Sem que houvesse nengum pedido de explicaçons por parte das autoridades civis, o presidente do governo espanhol viajou a Compostela para protagonizar um ato de entrega do volume do século XII custodiado pola Igreja Católica sem qualquer medida de segurança, o que propiciou o seu roubo, supostamente por um ex-empregado da Catedral.
As autoridades civis e religiosas imperantes na Galiza atual, dependentes de Madrid e do Vaticano respetivamente, celebrárom juntas a recuperaçom do Códice Calixtino, cuja história recente constitui umha sucessom de graves irresponsabilidades. Numha das cidades mais policializadas da Europa, como é a capital da Galiza, um ex-trabalhador da Catedral é acusado de ter levado para a sua casa um dos mais valiosos documentos históricos galegos, em poder das maos privadas da Igreja Católica.
Nom faltou umha numerosa representaçom da Polícia espanhola, cujo máximo responsável em Compostela explicou o roubo do Códice em funçom do "caráter fechado, obscuro e galego" do suposto ladrom, um eletricista que tentava vingar-se polo despedimento irregular de terá sido vítima por parte da Igreja católica compostelana. Como se vê, poucos ingredientes da habitual trapalhada institucional espanhola faltárom neste caso: irresponsabilidade, impunidade, poder civil ao serviço da Igreja, racismo policial e oportunismo político em partes iguais.
Nem esse roubo, nem a evidência de que o livro está cheio de anotaçons à mao diretamente realizadas polo deám encarregado da sua custódia, o que permitiu identificar o livro como autêntico, nada disso provocou qualquer pedido de responsabilidades à Igreja, nem a retirada da custódia em funçom da contrastada falta de condiçons com que foi custodiado até agora.
Em lugar disso, Mariano Rajoi quijo aproveitar o ato para sair na televisom como herói cuja polícia resolveu o caso, anunciando um novo financiamento para que a Igreja católica assuma, com meios públicos, umha custódia para a qual se mostrou já como incompetente.
De facto, no mesmo ato institucional a que aludimos, o arcebispo compostelano, o espanhol Julián Barrio, limitou-se a atribuir a desapariçom a um abuso de confiança por parte do alegado ladrom.
Por seu turno, o presidente espanhol do governo apresentou o evento como umha boa notícia no meio de umha etapa "sem boas notícias".
Provavelmente tenhamos que esperar a novos roubos de património (o do Códice nom foi o primeiro) para que Rajoi e os seus voltem a dar-nos "boas notícias".

