Foi na manhá do sábado e apesar da chuva. Umha média de idade relativamente elevada dava a entender a classe de clientes recrutados. Na Galiza, a atual Novagalicia banco (fusom das antigas Caixa Galicia e Caixanova) foi a principal entidade a captar pessoas para investirem dinheiro nas arriscadas participaçons 'preferentes', umha armadilha em que milhares delas acabariam por perder a totalidade ou parte do dinheiro poupado durante toda umha vida.
O protesto terminou nas portas da sumptuossa residência oficial do Presidente da Junta, o ultradireitista Alberto Nunes Feijó, o que deixou bem claro a identificaçom entre esta personagem com o roubo sofrido por 95.000 galegas e galegos. Mas a casa estava vazia: enquanto milhares de pessoas protestavam contra o maior calote bancário na História da Galiza, Feijó trabalhava o seu futuro dentro do regime em Madrid, num congresso do PP em que, desesperadamente, os e as espanholistas tentavam acalmar o lume do 'caso Bárcenas'.
Ao chegar à residencia do galego-espanhol Feijó os e as manifestantes nom fôrom recebidos por nengumha autoridade, mas sim por um forte dispositivo montado pola polícia espanhola, apesar do decorrer absolutamente pacífico de todo o protesto, muito ativo e sonoro. Esse mesmo dispositivo, composto por carrinhas e agentes de distúrbios da polícia espanhola, situou-se em vários pontos do percurso da enorme manifestaçom.
No manifesto lido no Monte Pio, Pilar Domingues (afetada compostelá de 82 anos) lembrou que a suspensom de parte da dívida "é um roubo" e a permuta "mais umha estafa". Feijó está "do lado dos estafadores" igual do que o presidente espanhol Mariano Rajói e o Ministro do país vizinho Luís de Guindós, dijo Pilar: "que nom despejem culpas a Bruxelas porque a soluçom depende do Banco de España e da Comisión Nacional del Mercado de Valores".
Fai poucos dias o Partido Popular ditou umha inaudita norma para evitar o acesso de público ao Parlamento da Galiza -dita assistência terá que ser previamente aprovada pola presidenta da cámara-, e foi precisamente motivada polos protestos de pessoas que perdérom os seus aforros no caso das preferentes.
O PP tenta convencer de que sempre estivo ao lado das pessoas afectadas
Um Partido Popular a cada vez mais isolado no meio da trovoada de corrupçom tivo que dar resposta aos milhares de pessoas que ontem de manhá ocupárom as ruas da capital galega.
"Queremos lembrar que a Galiza foi pioneira na Espanha en pôr en funcionamento a arbitragem para tramitar as reclamaçons dos afectados, um sistema gratuíto que tem a mesma validade que umha sentença judicial" assegurou um inverosímil comunicado da sucursal do PP na Galiza. Segundo os neoliberais "graças a esta fórmula, até o momento puidérom recuperar os seus aforros mais de 12.500 pessoas com a devoluçomde 230 milhons de euros".
Nom comentou o PP que a 'devoluçom' do dinheiro implica umha perda mínima de 20% das popupanças das pessoas afectadas (percentagem que, com toda probabilidade, aumentará em cada caso na hora de confirmar o trámite) e que nem o meio de pagamento está garantido, já que parte do dinheiro poderia permanecer em depósito por tempo indeterminado. Tampouco observárom que essa via deixa fora 80% das pessoas vitimadas. A arbitragem articulada polo governo de Feijó em conivência com a Novagalicia Banco, a CNMV, o Banco da Espanha e o governo de Madrid conseguiu, porém, um rotundo êxito: juntar milhares de galegos e galegas por volta de um objetivo comum, a oposiçom a ela.
Assim, várias plataformas territoriais de pessoas afetadas desprezárom o comunicado do Partido Popular classificando-o de inveçom, caralhada e vergonhoso. Segundo recolhe Sermos Galiza, integrantes de coletivos como o da Barbança falam de "declaraçons vergonhosas", en palabras de Silvia Ordóñez. "A Junta é cúmplice. Nom está a fazer nada, andam com a quita e a permuta e eles, nada". Em Ferrol consideram que o comunicado do maior partido da ultradireita espanhola é umha "caralhada" e que "algo assustados devem de estar ao ver tanta gente a protestar e agora inventam isso de que nos apoiam".
Fotos do Diário Liberdade - De livre reproduçom, citando fonte - Protesto de ontem das ruas de Compostela.

