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Arquivado em: eleiçons  21o  
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221012 21oGaliza - Diário Liberdade - O PP perdeu nas eleiçons de ontem apoios percentuais e em número de votos, mas reforçou a sua posiçom com mais três deputados num parlamento com claro domínio do espanholismo nas suas três principais versons: PP, PSOE e IU.


As eleiçons de 21 de outubro tivérom como maior novidade a irrupçom espetacular da AGE (Alternativa Galega de Esquerda), coligaçom liderada por Xosé Manuel Beiras, com um amplo grupo parlamentar de 9 deputados e deputadas, ficando como nova terceira força e mandando o BNG para a quarta posiçom, ao cair de 12 para 7 representantes.

Por outra parte, a ausência de candidaturas independentistas e o "esquecimento" de referências desse tipo por parte da AGE e do BNG, deixárom o independentismo totalmente fora da campanha, ao invés do que vem acontecendo no País Basco e, em breve, na Catalunha. Contrariando a leitura de alguns setores mesmo do independentismo, nesta campanha ficou claro que na Galiza nom se verificou nengum "giro soberanista" nos últimos tempos, por parte de nengumha das diferentes expressons do nosso morno nacionalismo.

O outro derrotado, para além de um Bloque nada independentista, foi o PSOE, que tinha 25 cadeiras e ficou com 18, um resultado nada supresivo no caso dessa força social-liberal, com líderes anódinos tanto na Galiza como no Estado espanhol, e envolvida por completo nas políticas de austeridade aplicadas nos últimos anos polos sucessivos governos.

Partido Popular perde mais de 130 mil votos, mas aumenta 3 assentos

Quanto ao Partido Popular, a Lei d'Hont e a evoluçom do voto nas outras opçons possibilitou que aumentasse o número de representantes no Parlamento (de 38 para 41), apesar de ter perdido quase um ponto percentual (de 46 para 45%) e mais de 130 mil votos. Umha perda compensada polo aumento percentual da abstençom (quase um ponto superior, mais de 832 mil pessoas) e das restantes formas de voto de protesto (em branco, com mais de um ponto de aumento; nulo, quase dous pontos superio; e mesmo da candidatura chamada Escanos em Branco, mais de 17 mil votos, 1,19%). Ao todo, e sem contar os votantes de pequenas formaçons anti-sistema, estamos a falar de uns 925 mil votantes que ficárom fora da disputa entre os diferentes partidos sistémicos. Um volume equivalente à soma dos votos que obtivérom o PP e o PSOE.

Umha vez que existe certo consenso sobre o caráter maioritariamente progressista da abstençom e doutras formas de voto-protesto, parece claro que, mais umha vez, foi a desmobilizaçom do voto de esquerda perante as diferentes opçons de voto reformista que permitiu o PP manter o seu governo de maioria absoluta, mesmo aumentando a vantagem sobre os restantes partidos com representaçom parlamentar.

PSOE, AGE e BNG repartem o bolo que antes repartiam entre PSOE e BNG

Convém ressaltar que o próprio Xosé Manuel Beiras, mas também Yolanda Díaz, marcárom como objetivo para AGE durante a campanha atrair os votos do descontentamento das pessoas que costumam ficar na casa, seguramente pensando nos milhares de integrantes das mobilizaçons tipo 15M ou indignados com discurso "anti-partidos", como novo viveiro de votos para a sua formaçom.

Em lugar disso, a soma de Anova e Izquierda Unida (formaçons principais de AGE) conseguiu um magnífico resultado só à custa de parte dos votos que o PSOE e do BNG perdêrom, sendo essas as duas forças claramente derrotadas nas eleiçons de ontem.

No caso do PSOE, passou de 524 mil votos (31%) para 293 mil votos (20,5%): umha espetacular queda percentual e numérica, que nom lhe impediu manter um cómodo segundo posto, contrariamente ao que alguns analistas afirmam quando tentam igualar o seu resultado com o do PSOK grego.

Quanto ao BNG, a sua amarga derrota a maos do seu ex-candidato coligado com a força espanhola que aspirava a ocupar o seu espaço (IU) plasma-se nom só na perda de quase metade dos seus representantes (de 12 para 7) e nos 125 mil votos que fugírom (de 270 mil para 145 mil, 6 pontos percentuais), mas sobretodo na simbólica perda do terceiro posto que lhe permitia falar de um sistema galego de partidos nom homologado com o genérico espanhol. Agora também na Galiza, Izquierda Unida (apoiada em Beiras) ocupa a maior representatividade eleitoral da esquerda "descontenta" e "alternativa" (que nom anti-sistema).

