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050912 afi-deficit-publico-espanaGaliza - 15M da Ria - Se queremos pôr-lhe umha data à origem da especulaçom com a dívida pública ou soberana, que hoje está na boca de todos para avalizar as políticas de cortes sociais, temos que retroceder ao Tratado de Maastricht, em 1992. Nele, por influência da legislaçom de Estados como o francês, onde tenhem este sistema desde 1973, proibe-se-lhe expressamente ao Banco Central Europeu dar-lhe dinheiro diretamente aos Estados nem à mesma Uniom Europeia.


Antes dessa data, o mecanismo fundamental de financiamento estatal era direto: o Estado, ou Tesouro Público, estabelecia as prioridades de investimento, e pedia aos Bancos Centrais correspondentes, que fabricassem o dinheiro que precisavam. Deste modo direto nom havia dívida pública importante, pois o Estado nom se prestava a sim mesmo com juros de usura.

Mas com a aprovação do Tratado de Maastricht, este modo de se financiar desaparece, e impom-se a proibiçom de fazê-lo de um modo direto. Agora, e a partir do Tratado, os Estados tenhem que pedir o dinheiro que precisarem aos bancos privados -ou pôr à venda nos mercados financeiros- os títulos de dívida pública, os bonos do tesouro. Som logo estes bancos privados os que lhe pedem o dinheiro ao Banco Central Europeu. Cria-se aqui um negócio perfeito para os "donos do capital":

O Banco Central Europeu fixa os tipos de juro do dinheiro que entrega à banca privada através do Euribor, que hoje está nos mínimos (0,75%). Esse dinheiro, que não podemos esquecer que é PÚBLICO, é utilizados em parte polos bancos para comprar dívida pública dos Estados, a um tipo de juro que vem determinado polos mercados, polas agências de classificaçom (que fazem parte dos próprios mercados e portanto beneficiários), e polas condiçons políticas e sociais em questom. Esse dinheiro público é emprestado nalguns países a juros muitíssimo maiores.

No caso da Espanha, atualmente por volta de 7%. Na Grécia, já por cima de 18%. Um juro que ademais sobe continuamente, de modo forçado polos próprios mercados. É portanto um negócio perfeito, os bancos privados financiam-se com dinheiro público, para obter suculentos benefícios de dinheiro também público. Se somamos os resgates aos bancos, temos que nós pagamos os benefícios da banca, e também pagamos as suas perdas. É uma máxima capitalista, privatizar os benefícios e socializar as perdas.

Isto chama-se usura, e desta maneira, o endividamento converte-se numa soga no pescoço dos Estados, e por extenom das classes trabalhadoras desses Estados afetados, que vem todas as suas conquistas sociais desmanteladas para pagar os juros usurários da banca e os grandes investidores.

Foto: IeB - Previsom, realizada em 2009, da evoluçom da dívida pública do Estado espanhol.


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