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170812 raphael-cuinhaGaliza - Galizalivre - R.C./ O primogénito de Xosé Cuinha criou-se num ambiente familiar no que eram habituais alguns dos homens mais poderosos da Galiza e do Estado.


Com o seu pai tecendo umha imensa rede de poder -até o ponto de haver quem intentou rematar com a sua vida-, o pequeno Rafa Cuinha tanto lhe entregava umha gaita como presente a Raúl Alfonsín, presidente da Argentina, como recebia carantonhas de Manuel Fraga. Desde entom, a fidelidade familiar é um dos seus principais valores, até o ponto de nom deixar o PP, com o que leva anos a discrepar publicamente, até depois da morte de Fraga -dele diria à sua morte que "o balance dos seus governos é positivo", já que "modernizou a sociedade galega"-, tal e como lhe prometera ao seu pai, cuja figura para ele é inquestionável.

La famiglia...

Na escola, apesar das intervençons paternas, tem dificuldades, e como muitos outros estudantes difíceis, é enviado ao colégio Peleteiro de Santiago, para depois estudar direito na universidade madrilena do Escorial. Seareiro do Real Madrid, viaja por todo o mundo e pratica surfe em Sam Vicente do Mar no Ogrobe, residência estival da família. É ademais, amante das motos, como seu pai, e o seu primo Ramón Cuinha Gómez. Este seu primo, 'Monchito', foi detido junto com outros três 'niños bien' de Lalim no passado 29 de maio, acusados de umha série de roubos de motos e quads na zona, além de delito de dessobediência ao dar-se à fuga. Obviamente, o seu nome nom transcendeu na imprensa comercial.

Em 2004, aos 33 anos e com um seguimento própria da imprensa rosa, Rafa casa com Berta González Casares. Como num casamento dinástico, juntam-se as duas famílias mais poderosas do Deza, pola parte de Rafael a de Cuinha; pola de Berta, a dos González: é neta de 'Licho', alcalde do franquismo em Lalim, e sobrinha do atual candidato do PSOE no concelho. Entre os invitados, Manuel Fraga -em primeira linha no casamento, ao lado de Xosé Cuinha-, Ana Pastor, Diz Guedes ou Palmou.

Agora moram em Filgueiroa, numha casa com dimensons da paço. Na vila, asseguram os vizinhos que a ela foi transladada parte da calçada romana, quando se levantou ao seu passo por Lalim. Outra peça chave da sua mitologia familiar é o moinho do seu avô, humilde origem do que os Cuinha fam amiúde gala. Quando a construçom do Passeio do Pontinhas, o governo levam sem mais as fincas dos vizinhos, que agora reclamam 31,8 milhons de euros, mas ao chegar ao moinho dos Cuinha -no que estivo a flor e nata da vida pública galega- o traçado desvia-se, ficando aliás com um formoso jardim privado.

Quintanismo e construçom dum self galeguista

A sua falta de preparaçom, é suplida com creces pola sua familiaridade com o poder. Vai-se fazendo um oco mediático na estela do mito galeguista de Cuinha pai, e começa a colaborar em Vieiros, A Peneira, Xornal de Galicia, El Correo Gallego, etc... A sua boa relaçom com o quintanismo vem de longe: em 2007, à morte do patriarca, Quintana declarará que Xosé Cuinha foi "um servidor público", e agradece-lhe "todo o que de bem lhe tenha feito à Galiza, que sem dúvida foi mais de umha cousa". No ano seguinte, estudará com Touriño entregar-lhe a Medalha de Ouro da Galiza. Já em 2010, Rafa ingressa no IGEA, lobby do quintanismo dirigido polo de Alhariz. Durante o bipartito, oferecem-lhe participar em Construcciones Técnicas de Radioterapia: "foi o próprio Governo bipartito o que nos invitou a participar no projeto, umha mostra clara de que as nossas relaçons com os grupos políticos som boas sejam da cor que sejam".

Mas foi com as redes sociais que Rafa demonstrou a sua inteligência estratégica à hora de construir a sua própria imagem. Alternando pinceladas ridiculistas ou boutades independentistas, com invocaçons ao fantasmaral setor galeguista do PP, e exibindo com fotografias as suas amizades com gente do galeguismo musical ou dirigentes nacionalistas, cuja imagem mais acabada foi o premonitório baile que botava com Martiño Noriega num videoclip de Marful. Assim, alimentando um crescente número de seguidores do peculiar sebastianismo galego, que levam anos a aguardar por umha burguesia galeguista, deixa o PP após a morte de Fraga para embarcar-se com cindidos do BNG num novo projeto político, Acción Galega, criado ad hoc para as negociaçons da nova organizaçom nacionalista.

Os negócios da família Cuinha

Rafa Cuinha herdou do seu pai um grande empório calculado em 70 milhons de euros e construido ao amparo das adjudicaçons de Sam Caetano. Controla 12,5% da empresa matriz do holding (Grupo Aurela) junto com a sua irmá María mais os seus dous tios, Eladio e Ramón. O grupo controla umhas 20 empresas dedicadas a vários negócios como a construçom, vidros, metal, aquicultura ou madeira e reconvertendo-se periodicamente. Atualmente, a jóia da coroa é a empresa Inasus dedicada ao desenho de fachadas que atualmente está a trabalhar na nova terminal do aeroporto londinense de Heathrow, o maior aeroporto de Europa, com um contrato que supera os 20 milhons de euros. Nom é a unica grande obra que fijo nos últimos tempos, já que também fijo a fachada da nova T4 de Madrid ou do Edificio Repsol, ademais um breve passeio por Lalim permite ver várias fachadas de último desenho. Nom acontece o mesmo com as outras empresas do grupo já que muitas estám numha péssima situaçom devido à crise da construçom.

O caso mais significativo é o de Metaldeza com um ERE em marcha ou a extinguida Metal Marine, que despois de desenhar umha nova bateia que "ia revolucionar o setor do mexilom" caiu em desgraça poucos meses depois. A família também tem contatos cm oa banca especialmente com a antiga CaixaGalicia, com a que comparte o acionariado de Construziona Galicia, a empresa que está nos julgados por umhas obras ilegais em Sam Genjo (como informava o Novas da Galiza no último número). Ademais esta mesma empresa tambñem tivo como conselheiro delegado a Francisco Doblas Bermejo, vereador do concelho de Vigo polo PP na legislatura 99-2003. Mais relaçons com CaixaNova atopamo-las com Ramón Cuinha, que foi conselheiro da entidade bancária contribuindo para a fussom com Caixa Pontevedra. Finalmente o secretário do Grupo Aurela, Jose Antonio Gil del Campo foi professor da escola de negócios de CaixaNova e sócio do importante bufete de advogados e assessores tributários Garrigues. Ademais, Gil del Campo foi chefe de inspeçom da Agência Tributária em Vigo, cargo do que tivo que demitir por presuntos casos de fraude a fazenda e tráfico de influências.

Tirado do Novas da Galiza nº 116
Ilustraçom de Suso Sanmartín, do Novas da Galiza nº 115


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