A de Causa Galiza chegou ainda hoje, e como afinal da entrevista os entrevistados engadem umha auto-pergunta na que aludem diretamente o nosso meio, do galizalivre.org, sem entrar em polémicas, apenas queremos sinalar o nosso cansaço face os políticos que nos intentar usar como portavozes partidários.
Num primeiro momento Causa Galiza anunciou que neste ano apostaria por umha manifestaçom independentista/soberanista unitária para o 25 de julho, renunciando a convocar em exclusiva como desde 2007. Mas finalmente anunciastes umha convocatória em solitário. A que se deveu esta mudança de planos?
A convocatória que lançou Causa Galiza em 9 de junho para umha mobilizaçom conjunta dos soberanistas e independentistas deveu-se ao especial contexto que envolveu este 25-J. Desde 2007, as mobilizaçons independentistas conjuntas no Dia da Pátria fôrom a norma com a só auto-exclusom de NÓS-UP desde 2011 e corrérom a cargo de Causa Galiza num marco de polarizaçom clara entre a proposta do BNG e a proposta independentista.
Neste Dia da Pátria 2012 mudam várias questons. Primeiramente, produz-se um abandono formal de Causa Galiza pola militáncia de MpB e FPG, debilitando o activo simbólico da iniciativa que era o seu carácter "supra-fraccional" ou "unitário". Segundo, surge ANova, que se define "independentista" apesar de ser umha reediçom (edulcorada) do projecto nacionalista maioritário e incorpora as organizaçons citadas e, por último, produz-se o "giro soberanista" do BNG que, à margem da credibilidade que mereza, difuminou ante certos sectores a polaridade entre autonomismo e independentismo. Com estes novos elementos na mesa era impossível manter o formato de convocatória empregado desde 2007. A proposta do 9 de junho pretende evitar a multiplicaçom de convocatórias soberanistas, com a conseguinte desmobilizaçom, mas foi insuficiente. A sua inviabilidade foi a razom de que Causa Galiza figesse finalmente a sua própria convocatória.
Desde que Causa Galiza convocou umha manifestaçom independentista unitária no Dia da Pátria em 2007 pola primeira vez, pouco a pouco fôrom-se desvinculando coletivos e rompendo essa unidade. Primeiro Nós-UP, e agora FPG e MpB. Tal e como estám as cousas, está mais longe do que nunca a unidade política do independentismo? Qual vai ser a vossa proposta para reartelhar todo isto?
Antes de mais, aclarar umha questom: o objectivo de Causa Galiza nunca foi procurar a unidade político-organizativa das fracçons independentistas como às vezes se afirma. Nós estávamos cientes em 2007 de que conceber a construçom do projecto político independentista como o sumatório ou fusom de siglas pré-existentes, tipo A+B+C, estava abocado ao fracasso. Ao contrário, propugemos umha unidade de acçom por volta da reivindicaçom da soberania onde concorressem a título individual e em pé de igualdade militantes políticos, de agentes sociais e individualidades nom organizadas. A perspectiva era que, com tempo, praxe e madurecimento, calhasse o sujeito colectivo e as condiçons objectivas e subjectivas necessárias para perfilar umha estratégia e um modelo organizativo entre os sectores dispostos a superar a atomizaçom de forças.
É óbvio que esta aposta falhou. As causas som múltiplas e complexas. Contodo, devemos assinalar três factores fundamentais: o carácter letal dos interesses e estratégias minifundistas e, em casos, puramente personalistas, sobre os interesses do movimento, a débil implicaçom da militáncia nom adscrita e as limitaçons e incapacidades da "direcçom" de Causa Galiza para dar corpo à iniciativa e po-la a salvo desses interesses minifundistas.
Vista a inviabilidade desta perspectiva, toca repensar a praxe desde a certeza de que Causa Galiza nom é já o germe dum modelo organizativo e estratégia comuns e desde a conviçom de que o MLNG necessita umha organizaçom política de referência, plural, com vocaçom de massas e umha estratégia compartilhada. A necessidade desta ferramenta surge da nula fiaibilidade que merece o giro soberanista, assim como da consciência de que ANova é a reediçom em versom descafeinada e com políticas de alianças erráticas da estratégia autonomista tradicional. Materializou-se a possibilidade dum BNG Bis, com mais debilidade ideológica e menos músculo militante.
