"Eu tenho duas seleçons: Galiza e qualquer que jogar contra Espanha", resumia o sentimento coletivo a camiseta de umha torcedora enquanto as bandeiras italianas sobrevoavam o ar do restaurante presidido por um empregado cujo rosto estava enfeitado com as cores italianas. Umhas cores que, para tristeza dos siareiros italogalaicos, fôrom diluindo-se sob os golos de Silva, Alba, Fernando Torres e Mata. O empregado, com porradas de fondura sobre o balcom, via como a vitória italiana fugia sob a baliza de Buffon.
"É que som muito bons, muito bons. Pero já serám velhos e nom poderám nem jogar futebol", consolava-se um torcedor fardado como para pegar o leme de qualquer góndola veneciana. Outros, após o primeiro golo e lamentar as escassas ocasions dos jogadores de Cesare Prandelli, tentárom erguer a moral. "Italianos somos, italianos seremos; por espanhóis nunca pasaremos", berravam com um entusiamo que foi minguando com o passar dos minutos. A cada gol da seleçom do marquês de Del Bosque, as gorjas iam ficando mudas. Já ninguém dava um peso pola seleçom italiana nem polo festejo na praça de Cervantes. As alegrias pareciam reservadas para umha Praça Roxa tingida de rojigualda.
Afinal, os jogadores da seleçom espanhola figérom-se com o campeonato e os torcedores de Roja en el colacao fôrom embora com a derrota no corpo, mas já com a decisom de torcer por qualquer outra seleçom no Mundial de 2014. O resultado dá igual. A partir de manhá a Eurocopa já será história e a prima de risco continuará a subir, tanto a um lado do Mediterráneo como no outro. Afinal, sempre ganham os mesmos.

