A primeira hora da manhá dos sábados, um grupo de voluntários de Carnota, com as desbroçadoras municipais ao lombo, sobem umha empinada costa, atravessam duas antigas linhas defensivas de pedra e entram numha nuvem espesa. Nas outonais condiçons da primeira parte de julho, as nuvens engancham-se na Torre dos Mouros, umha espetacular fortificaçom de dous hectares sobre a localidade carnotá de Lira, no estremo sul do arco de Carnota. Os voluntários, contodo, sabem bem que há no interior da névoa: 6000 metros quadrados de tojo, gestas, silveiras e felgos por roçar. Uns dias depois, o reto está feito e descobre-se umha grande área usada durante geraçons e geraçons de habitantes das aldeias da paróquia de Lira.
A crise e o déficit público devora os orçamentos municipais, mas isso nom empeceu à Cámara municipal de Carnota de promover um projeto de pesquisa que tenta determinar a cronologia deste lugar e que combina a açom de profissionais e voluntários. Junto a eles, várias empresas como Malde Arqueologia, DeHistoria ou Cool-Touring, ou entidades de pesquisa como o Instituto de Ciências do Património do CSIC ou o Grupo de Investigaçom em Novos Meios da USC unírom-se no projeto para desenvolver áreas tam diversas como a intervençom arqueológica, a comunicaçom ou a pesquisa documental. O projeto também conta com umha grande base de colaboradores de voluntariado que colaboram em diferentes tarefas dentro do projeto, desde a microtoponímia e a recolha de folclore, até o desenho gráfico, a limpeza do monte, o voluntariado turístico ou tarefas de apoio ao trabalho dos arqueólogos.
A Torre dos Mouros dispom dum enorme perímetro amuralhado de meio quilómetro, que arrodeia duas áreas bem diferenciadas do antigo Monte de Lira. Do ponto de vista cronológico, o lugar é um enigma: "tem como especial as características construtivas que o distanciam dos recintos fortificados mais habituais que conhecemos como castros. Ao mesmo tempo a localizaçom, claramente procurando umha grande visibilidade do mar compreendido entre o Barbança e Fisterra, que também difire com o patrom de assentamento de castros próximos e do contorno. Portanto... de que se trata? É anterior ou posterior á cultura castrexa? E por que e para quê? Tenho claro que polo tamanho nom é um experimento senom algo deliberado e bem projetado". Entre as hipóteses do grupo maneja-se desde um antigo castro até um recinto altomedieval de refúgio nos complicados tempos da pirataria marítima normanda, como parece indicar algunha tradiçom local e a morfologia das edificaçons. Ou as duas cousas!
Que está aparecendo
O projeto leva duas semanas de intervençom arqueológica da Torre dos Mouros e fica no equador da atividade. Até o momento, os trabalhos arqueológicos confirmárom a existência de estruturas murárias de grande potência no interior do recinto. Segundo Antom Malde: "a monumentalidade que expressam os elementos defensivos tem um correlato interno: tenhem-se documentado edificaçons de grande porte. Ao mesmo tempo detetamos outro sistema de edificaçom fundado possivelmente em materiais perecedeiros como madeira que se encaixam num amplo e complexo sistema de escotaduras que agem a modo de cimentaçons que, quiçá, podam dar conta do uso deste lugar. Em qualquer caso, o recinto nom estivo baleiro, senom ocupado por edificaçons construídas de distintas maneiras". Sen embargo, hai un enigma aínda non solventado. Embora a monumentalidade da estrutura localizada, um grande edificio oblongo anexo à muralha este, a equipa ainda nom localizou quase nengum resto de cultura material, como cerámica ou outro tipo de objetos. O enigma cronológico, portanto, permanece.
A comunicaçom
Um dos aspetos mais novidosos da intervençom é a parceria do Grupo de Novos Meios da USC, un equipo de professores e alunos do Departamento de CC. da Comunicación. Os jornalistas, empotrados no interior do recinto arqueolóxico, van contando en tempo real os achados que están aparecendo através das redes sociais, dialogan directamente coa audiencia e concebem através de formatos transmedia: desde fotografía, ata vídeo e infografía interactiva. "O nosso objetivo", afirma Manuel Gago, professor da Facultade de CC. da Comunicación e coordinador da área de comunicación, "é concebir a intervención arqueolóxica como unha parte máis da industria cultural. Facela rendible social e economicamente desde o primeiro momento. Cremos que tan interessante é para a audiencia os resultados finais como o processo polo qual se chegam a esses resultados".
A conexión coa industria cultural é unha das claves deste proxeto. Como unha das experiencias piloto levadas a cabo polo equipo, o coñecido debuxante Manel Cráneo elaborará un cómic que explicará as primeiras interpretacións do equipo sobre a Torre dos Mouros e parte do traballo, como a localización dun rico folclore asociado ao xacemento. O cómic distribuirase a finais de setembro tanto en Carnota como nas principais librarías de Galicia. As actividades de difusión do coñecemento contan co apoio da Consellería de Cultura.
A socializaçom do conhecimento
Xa que logo, um dos objetivos do projeto é a criaçom dum contexto social favorable ao desenvolvimento de projetos arqueológicos locais. Um dos elementos da estratégia som as Barferencias. "Queremos que a dinamizaçom que sempre conleva un xacemento arqueolóxico se materialice en espaços importantes para a comunidade, nos que se perceba como um projeto de jazigo arqueológico gera riqueza económica direta", assegura Manuel Gago. Xa que logo, o proxecto convida a arqueólogos a dar conferencias moi divulgativas nos bares do concello. Os vellos deixan as partidas de dominó e unha media de 70 persoas enchen os locais para estas conferencias, ata agora impartidas por arqueólogos como Xurxo Ayán, Rafael Rodríguez, Antonio de la Peña ou o canteiro José Cernadas, máximo coñecedor dos petróglifos de Carnota. Umha percentagem dos assistentes ás Barferencias suben despois os montes de Lira para ver in situ os traballos arqueológicos e un guía especializado realiza continuamente visitas ao jazigo.
A atençom aos nenos
Os nenos tenhem umha atençom especial dentro do projeto, como preservadores da memória dos arqueológicos umha vez que desapareçam as geraçons que mantiveron umha relaçom direta co antigo folclore destas localizaçons. Através de obradoiros da escola de verao, os nenos debuxan e recriam os petróglifos de Carnota, ou aprendem a confeccionar cerámica castreja. Os rapazes do concelho subirám este sábado 21 em excursom ao jazigo, onde se desenhou um programa de atividades de visitas e conta-contos para que conheçam a Torre dos Mouros e o seu rico universo simbólico, resumido no logótipo do projeto: o cavalinho de ouro soterrado sob a Torre dos Mouros.
De facto, umha tónica habitual dos visitantes locais quando chegam à intervençom é perguntar se apareceu o cavalinho de ouro. Ainda nom foi o caso, mas os visitantes descobrem com abraio todo o que sim soterrava o recinto sob a Torre dos Mouros. E, se calhar, fazer subir os visitantes até o jazigo arqueológico -que tem umha das vistas mais espetaculares da Costa da Morte- seja o verdadeiro tesouro guardado polos mouros durante geraçons de mitologia.
Foto: Intervençom na Torre dos Mouros. Foto: S.F.




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