O discurso do candidato Jorquera no fim da jornada eleitoral excluiu qualquer autocrítica, limitando-se a culpabilizar umha pinça PP-Beiras, em aliança com a direita mediática, da sonora derrota do BNG.

"Torrado", mas nom queimado: O fenómeno Beiras e as 5 cadeiras para a extra-parlamentar IU

De impressionante pode qualificar-se o papel jogado por Beiras, numha espetacular campanha eleitoral que com a sua inflamada e brilhante oratória encheu praticamente todos os locais em que protagonizou comícios, alguns com milhares de pessoas ávidas de ouvir o velho Beiras como nos seus melhores tempos à frente do BNG. Um discurso de pouco sustento na prática da sua força política, mas que expressa o descontentamento de milhares de galegos e galegas, que abandonárom as cinzentas propostas do PSOE e do BNG em favor de um espetáculo esquerdista que contou também com o apoio de alguns importantes meios de comunicaçom públicos (como a RTVG) e privados (como La Voz de Galicia) que ajudárom a popularizar a chamada "Syriza" galega.

Dos 9 assentos conquistados, a maioria deles, cinco (5), serám para a espanhola Izquierda Unida, sócia forte da coligaçom em termos orgánicos e de financiamento da campanha, ficando três (3) para o Encontro Irmandinho de Beiras e umha (1) para a minoritária FOGA. IU passou assim dos 0,9% de votos (16.441) em 2009, e da condiçom de força extra-parlamentar, para a de sócia maioritária de umha coligaçom que ontem atingiu os 200 mil votos (14%), que lhe dam 5 deputados e deputadas sobre 9. Um aumento que leva IU aonde nunca estivo na Galiza e que nengum dos seus dirigentes poderia esperar nem nos seus melhores sonhos.

A política-espetáculo reflete só parcial e imperfeitamente a realidade social

Numha mostra paradoxal da natureza instável da política espetáculo, consumou-se a vingança de um Beiras que a UPG julgava estar acabado. Com os seus 76 anos, derrotou eleitoralmente o BNG, poucos meses depois de abandonar a organizaçom, na qual representava só umha pequena minoria em termos de correlaçons internas.

O combustível que dam o financiamento e a presença mediática derivada da importante entrada de Beiras e IU no Parlamento autónomo galego garante a continuidade da aventura dos últimos anos de vida política do veterano político. Contodo, parece que a principal beneficiária será a própria Izquierda Unida, cujos dirigentes espanhóis já se gabam nas redes sociais pola importante presença dessa formaçom no Parlamento autónomo galego, esquecendo, claro, que foi o papel de Xosé Manuel Beiras o único que permitiu semelhante êxito dos social-democratas espanhóis na Galiza. 

Porém, os líderes de IU nom agradecêrom a ajuda de Beiras, nem a magnífica ideia originariamente carimbada pola FPG, primeira a propor a unidade de todas as esquerdas reformistas (galegas e espanholas) para juntas derrotarem o PP. Se bem o PP ficou longe de ser derrotado, a uniom galego-espanhola dos diversos reformismos (exceto o BNG) serviu para que o PCE recupere um lugar importante na política institucional da Comunidade Autónoma da Galiza.

CxG, UPyD, Mario Conde

Compromisso por Galiza, força galeguista de centro-direita, conseguiu 1% de votos na sua primeira participaçom eleitoral. Poderá parecer pouco para umha força com significativa implantaçom municipal nalgumhas zonas do País, mas de facto ficou ligeiramente acima do que era a representaçom eleitoral "tradicional" da própria Izquierda Unida até 2009, se bem no caso dos de Báscuas e Cuinha, contando, na verdade, com um orçamento eleitoral muito superior.

UPyD, com 1,48% e 21 mil votos, voltou a ficar muito aquém do importante papel institucional que joga no Parlamento espanhol e em certas áreas do Estado, incluído o País Basco, enquanto a candidatura do banqueiro corrupto Mario Conde ficou também por volta de 1%, longe de qualquer opçom de entrar no Parlamento (a fasquia mínima está nos 5%), apesar dos apoios financeiros e mediáticos com que contou.

Partido da Terra e Comunistas da Gz

Bom resultado para o modesto Partido da Terra, que ficou acima dos 3 mil votos com o seu discurso ecologista e soberanista, com umha campanha quase sem financiamento e que atingiu os 0,22%.

Também podem considerar-se meritórios os 1.600 votos de Comunistas da Galiza, marca galega do PCPE em aliança com Forxa!, que atingírom 0,11% apresentando-se apenas nas circunscriçons da Corunha e Ponte Vedra.

Agora é a tua vez: participa no inquérito que vos propomos 

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