Os motivos polos que abandonamos o NPC estám publicamente expostos e nom se limitam ao déficit democrático do processo, nem à vontade hegemonista dos irmandinhos, nem à sua decisom de integrar o independentismo tradicionalmente existente como "convidado de pedra", procurando nel legitimaçom, mas assegurando-se que fosse um elemento "de adorno" incapaz de alterar os planos do beirismo. Além destas razons, o nosso abandono fundamentou-se sobretodo em duas questons: por umha parte, a evidência de que, apesar da retórica independentista empregada, assumindo a necessidade de superar o quadro estatutário, eliminando dos textos constituintes as declaraçons de "pacifismo", definindo-se a favor da "autodeterminaçom face a independência", falando sem concreçom de "desobediência organizada", etc., a vocaçom eleitoralista e institucionalista da nova organizaçom era e é mais do que evidente. Afinal do caminho está o pacto com o PSOE na Junta. Achamos que Beiras perdeu a oportunidade histórica de dar passo a um projecto e umha estratégia que superassem as que denunciara no artigo A estratexia da dinamita publicado em Faro de Vigo em 2003, e preferiu, agora com retórica independentista, reeditar o velho modelo. É claro que ai nom tinhamos cabimento. Respeitamos que FPG e MpB se integrassem, mas é paradoxal a facilidade com que se fijo esta integraçom, com sectores política e ideologicamente tam distantes, quando se pugérom tantas pejas à unidade de acçom entre independentistas.
Por outra parte, está a política de alianças que subjazia e subjaz a ANova e contradiz postulados nacionalistas básicos. Umha política de alianças que, significativamente, nom se aborda no processo constituinte, que se furta ao debate assemblear e da que a militáncia de ANova se inteira mais umha vez através das declaraçons de Beiras nos meios. Essa política de alianças errática e sem princípios, com PCE-IU, com sectores autonomistas e liberais como Compromiso por Galicia, com partidos de ocasiom, com empresários que perseguem o sindicalismo nacionalista ou, também, com boinas do PP em processo de cisom, delata que a condiçom independentista de ANova nom passará na praxe do nominal. Temos a opiniom de que, quando estas prediçons se materializem, os sectores independentistas de ANova ou parte deles verám-se ante o dilema de abençoarem o inaceitável ou abandonarem esse barco.
Após o vosso abandono do NPC, muita gente comentou na rede que tinhades razom nos motivos esgrimidos (o controlo por parte do EI das quotas de poder), mas criticou duas cousas: que nom denunciássedes os factos na própria assembleia senom através dum comunicado de imprensa, e que em dito comunicado vos arrogarades a representaçom de todo o independentismo ao dizer que "O independentismo abandona o Novo Projeto Comum". Que lhes responderiades?
Após meses participando no processo e explorando as suas possibilidades, optamos por nom comparecer na constituinte porque umha participaçom abertamente crítica como a que já tinhamos afinal do processo interpretaria-se como sabotagem e, aliás, sabiamos que "o peixe estava vendido", com o que tensionar a assembleia era estéril e contribuiria a deteriorar relaçons entre sensibilidades nacionalistas que em casos se terám que reencontrar na praxe mais adiante. Assim, decidimos explicar os motivos da separaçom e fazer-nos a umha beira. Dixo-se também que, de assistirmos, os resultados seriam outros, mas isto é discutível e fai parte do reino da política-fiçom: à margem de incidências menores, ANova é e será o projecto do beirismo, um BNG Bis ainda mais desideologizado e carente de músculo militante, com o que escorará o groso da sua actuaçom sobre o terreno eleitoral e institucional.
Quanto à acusaçom de "arrogarmo-nos" a representaçom do independentismo temos que dizer que a nível público e nas assembleias fumos o único sector que pujo "linhas vermelhas" para validar um projecto comum e figemos defesa explícita e inegociável delas: da posiçom independentista, da necessidade da acumulaçom de forças, de definir umha estratégia nom-institucionalista, da legitimidade de todos os métodos de luita, da solidariedade com os repressaliados à margem da sua cor, etc. Centenas de pessoas podem confirmar estes extremos e incluso La Voz de Galicia se fijo eco deles. Neste processo exercemos em plenitude como independentistas e os próprios textos de ANova reflitem esse exercício. Visto com perspectiva, contodo, reconhecemos que o titular a que te refires foi dessacertado e feriu sensibilidades, mas responde a essa atitude de exigência.
Tanto ANova como BNG estám a efetuar um giro soberanista, quando menos na linguagem. A palavra "independência", sobre a que pairava desde a morte de Reboiras polo menos um férreo tabu, agora é reivindicada por todos eles. Como interpretades vós esta mudança no campo nacionalista?
A reivindicaçom independentista tem historicamente um certo carácter de tabu, mas achamos que nom é atribuível em exclusiva nem principalmente aos sucessos de 1975, mas bebe em grande medida da forte colonizaçom mental à que foi submetido o nosso povo, do carácter pequeno-burguês de muitas vanguardas que se encontrárom cómodas em soluçons intermédias do problema nacional e da interiorizaçom de certa hispanofília nas fileiras nacionalistas ou, dalgum modo, da assunçom de 'Espanha' como marco do nosso projecto nacional.
