Antes dessa data, o mecanismo fundamental de financiamento estatal era direto: o Estado, ou Tesouro Público, estabelecia as prioridades de investimento, e pedia aos Bancos Centrais correspondentes, que fabricassem o dinheiro que precisavam. Deste modo direto nom havia dívida pública importante, pois o Estado nom se prestava a sim mesmo com juros de usura.
Mas com a aprovação do Tratado de Maastricht, este modo de se financiar desaparece, e impom-se a proibiçom de fazê-lo de um modo direto. Agora, e a partir do Tratado, os Estados tenhem que pedir o dinheiro que precisarem aos bancos privados -ou pôr à venda nos mercados financeiros- os títulos de dívida pública, os bonos do tesouro. Som logo estes bancos privados os que lhe pedem o dinheiro ao Banco Central Europeu. Cria-se aqui um negócio perfeito para os "donos do capital":
O Banco Central Europeu fixa os tipos de juro do dinheiro que entrega à banca privada através do Euribor, que hoje está nos mínimos (0,75%). Esse dinheiro, que não podemos esquecer que é PÚBLICO, é utilizados em parte polos bancos para comprar dívida pública dos Estados, a um tipo de juro que vem determinado polos mercados, polas agências de classificaçom (que fazem parte dos próprios mercados e portanto beneficiários), e polas condiçons políticas e sociais em questom. Esse dinheiro público é emprestado nalguns países a juros muitíssimo maiores.
No caso da Espanha, atualmente por volta de 7%. Na Grécia, já por cima de 18%. Um juro que ademais sobe continuamente, de modo forçado polos próprios mercados. É portanto um negócio perfeito, os bancos privados financiam-se com dinheiro público, para obter suculentos benefícios de dinheiro também público. Se somamos os resgates aos bancos, temos que nós pagamos os benefícios da banca, e também pagamos as suas perdas. É uma máxima capitalista, privatizar os benefícios e socializar as perdas.
Isto chama-se usura, e desta maneira, o endividamento converte-se numa soga no pescoço dos Estados, e por extenom das classes trabalhadoras desses Estados afetados, que vem todas as suas conquistas sociais desmanteladas para pagar os juros usurários da banca e os grandes investidores.
Foto: IeB - Previsom, realizada em 2009, da evoluçom da dívida pública do Estado espanhol.


