A nova aparece publicada no jornal corunhés El Noroeste, num artigo do 14 de janeiro de 1904. Esta é, segundo Lema, a primeira referência escrita do topónimo Costa da Morte. O achado produziu-se nesta fim de semana graças ao trabalho de investigaçom que desenvolvia o citado investigador procurando informaçom sobre a vida social e cultural na Costa da Morte antes da guerra civil na hemeroteca do centro Blas Espín da Ponte do Porto que guarda fotos, revistas e jornais antigos.
Lema reparou num grupo de velhos diários corunheses que recolhiam crónicas sobre três naufrágios nesta comarca, especialmente, no diário El Noroeste de janeiro de 1904. Trataba-se dos acidentes do Kenmore, Draga Rosario D2, e a goleta Francisca Rosa, afundidos em Trava de Laxe, Santa Marinha e Lobeira na noite do 11 ao 12 de janeiro por mor do neboeiro. Nesse artigo aparecia já o topónimo Costa da Morte.
Até agora, a primeira fonte era inglesa
Até o momento a cita mais antiga documentada deste nome era a da escritora inglesa Annette Meakin, de janeiro de 1908, em inglês. A cita espanhola era dum artigo sobre o românico de Fisterra de Salvador Garcia de Pruneda de agosto do mesmo ano. Por tanto este novo achado atrasa em quatro anos exatos a primeira data até agora conhecida. Meakin aclarava que o nome era já naquela data conhecido entre os marinhos ingleses polos naufrágios dos seus barcos na costa próxima à Corunha.
Na obra do próprio Lema "Costa da Morte, um pais de sonhos e naufrágios" indica-se que o topónimo tinha pouco mais dum século. Nascera em médios ingleses após o naufrágio do cruzeiro torpedeiro inglês HMS Serpent em Ponta do Boi, Camarinhas, e ampliada junto à lenda negra dos rateiros na prensa corunhesa de primeiros de século. Ademais, do mesmo modo que todos os documentos escritos aparecidos na prensa e livros desde 1904 a 1930 com essa acepçom sempre se fai referencia ao perigo desta costa, polos sinistros marítimos. O autor desta primeira cita de 1904 non é outro que o responsável da ediçom e da línea editorial, o jornalista corunhés José Lombardero, que dirigiu este jornal de 1896 a 1918.
Outras duas referencias
Este mesmo medio recolhe o mesmo topónimo em dous artigos desse mesmo ano, em concreto, numha reportagem sobre o afundamento doutro barco, o vapor inglês Yeoman, em Camelhe o 10 de fevereiro. O terceiro articulo de 1904 é umha coluna de opiniom titulada "O Bardo", assinada o 5 de novembro, pergunta-se pola desapariçom de Eduardo Pondal naquelas datas e lembra que "á beira desta tristemente famosa Costa da Morte saiu um dia a sua voz".

