1. Reafirma-se a escassa expetaçom provocada por umha campanha eleitoral que, em si mesma, nom vai servir para abrir um novo ciclo político à margem das linhas mestras da ofensiva imposta polos governos capitalistas contra o nosso povo.
Sem pretendermos igualar todas as candidaturas presentes nesta campanha, sim devemos afirmar que nengumha delas aposta na rutura com o atual sistema, o capitalismo, nem com a dependência nacional que mantém o nosso país amarrado à sorte de umha Espanha em claro declínio socioeconómico.
Da mesma forma, o parámetro de género fica ausente dos debates e comícios, como se as especialmente difíceis condiçons de vida impostas às mulheres galegas fosse um tema secundário ou mesmo irrelevante no atual contexto, quando deveria ser, ao contrário, um dos principais eixos analíticos.
2. A falta de propostas eleitorais verdadeiramente alternativas à do hegemónico PP, sustentadas numha prática coerente e num verdadeiro afám transformador, canalizará o malestar de um importante segmento social galego através da abstençom, o que virá renovar a emenda à totalidade contra o atual sistema representativo burguês que eleiçom após eleiçom a opçom abstencionista representa.
3. Nom será NÓS-Unidade Popular que apele à despolitizaçom das massas, mas tampouco cremos que a participaçom eleitoral seja umha obrigaçom nas condiçons antidemocráticas, carentes de verdadeiro pluralismo em que se dam no nosso país, e perante a ausência de umha candidatura de esquerda revolucionária. Seria umha boa notícia, se acontecesse, a queda do governo do PP, mas seria ainda melhor notícia umha verdadeira assunçom do protagonismo político e social por parte dos setores afetados pola crise de grandes dimensons que o capitalismo espanhol quer fazer pagar ao nosso povo.
4. Consideramos umha má notícia a irrupçom da social-democracia espanholista, representada por IU, no panorama eleitoral galego, graças à irresponsabilidade e ao oportunismo de forças ditas nacionalistas e até independentistas, como as representadas polo Encontro Irmandinho e a FPG (Anova). O passar dos dias dá-nos novos argumentos para o que no caso de NÓS-Unidade Popular foi umha rejeiçom de raiz a qualquer pacto, nem “técnico” nem político, com a sucursal da esquerda reformista espanhola presente na Galiza.
5. Por último, a falta de credibilidade do BNG na sua superficial viragem “esquerdista” e timidamente soberanista dos últimos tempos, junto com a sua substancial adesom ao sistema atual, evitando um questionamento radical do mesmo, alentando a conciliaçom com o PSOE, manterá-o relegado como terceira força. A responsabilidade pola falta de umha significativa corrente de opiniom social independentista, equiparável à existente na Catalunha e no País Basco, corresponde em parte ao eterno timoratismo do BNG, ratificado na atual campanha eleitoral nas suas teses “federalistas” ou “co-soberanistas”.
Tanto se o PP mantém a sua maioria absoluta como se fica abaixo dos 38 deputados necessários para formar governo, os programas de austeridade e cortes vam continuar, com governos do PSOE, IU e BNG. Poderám variar os ritmos e as formas, mas nom os conteúdos neoliberais que até agora inspirou a açom de governo de uns e outros. A chave para romper a dinámica imposta polos poderosos nesta crise está num verdadeiro confronto, nas ruas e mediante a luita de massas, que imponha os interesses da maioria sobre os do poder oligárquico, verdadeiro governo na sombra de um capitalismo em profunda crise sistémica.
Esse é o verdadeiro desafio hoje e continuará a ser depois do dia 21 de outubro.
É para essa luita que NÓS-Unidade Popular convoca os setores mais comprometidos e conscientes do povo trabalhador, para construirmos coletivamente as ferramentas políticas, sindicais e sociais que levem à derrota do capitalismo espanhol e à vitória da Galiza socialista, independente e livre de patriarcado.
Galiza, 15 de outubro de 2012
Direçom Nacional de NÓS-Unidade Popular