NÓS-Unidade Popular tinha insistido nos seus dous posicionamentos durante a recente campanha eleitoral na evidência de que existia umha importante desafeiçom social frente ao processo.
Nem sequer o chamado “efeito Beiras”, que serviu para levar a social-democracia espanholista ao Parlamento, quebrou umha tendência que se vê no significativo aumento da abstençom (de quase 7 pontos) e no incremento dos votos em branco (38.410, quase duplicando os de 2009), dos votos nulos (37.472, passando de 0,8% para 2,5%) e mesmo da candidatura chamada “Escanos em Branco”, que se converteu na sexta mais votada, com mais de 17.000 votos e 1,19% de representatividade.
Ao todo, estamos a falar de mais de 925.000 galegos e galegas, um número muito superior, por exemplo, aos 653.000 que dérom o seu voto ao Partido Popular, que por sua vez perdeu mais de 135.000 apoios em relaçom às anteriores eleiçons autonómicas.
Ao anterior, devemos acrescentar a queda de apoios tanto do PSOE (-230.000) como do BNG (-125.000), supostas alternativas “de esquerda”, bem superior aos 200.000 votos obtidos pola candidatura encabeçada por Xosé Manuel Beiras, que fijo saltar IU de umha posiçom extraparlamentar com menos de 1% dos votos para a de sócia maioritária de umha coligaçom com 14% de representaçom no Parlamento e 9 deputados/as, 5 das quais em maos da própria IU.
Em termos de luita nacional, foi evidente a ausência de qualquer conteúdo realmente soberanista ou independentista nas diferentes candidaturas, ficando a Galiza mais umha vez à margem dos avanços produzidos nos independentismos basco e catalám. Em lugar disso,na Galiza o nacionalismo reformista perdeu apoios (de 12 para 7, ou para 10, se somarmos BNG+Anova), enquanto o espanholismo passou de 63 (PP+PSOE) para 64 (PP+PSOE+IU).
Resumindo, produziu-se umha recomposiçom em baixa dos votos da esquerda parlamentar, em favor da AGE, que ganhou simpatias para um projeto eleitoralista que nom vai trazer nengumha novidade substancial ao panorama institucional de partidos do sistema, apesar da sua linguagem “esquerdista”. Aumentou o rejeitamento global às candidaturas apresentadas, mas também, diversificando-se de direita para esquerda, a presença parlamentar do espanholismo.
Apesar do aumento do descontentamento representado pola abstençom e polo voto de castigo, nom se produziu umha erosom significativa no Partido Popular, favorecido pola Lei D’Hont, nem no próprio sistema, que mantém por enquanto a estabilidade.
Podemos falar de contraditórias tendências positivas e negativas, sendo evidente a grave carência de umha alternativa política realmente galega e revolucionária, capaz de dar voz a boa parte dessas centenas de milhares de votos de esquerda que nom confiam nas candidaturas do sistema, fazendo-o em chave nacional.
O desafio é grande, pois a descomposiçom do sistema avança e poderá abrir espaços para derivas ainda mais totalitárias que as já dominantes, se nom houver no movimento popular capacidade para auto-organizar umha alternativa socialista, independentista e feminista capaz de reconduzir a situaçom de crise estrutural do sistema para um caminho oposto ao capitalismo patriarcal e à espanholizaçom em curso.
NÓS-Unidade Popular aspira a fazer parte dessa alternativa revolucionária, que deve ser construída ao calor das luitas sociais, sindicais, culturais, feministas, políticas que deverám ser dadas para enfrentar o endurecimento da ofensiva capitalista que sem dúvida protagonizará o Partido Popular de maneira imediata.
Longe de qualquer desánimo, devemos trabalhar pacientemente para recompor o espaço da construçom nacional a partir de parámetros revolucionários, frente ao capitalismo espanhol e às falsas alternativas reformistas criadas no interior e ao serviço do próprio sistema.
Galiza, 24 de outubro de 2012
Direçom Nacional de NÓS-Unidade Popular




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