Companheiras e companheiros.
Amigos e amigas.
Camaradas:
Há trinta e sete anos, o jovem combatente comunista José Ramom Reboiras Noia era localizado num andar do proletário bairro de Canido, por efetivos da Brigada Político Social. Cercado por mais de 300 membros da polícia fascista foi cobardemente acribilhado na manhá de 12 de agosto de 1975 diante deste portal, nº 27 da rua da Terra.
Hoje, aqui estamos, para rendir homenagem. Mas nom em sentido nostálgico ou histórico. Nom estamos aqui para chorar nem lamentar-nos. Estamos aqui para, um ano mais, manifestar a plena vigência da luita travada por Moncho Reboiras, e a máxima atualidade da estratégica de complementaçom dialética dos métodos desta nossa luita, para assim lograrmos a emancipaçom social e a libertaçom da Pátria.
Companheiras e companheiros, estamos aqui sem complexos!.
Sem ocultarmos nem maquilharmos o seu perfil de integral militante comunista e independentista galego, que morreu com as armas na mao num desigual confronto com o inimigo.
Sim companheiras e companheiros, Moncho Reboiras é um guerrilheiro galego do nosso tempo. Seguidor da melhor estirpe dos centenares de mulheres e homens deste país que ao longo da década de quarenta e cinquenta, e mesmo sessenta do século XX, mantivérom ativa, nos montes e cidades da Galiza, a resistência obreira e popular, em forma de luita armada contra o fascismo.
Moncho recolheu com o seu exemplo o melhor daquelas geraçons chamadas Gomes Gaioso, António Seoane, Henriqueta Outeiro, Foucelhas ou Piloto. Depois, seguindo a sua estela, vinhérom Abelardo Colaço, Lola Castro, José Vilar, José Manuel Sammartim Bouça...
Porque companheiras e companheiros, Moncho Reboiras foi, e sem duvida é, um dos mais importante revolucionários que deu este país no último meio século. O melhor referente de coerência no combate e luita de um povo que nom se resigna a ser derrotado polo projeto imperialista espanhol; de umha classe que nom se rende frente à brutal ofensiva da burguesia.
Embora muitas cousas tinham mudado nestes 37 anos, os motivos que levárom a Reboiras a pegar nas armas, e com generosidade entregar a vida, continuam hoje plenamente vigentes
Hoje lembramos a Moncho Reboiras porque precissamos do seu imortal feixe de luz para que nos dé força e coragem à hora de livrarmos o nosso combate do presente nestes tempos oscuros.
Um presente no que o Estado espanhol está à beira do resgate por parte da troika. Um presente no que cada vez som mais visíveis as consequências desta crise para o povo trabalhador galego nos cortes e retrocessos das nossas condiçons de vida. Porque somos nós, o povo trabalhador, os que estamos a sofrer os pacotes de medidas ultraliberais impostas polo capital: reforma laboral, aumento do IVA, descida de salários e pensons, privatizaçom da sanidade pública, cortes na educaçom e nos serviços sociais... Espanha é a nossa ruína e devemos evitar que nos arrastre ao precipício ao que inevitavelmente caminha.
Reboiras tinha-o claro: a confrontaçom contra Espanha e o Capital é o único caminho para fazer fronte a estes ataques e avançar face a vitória.
Enquanto os sindicatos espanhóis choram diante de Merkel e o Bourbom, enquanto a esquerda domesticada aspira o seu troço de torta no parlamentinho de cartom, enquanto soam cantos de sereia de falsas unidades interclassistas... nós, a esquerda independentista articulada na Unidade Popular, seguimos como sempre figemos: trabalhando sem trégua pola construçom dum amplo movimento popular com um programa revolucionário.
Um movimento revolucionário de massas que empregue todos os instrumentos ao seu alcance para fazer fronte a toda forma de exploraçom e opressom. Para que cada avanço tático sirva para acumular forças face os objetivos estratégicos: umha Galiza livre, socialista e feminista.
Porque temos claro que este problema nom se soluciona com umha alternáncia eleitoral, chame-se como se chame. Que ninguém se engane, a culpa nom é só do Partido Popular. Nom podemos dar mais cheques em branco a esta casta corrupta que incumpre as promesas e só aplica as medidas que demandam os que realmente tenhem o poder: o capital financiero e industrial. Há que mudar de sistema! Há que superar o capitalismo! Há que recuperar a soberania nacional. Galiza necessita um Estado próprio!
A esquerda independentista e socialista galega nom está disposta a renunciar à luita. A realidade já nom se pode ocultar com manipulaçons mediáticas e circo, nom temos que inventar nada. O povo está farto!! Quer luitar, mas carece de instrumentos para fazé-lo com garantias de sucesso. Temos o dever histórico de transformar a incerteza, a desesperaçom, a raiva contida, em luita organizada com orientaçom revolucionária. Temos e podemos derrotar os culpáveis: os Ortega, os Botim, os Bourbom, os Rato, e os seus cans: os Rajói, os Feijó, os Rubalcaba, os Pachi Vázquez, ...
Companheiras e companheiros, nom vou obviar o que já sabedes: o caminho vai ser longo e duro. Mas quando nom foi assim?
Para impingir demoledores golpes o inimigo que o obriguem a retroceder na sua ofensiva contra os nossos direitos e conquistas, temos que construir sólidas bases organizativas, elaborar integrais programas políticos, mantermos firmeza nos princípios, e também fé na nossa capacidade de derrotá-los.
É urgente pois, que o sindicalismo nacional e de classe, esse sindicalismo ao que tantas horas de militáncia dedicou Reboiras, convoque umha greve geral de 48 horas. Umha convocatória sem condicionantes eleitoralistas, nem obscuros cálculos das cúpulas sindicais e a esquerda domesticada.
Umha greve geral que pare o país, injete moral nas massas, atemorize a burguesia e sente as bases para o desenvolvimento de um imenso movimento popular com vocaçom de vencer.
Eis a oferta de NÓS-UP: organizar e luitar! Luitar e organizar!
Denantes mort@s que escrav@s!
Vivam os e as combatentes galeg@s!
Trasancos, 12 de agosto de 2012




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