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180712 operariosgzGaliza - Diário Liberdade - O presidente do Conselho Galego de Relações Laborais, Demetrio Fernández, reconhece que "desde que há registros, no final dos anos 80, não se produziu um incremento salarial tão baixo".


Os trabalhadores galegos perderam poder adquisitivo nos convênios coletivos assinados na primeira metade deste ano, que recolhem um incremento salarial de 1,52%, abaixo de 1,8% de aumento do IPC.

São dados do Conselho Galego de Relações Laborais, cujo presidente, Demetrio Fernández, apresentou à imprensa os resultados do relatório de negociação coletiva de 2011 e o avanço do primeiro semestre de 2012, que concluem que a crise paralisou a atividade neste sentido.

Além da sensível perda de poder aquisitivo, os dados dos seis primeiros meses do ano indicam que os trabalhadores se veem obrigados a aumentam a jornada de trabalho, que é de 1.769 horas, "uma das mais altas da última década". Comparada, por exemplo, com a jornada de 2011, é 16 horas mais alta.

O presidente do Conselho indicou que a situação na negociação coletiva na Galiza é de evitar negociações de incrementos salariais, dado o risco de perda do próprio emprego. Daí que a crise esteja a danificar de maneira importante as condições de trabalho. As "mudanças radicais" impostas polo atual governo com a reforma laboral leva a uma primacía do convénio de empresa e a que os setoriais sirvam de "orientação", ao invés do que antes sucedia, quando os acordos na empresa podiam melhorar o setorial, mas nunca estar por baixo.

Quanto aos incrementos salariais, indicou que 2011 fechou com 2,82%, enquanto no primeiro semestre é de só 1,52%. Por províncias, destaca 0,33% de Ponte Vedra, em frente dos 1,7% de Lugo; 2,03% de Ourense e 2,07% da Corunha. Além disso, Fernández assinalou que só 17% dos convénios incluem uma cláusula de revisão salarial, que é a que permite adequar a evolução do salário à do IPC. Faz seis anos, indicou, eram 60% os que introduziam esta cláusula.

Quanto à vinculação do salário ao aumento da produtividade, baixaram de 41% para 32% os convénios que estabelecem esse acordo, algo "curioso", afirmou o presidente do Conselho Galego de Relações Laborais, uma vez que se trata de uma das recomendações do Ministério da Economia e da CEOE.

Além do anterior, verifica-se um aumento dos convénios com alguma cláusula do controlo do absentismo e  também cresce o dos acordos que preveem mecanismos extrajudiciais para a resolução de conflitos. Fernández aludiu a aspetos positivos, como que 99% têm cláusulas de conciliação que melhoram o Estatuto dos Trabalhadores; 97% incorpora melhorias sociais; e 94% prevê medidas de saúde trabalhista.

Menos convénios, mais desproteção

A 30 de junho, explicou Fernández, na Galiza estavam vigentes 840 convênios coletivos, que afetam 431.960 trabalhadores. Neste ano corresponde negociar 583 de empresa e 100 de setor e na primeira metade de ano tinham-se realizado os trâmites para 53 de empresa (9,09%) e para quatro setoriais (4%). O normal a estas alturas de ano seria ter atingido metade ou mais.

Uma das caraterísticas dos relacionamentos laborais na Comunidade Autónoma da Galiza, segundo Demetrio Fernández, é a "atomização" dos convénios, pois a maior parte dos mesmos afetam menos de 30 pessoas e alguns se aplicam a empresas com seis ou sete trabalhadores.

Fernández apontou que na Galiza administrativa (ficam fora as comarcas do leste dependentes das Astúrias e Castela e Leão) há umas 150.000 pessoas sujeitas a convénios estatais e calcula que entre 100.000 e 120.000 trabalhadores não têm convênio coletivo.

Representação operária "masculinizada"

Por setores, Fernández indicou que a negociação se reduziu sobretudo na construção e a atividade agrária, enquanto nos serviços "se mantém com dificuldades". Ainda, assinalou que o setor das ambulâncias e o da limpeza estão "à beira da conflituosidade".

Em qualquer caso, considerou que a conflituosidade se transladou da negociação dos convênios para os expedientes de regulação de emprego (ERE).

Fernández sublinhou também que as negociações continuam a estar "masculinizadas" e só 19% das representantes de empresas e 21% no caso dos sindicatos são mulheres.

Também recordou que a reforma laboral estabelece uma mudança na classificação dos convénios, que devem ser referido aos grupos profissionais, um requisito ao qual ainda devem adaptar-se 57% dos documentos vigentes na Galiza.

Por último, Fernández assinalou que o Conselho de Relações Laborais elabora uma série de recomendações sobre os conteúdos e a agilidade nos processos de negociação coletiva, que remete para todas as comissões negociadoras.


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