Nestas últimas semanas, a raiz da manifestação a favor da independência na Catalunha, está sendo actualidade o debate sobre as Balanças Fiscais das distintas CCAA do Estado espanhol. Nesse sentido, acostuma-se a colocar à Galiza como uma comunidade dependente que recebe mais do que aporta à Espanha. Nada mais longe da realidade!
Analisando a Balança Fiscal real Galiza-Espanha do ponto de vista do fluxo monetário (o método mais utilizado nos distintos países que analisam estas questões) e imputando a essa Balança Fiscal os gastos reais da SSGG (isto é, não imputando como gasto aquelas pensões recebidas por pessoas retornadas que cotizaram ao longo da vida fora da Galiza). Por outro lado, imputamos como ingresso os impostos que teriam que pagar na Galiza os milhares de empresas (4.733 em 2010)[1] que desenvolvem actividades económicas aqui (pensemos por exemplo nas companhias eléctricas que exploram nossos rios) mas pagam impostos em Madrid ou em outros lugares no Estado espanhol ao terem a sua sede social alí. Um dado para não esquecer é que muitas dessas empresas com sede fiscal fora da Galiza, são de tamanho médio ou grande, o que significa que a sua carga impositiva por via do Imposto de Sociedades ou IVA seria também maior se elas estivessem domiciliadas na Galiza, e numa Galiza independente com fazenda própria teriam que estar forçosamente domiciliadas.
Tendo isso em conta podemos ver que a Galiza aporta à Espanha bastante mais do que recebe. Assim, o espólio fiscal e financeiro da Galiza por parte da Espanha foi quantificado polo economista Xavier Díaz em 4.435 milhões de Euros com respeito a 2007.[2] É de esperar que as cifras não tenham variado muito nos últimos anos.
[1] Fonte: IGE (Instituto Galego de Estatística)
[2] Este artigo está fundamentado no trabalho: Díaz, X (2009). Os resultados do sistema de financiamento en 2007. Revista Terra e Tempo 149-152. Ano 2009. Disponível aqui em PDF

