 pessoas participantes avaliárom maioritariamente (56% tanto para PSOE como para BNG) como mau ou muito mau o papel desses partidos.

Nom aparecia no inquérito a Alternativa Galega de Esquerdas, coalizom ‘expressa’ para este 21-O e recentemente nascida que nom sofre ainda o desgaste que os partidos tradicionais padecem após anos de baile de disfarces no parlamento autonómico.

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Incoerência: os galegos e galegas nom se identificam com nengum partido da democracia burguesa

Como o/a leitor/a terá previsto, nom é difícil imaginar que as e os galegas consideram que a opçom que melhor os representa dentre as que participam na farsa institucional é... nengumha!

Convirá lembrar os parágrafos e tabelas que seguem quando durante os vindouros meses se use como mantra da ultradireita espanhola o suposto apoio da sociedade ‘expressado’ nestas eleiçons.

Os galegos e galegas sentem-se “próximos” ou “muito próximos” de PP, PSOE e BNG em percentagens entre 10 e 20%. Porém, os e as que se consideram afastados ou muito afastados desses três partidos som (para todos os casos) quase 50%.

A incoerência da democracia burguesa mostra-se entom às claras: O PP é o partido do que mais galegos e galegas se consideram “perto” ou “muito perto” (18%).

Porém, esse dado é totalmente ilógico:

O PP é identificado como de ultradireita (as pessoas entrevistadas dam-lhe 8 sobre 10, onde 10 é o mais à direita possível) e espanholista (3 sobre 10, onde o valor “zero” é o menos galeguista possível).

No entanto, os galegos e galegas autodefinem-se, segundo o mesmo inquérito, como de centro esquerda e moderadamente nacionalistas galegos (4 de 10). Valores bastante afastados do nacional-catolicismo com o que, efetivamente, acertam a identificar aos ‘populares’.

Som mais as pessoas as que querem que mude o governo, mas também som mais as que querem que continue

Sim! Todo é possível na democracia burguesa! As leis da lógica e das matemáticas nom regem nesse espectáculo, e assim pode acontecer umha cousa e o seu contrário simultaneamente.

Dito de outra maneira, as galegas e galegos nom sabem se é pior a doença ou o remédio.

Segundo o pré-eleitoral do CIS, 49% da populaçom galega ve desejável umha mudança à frente da Junta, enquanto 31% prefere a continuidade.

Porém, a única opçom alternativa de governo ao PP que podia sair destas eleiçons (a coligaçom PSOE-BNG, com a participaçom de AGE que nom aparecia no estudo) é rejeitada por 46% e aprovada por apenas 30%.

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A resposta está nas ruas (e na abstençom)

A resposta a todas essas maravilhas, contradiçons e paradoxos veremo-la, como vimos vendo, nas ruas. E na abstençom e os votos em branco/nulos: a primeira delas foi a clara triunfadora da noite (36%) e a soma de votos em branco mais nulos, conseguiria umha cadeira no Parlamento, com pouco mais de 5%.

Ao previsível pioramento da situaçom económica e aprofundamento da ofensiva comandada desde o empresariado transnacional (com o Partido Popular ao timom), juntará-se a repressom de caráter totalitário avalizada por uns resultados que, longe de legitimar o governo de Feijó, apenas deixam patente o descrédito deste, mas também da chamada ‘oposiçom’ institucional.

Umha bomba que, mais cedo ou mais tarde, vai estourar.

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[1] "Preelectoral de Galicia. Elecciones Autonómicas". CIS, 2012.

Foto do Diário Liberdade - Manifestaçom em Compostela neste verao. A conflitividade social, previsivelmente, aumentará após estes processos eleitorais (mais o da Catalunha em novembro) que vam deixar via a Mariano Rajoi para aprofundar ainda mais os cortes antitrabalhistas.


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