A CNT convocou esta manhá (30/08) umha concentraçom ao pé dos escritórios do Serviço Público de (des)Emprego da Galiza em Compostela, à que também se somárom membros da CUT. Chamárom à mobilizaçom dos e das desempregadas.
Com uns minutos de demora sobre o horário previsto, as 11:00 h., um grupo de cerca de 15 pessoas concentravam-se por volta umha faixa na que se lia "Nem cortes de direitos, nem reforma laboral".
Apesar da escassa participaçom, um texto intitulado com um impactante “Estás desempregado? Entom a sociedade nom te necessita: desaparece!” conseguiu despertar o interesse de muitas das pessoas que passavam polo local ou usuárias do próprio Serviço Público de (des)Emprego, que o lérom com interesse.
O texto, que reproduzimos no final deste artigo e lido durante o ato a modo de manifesto, criticava que, em realidade, essa é a mensagem lançada desde o sistema, e que se aproveita a situaçom para precarizar e obrigar a “mendigar um trabalho”. “Vamos conseguir um trabalho, mas nom como eles querem, senom de verdade” dixérom em relaçom à própria mobilizaçom.
Para terminar, e já saindo do roteiro marcado no texto da convocatória, criticou-se a privatizaçom do Serviço de Emprego, lembrando que “no final do ano as Empresas de Trabalho Temporário (ETT) terám ao seu dispor os vossos currículos”. Ainda, criticou-se que, tal como em todo o setor público, “as baixas e reformas nom estám a ser substituídas” no Serviço Público de Emprego, que “nom se renovam os contratos que terminam” e que daí vem a absoluta (e notória) ineficácia do serviço.
Estás desempregado? Entom a sociedade nom te necessita: desaparece
A seguir reproduzimos o manifesto lido pola CNT na concentraçom desta manhá em Compostela:
"Soa raro? Pois isto é o que sai da boca dos nossos governantes, políticos e empresários dia após dia, esmagando-nos o cérebro, tentando destruir a nossa dignidade como trabalhador@s e como pessoas. @s trabalhador@s que ontem mesmo estávamos a fornecer riqueza e benefícios a esgalha para as empresas, hoje, umha vez despedid@s, somos desprezados como algo inútil, "um problema" para a economia do país. Dizem-nos que já nom voltaremos ter trabalho, e se o conseguimos, será trabalhando o dobro de horas pela metade do salário. Onde vamos? É que já nom há sítio para nós?
Dizem-nos no INEM que o trabalho do desempregado é conseguir trabalho, nom é? Vale, pois vamos fazê-lo, mas nom como eles querem, mendigando um contrato, senom de verdade. Vamos pedir-lhes a esses políticos que ganham mais de 5.000 euros ao mês que nos busquem trabalho. E vamos lho a lembrar de dia e de noite, mesmo domingos e feriados.
Cursos inúteis? Nom, o que queremos é um trabalho digno. Vamos aos seus ministérios e aos seus gabinetes, à porta das suas casas, a pôr-nos diante dos seus luxuosos carros oficiais para dizer-lhes que estamos fartos, que temos direito a trabalhar e que temos força para exigi-lo. Nom vamos aguentar esta situaçom enquanto os ricos ganham dinheiro e aos desempregados se nos finta um miserável subsídio.
Sós, separadamente, nom somos nada, um número nas suas fichas e mais nada. Mas juntos, temos força; vamos demonstrar que nom somos inúteis, que nom sobramos.
COMPARTILHAMENTO DO TRABALHO
- Reduçom da jornada laboral semanal a 30 horas, sem reduçom salarial.
- Proibiçom do pluriemprego e das horas extraordinárias.
- Demissom das práticas gratuitas e similares nas empresas: todo o trabalho deve ser remunerado dignamente.
- Fixaçom da idade de reforma aos 55 anos e proibiçom da permanência no posto de trabalho após vez ultrapassada essa idade.
- Aumento do período de férias a 31 dias úteis anuais e da permissom de maternidade-paternidade aos 3 primeiros anos.
COMPARTILHAMENTO DA RIQUEZA
- Aumento da cobertura da prestaçom por desemprego. Tanto em período de cobertura como na quantia da prestaçom.
- Cobertura universal dos trabalhadores e trabalhadoras em desemprego, que esgotem a sua prestaçom ou nom tenham direito a ela, mediante um ingresso que lhe permita satisfazer as suas necessidades básicas.
- Emprego público rotatório para os desempregados de longa duraçom e uma verdadeira mudança no compartilhamento da despesa pública para cobrir as necessidades sociais básicas de todas as pessoas.
- Eliminaçom do negócio da "formaçom para o emprego" do que beneficiam "sindicatos" e empresários, destinando os recursos ao sistema público de formaçom profissional.
- Eliminaçom dos contratos precários de formaçom e práticas, fomento do emprego, contratos temporários e precários.
Se estas propostas che parecem válidas, acode aos sindicatos da CNT para luitar por elas. O silêncio é a nossa pior condenaçom. @s trabalhador@s em desemprego temos que sair à rua, temos que converter-nos num problema de verdade para que se arranje a nossa situaçom. Se ficamos em casa, se nos lamentamos da nossa má sorte, entom estamos a fazer o que eles querem, que é nom ver-nos, nom escuitar-nos, nom sentir que estamos aí. Pois entom, que nos vejam! que nos tenham presentes todos os dias!"
Foto do Diário Liberdade - Concentraçom da CNT hoje em Compostela

