Som mulher, mas também como outras tantas mulheres podo ser trabalhadora, desempregada, mae, filha, lésbica, companheira, luitadora, revolucionária, feminista… mas lamentavelmente também explorada, discriminada, insultada, invisibilizada, afastada, carente de direitos, etc… e todo isso é hoje em dia o que somos e sofremos milhares de mulheres galegas como tu e coma mim.
Durante décadas, a influência do movimento feminista e a luita das mulheres por alcançar os seus próprios direitos e a sua emancipaçom, nom só a nível internacional senom também no nosso país e na nossa cidade, sempre fôrom obstaculizados, silenciados e ridiculizados polo sistema e polos meios de comunicaçom ao serviço do Capital. Nesta a nossa luita, a luita na que ninguém vai fazer nada por nós, excepto nós como mulheres, nom pode permitir-se o descanso nem trégua, nom podemos permitir as migalhas que o sistema e o Patriarcado nos estám a oferecer, através de leis de falsa igualdade, de cortes dos nossos direitos e endurecimento da reforma laboral que atenta especialmente contra a juventude e as mulheres. Ademais, no caso das galegas, afeta-nos ainda mais como habitantes de umha Naçom oprimida por Espanha. No caso da comarca de Vigo, destacamos trabalhos e setores maioritariamente ocupados por mulheres que recebem nefastas condiçons laborais, como som: o setor serviços, o conserveiro, a sanidade e a dependência.
Nom devemos esquecer nem desligar desta luita a uniom indivisível entre o nosso género e a nossa classe. O capitalismo, de forma indissolúvel, emprega o patriarcado como arma para que fiquemos na casa como incubadoras, com o pretexto de que há que fomentar a família; como mao de obra barata de pessoas dependentes, já que quase nom há recursos destinados à sua atençom; porque já nom podo decidir sobre o meu próprio corpo, nem aborto livre nem gratuíto; porque conciliar a vida familiar e laboral é impossível, se tenho a sorte de trabalhar, aguarda mulher! que já haverá algumha lei o algum subsídio que fomente e bonifique, por parte do Estado, as empresas, o emprego a jornada parcial e contratos eventuais para as mulheres (já que o mercado laboral, oferecerá ao homem umhas condiçons melhores que as tuas). Querem que sejamos submissas, que levemos a carga da casa, da família, do sistema, que recomponhamos, em resumo, a força de trabalho.
A todo isto devemos acrescentar o maltrato físico, verbal e psicológico por ter que aturar a frustraçom do homem respeito à situaçom social-económica atual, e os impedimentos que temos as mulheres à hora de organizar-nos, criar espaços, mobilizaçons e reivindicaçons próprias. Esta inaniçom de direitos que estamos a padecer é resultado do ADN desta sociedade patriarcal que arrasta de forma congénita os costumes do passado, para segui-las inoculando no presente através de umha sociedade machista e “moderna e amável”, mas igualmente devastadora para nós. Esta situaçom, obriga-nos a seguir percorrendo um caminho de luita que temos que fazer entre todas, a organizar-nos, a rebelar-nos e conseguir a nossa emancipaçom nacional e social de género.




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