O seu companheiro, José Mujica, é sucessor no cargo de Presidente da República Oriental do Uruguai de Tabaré Vázquez, de origem galega, e a quem Fraga lhe colocou a Medalha de Ouro da Galiza. Após a nacionalizaçom da Repsol na Argentina, a raiva anticolonial descarregava-se em ataques aos “gallegos”, enquanto a imprensa espanhola mais chauvinista e rança contra-atacava com titulares como “Lugo produce Fideles y Cristinas. Por las venas de la Kirchner corre sangre gallega”. A galeguidade como arma de arremesso entre colonialistas e colonizados: “galego? Tu mais!”. Cristina Fernández, presidenta da Argentina, é neta de Pacasio, um camponês de Vilar Jubim, na paróquia de St. Maria do Trobo, na Fonsagrada, que emigrou a Buenos Aires nos anos vinte. De Fidel e Raúl Castro, já é bem conhecida a sua galeguidade. A “província” originária de Fidel e Cristina vai no apelido do recentemente destituído – através de golpe de Estado – presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Na Argentina, Cristina nom é a exceçom mas a regra. Neto de galegos e conhecedor das nossas terras também era Raul Alfonsín, ou Fernando de la Rúa, que num momento mui delicado toma posse com umha grande churrascada amenizada com o som das gaitas. No México, Juan Camilo Mouriño, filho do ex-presidente do Celta de Vigo do mesmo apelido, ocupou o cargo de Secretário de Governaçom em 2008. Na Bolívia indigenista, o viguês Rafael Puente foi Vice-ministro de Regime Interior e da Polícia, e Representante Presidencial na Cochabamba que luitou polo direito à água. Puente foi educador, o que som as casualidades, de outra peste de galego, Mariano Rajoy, no colégio dos jesuítas de Leom. E na Venezuela? Aí o labirinto já é próprio de Dan Brown. Farruco Sesto Novás, da representaçom da UPG em Venezuela sucedendo Celso Emílio Ferreiro, ao Ministério de Cultura e outros altos cargos da Revoluçom Bolivariana. Na oposiçom mais férrea ao chavismo está o lobby da “Hermandad Gallega” de Caracas no centro das conspiraçons, o golpista Juan Fernández –um dos líderes da paralisação da patronal em 2003– refugia-se em Carral na casa dos pais; e na Globovisión, o canal de tevê pró-golpista, o aguilhom mais forte era Carla Angola, quem agora declara sentir-se “mais galega do que venezuelana”. Quem precisa de reptilianos ou illuminati havendo galegos?
Afinal, será que o espelho invertido das Américas nos revela a nossa autêntica identidade? No labirinto do galego e o espanhol, do gaiteiro de Cerponçons que ao voltar de Madrid se alegra de por fim “chegar a Espanha”, nom será que os espanhóis som, ao fim e ao cabo, galegos? As teses clássicas da descolonizaçom ensinárom-nos que a metrópole mantém com os colonizados um paternalismo típico de quem tem um filho tonto, selvagem, ainda sem educar. Mas no nosso caso nom parece que tenhamos uns autoritários pais da metrópole; o nosso é um problema familiar mais moderno, o dos filhos consentidos que abusam dos pais, desses que quando estudam na universidade nunca levam os seus novos cultos amigos à casa da aldeia, para nom se ter que envergonhar da falta de “cultura” da família, o sotaque da avô, e o cheiro a esterco das quadras. Eugenio Montero Rios, José Canalejas, Eduardo Dato, Casares Quiroga Francisco Franco (e mesmo o filho de corunhês Adolfo Suárez ou o marquês de Ribadeu Leopoldo Calvo-Sotelo), e agora Mariano Rajoy... os últimos cem anos som de monopólio gallego no Governo de Espanha.
Já o dizia o Samuel L. París com precisom chavista:
gallegos de mierda
que falan de liberdade uns trinta anos tarde
na vosa lingua
váyanse al carajo
gallegos de mierda
que aquí
aquí hai un pobo digno.




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