Dito isto, valorizamos como positivo que se produzisse este cámbio discursivo, à margem de qual seja a sua traduçom prática final. É um sintoma de superaçom de complexos atávicos do que o independentismo historicamente existente pode sentir-se satisfeito. Que a independência passe de ser umha reivindicaçom minorizada e criminalizada a espalhar-se a sectores políticos e sociais mais amplos é algo que contemplamos com satisfacçom. De facto, esta "normalizaçom" coloca o debate entre correntes nacionalistas galegos num nível superior e poderia possibilitar incluso unidades de acçom concretas. Logo está a questom chave: a passagem da posiçom nominalmente independentista à praxe independentista. Naturalmente, este é um processo mais complexo e é lógico que, vistas certas trajectórias, existam desconfianças e dúvidas que nós também temos. Contodo, isto nom empana o facto de que a mudança seja positiva.
Semelha que nunca até o de agora o independentismo, chamemos-lhe "social", tivo tanta força. Porém, a nível "político" continua em cueiros, e de novo fragmentado. Compartides esta impressom?
Francamente nom e por múltiplas razons. Primeira, porque é artificioso estabelecer divissórias entre independentismo "social" e "político". Isto nom se sustenta na realidade. Dezenas de militantes "políticos" participam em projectos de perfil "social" e gentes que participam em movimentos sociais fam parte de organizaçons políticas. O papel da militáncia política na construçom e impulsionamento dos movimentos sociais deste país é inegável. Por outra, a combinaçom dialéctica de intervençom política e social é imprescindível num movimento como o nosso. A oposiçom ou a competência entre ambos só é imaginável de posiçons anarquistas que neguem a necessidade de combinar luita ideológica, luita de massas e luita institucional, ou que questionam a necessidade dum Estado próprio ou de organizarmo-nos politicamente para alcançar esse objectivo.
Por outra parte, ainda aceitando essa taxonomia, há que destacar três evidências que a contradizem: primeira, que apesar da falta dumha unidade político-organizativa estável, o contingente de activistas independentistas deste país é tam ou mais numeroso do que nas curtas épocas de desenvolvimento organizativo unitário, nem tam socializada e transversalizada estivo a reivindicaçom independentista. Se calhar, estamos "em cueiros" quanto à ausência dumha organizaçom política de massas referencial, mas temos a conviçom de que este movimento continuará a avançar e, quando sejamos quem de construi-la, dará-se um passo firme face a consolidaçom no seio do povo da alternativa ruturista que representamos. Segunda, em geral, os projectos e movimentos sociais tenhem no seu cerne militantes políticos que som a garantia da sua existência. Assim aconteceu em Nunca Mais, Galiza nom se vende, centros sociais, meios de comunicaçom, etc., e terceira, que a atribuiçom aos movimentos sociais de características como "horizontalidade", "ausência de interesses", "nom manipuláveis", etc. em oposiçom aos movimentos políticos é insustentável e ingenuamente essencialista. Sabe-o bem qualquer pessoa que participe nos movimentos sociais deste País.
Como seria possível um Dia da Pátria de 2013 unitário para o independentismo na manifestaçom e/ou nos atos da tarde? Umha comissom com gente respeitada por todas "as famílias"? Umha assembleia temporal só para a organizaçom do 25 de julho? Umha renúncia dos coletivos políticos a todo ou parte do protagonismo, e umha convocatória do 25 de julho desde centros sociais e outros coletivos, ao estilo de Galiza Nom Se Vende?
Da nossa óptica, o problema nom é a fórmula concreta sob a que se convoca o Dia da Pátria para encenar umha convergência de forças neste dia concreto. Qualquer fórmula pode ser válida se concita um reconhecimento amplo. A questom a responder é mais complexa: a convocatória unitária do 25-J pode-se "salvar" com distintos formatos, mas sobre nengum dos expostos, por exemplo, se pode construir um modelo organizativo nacional e umha estratégia independentista comum com presença social real além dos espaços físicos, comunictivos, relacionais, etc. do próprio movimento, que possibilite umha acumulaçom de forças e adquira legitimidade e centralidade no contexto político e sócio-económico actual. Se resolvemos estas questons, a fórmula organizativa sob a que convocar o 25-J cairá por si própria.
Queredes engadir algumha questom mais?
Queremos. Lamentamos o tratamento informativo que o vosso meio, que consideramos amigo, vem dando a Causa Galiza desde há tempo. O questionário proposto nesta ocasiom e a informaçom do passado Dia da Pátria evidenciam da nossa óptica umha beligeráncia por parte deste portal face este projecto que nos parece incrível e incompreensível e nom se encontra sequer nos meios mais comprometidos com o nacionalismo autonomista.


