O PP de Compostela tivo como umha das suas principais bandeiras durante os longos anos que exerceu de oposiçom na Cámara Municipal a reivindicaçom dumha política mais permissiva e liberal no tocante ao “desenvolvimento urbanístico” na nossa cidade.
Incomodava aos vereadores conservadores que na capital da Galiza existissem umhas diretivas de edificaçom excesivamente protecionistas e limitadoras da natural vontade emprendedora das promotoras imobiliárias, enquanto olhavam com inveja para os concelhos vizinhos de Ames, Teu e Oroso onde cresciam as urbanizaçons de casas geminadas por toda a parte.
Como resulta evidente, para quem tenha olhos, a descriçom do periodo de governo do PSOE como limitador da açom da especulaçom imobiliária resulta um tanto surprendente enquanto durante esse tempo o volume de edificaçom na cidade atingiu um nível elevadíssimo e em modo algum se pode acreditar que Compostela ficou alheia à cultura do “pelotazo”.
Como muito, podemos admitir que sob os governos precedentes se mantivérom determinadas pautas ordenancistas que limitárom que o crescimento urbano da nossa cidade atingisse os níveis de feismo, saturaçom e falta de planificaçom que se deram na década de 70 e os primeiros anos da de 80. A diferença é facilmente perceptível se compararmos o Ensanche com zonas de mais recente urbanizaçom como o polígono das Fontinhas.
Com isto nom estamos a defender o modelo urbanístico desenhado e posto em andamento sob os mandatos de Estévez e Bugalho, já que de fazê-lo estariamos a cair na contradiçom de defender o que até onte criticámos duramente.
Mas a nossa crítica contra o que caraterizamos como um modelo de desenvolvimentismo volcado para converter a cidade de Compostela num parque de diversons, saturado de grandes estruturas infra-utilizadas que se solapam nos seus usos (Paço de Congressos, Auditório, Multiusos do Sar, Multiusos de Sam Lázaro…), e em que os seus vizinhos e vizinhas as mais das vezes nom passávam de serem uns figurantes no cenário da capital do Jacobeu, nom nos impide perceber que a proposta do PP é aínda pior.
Com os governos do PSOE-BNG houvo especulaçom e crescimento desmedido mas quando menos existiu um certo ordenancismo, e mesmo às vezes umha certa capacidade de racionalizaçom, que com Conde Roa e o seu gabinete está desaparecida.
“Liberalizaçom” urbanística
Até o momento os exemplos mais evidentes desta mudança “liberalizadora” derom-se nos casos da construçom do centro comercial das Cancelas, o projeto de urbanizaçom da finca do Espinho e a liquidaçom da empresa municipal EMUVISSA.
No primeiro destes casos o governo de Conde Roa deu via livre e todas as facilidades para a re-urbanizaçom da área, passando por cima dos interesses dos vizinhos e vizinhas afectados polas obras e dando prioridade à construçom da infra-estrutura precissa para melhorar os acesos a um projeto privado enquanto adia sine die obras de interesse público como a melhora dos acesos ao casco urbano em Conxo.
A escusa dada polas autoridades municipais é a da suposta criaçom de emprego que acompanha a edificaçom e abertura, prevista para o próximo outono, deste grande centro-comercial. O problema, como sempre, é que nas contas que botam em Rajói nom se tem em conta o impacto que terá no tecido comercial da cidade e da comarca a posta em andamento de um estabelecimento destas caraterísticas. E isso que é bem fácil, apenas bastaria com que olhassem para a situaçom gerada na Corunha onde a saturaçom de centros-comerciais tem arrasado com o comércio tradicional provocando umha perda de empregos superior aos que se criam.
Mas isso é algo que nom deve preocupar no governo municipal, mais preocupado por que exista movimento edificador que porque este sirva para melhorar a vida dos habitantes da cidade.
Foto: Nós-UP


