Do Sindicato Labrego Galego acreditamos em que a posta em valor e a recuperaçom dos mercados locais e de proximidade é umha ferramenta de transformaçom social. O modelo agrário e alimentar dominante, imposto do paradigma neoliberal, leva décadas expulsando as labregas do processo de produçom de alimentos em favor do monopólio das agroindústrias; as consumidoras ficam relegadas a última peça dum negócio, e perdem informaçom e capacidade de decisom sobre o que comem, sobre a sua saúde.
A volta aos mercados locais é umha chave para travar e reverter este processo. Neles a venda direta, canal de comercializaçom que elimina as grandes cadeias de distribuiçom, achega dous mundos que nunca devêrom separar-se: quem produz e quem consome.
Em Compostela nom partimos de zero; temos um mercado, umha praça de abastos, um núcleo forte de resistência que ainda sobrevive à tirania alimentar dos grandes supermercados. Todas as manhás oferece-se-nos a possibilidade de recuperar o poder sobre o que comemos, mas é nas segundas-feiras, quintas e sábado, quando o concepto de mercado local e de proximidade se transforma em realidade. Nesses dias, produtoras do rural compostelano, erguem-se muito cedo, apanham as suas hortas e campos, recolhem os ovos das suas galinhas, e carretam o seu trabalho para fornecer a Praça. Com frio, com calor, com chuva, com vento… com para-sois ou guarda-chuvas, durante todo o ano, as labregas enchem as margens externas do Mercado, luitando por atopar um oco no qual expor os seus produtos. E fam-no após pagar umha taxa municipal que nom lhes dá direito a nada mais que um metro quadrado de rua empedrada.
O edifício do Mercado é relativamente grande e conta com alguns espaços baleiros. Nos últimos tempos está em processo de “melhora” e reforma, iniciativa da cooperativa que o administra e apoiada polo Concelho, que financia as obras. À partida, poderíamos valorar positivamente que o Mercado seja objeto de interesse de quem nos governa. Porém, a pouco que indaguemos, a desilusom está servida. Para além dum elevador até à Rua da Cerca e um estacionamento, assim como melhoras nas cobertas, a ideia forte desta remodelaçom é introduzir dous restaurantes e seis bares de petiscos. É dizer, aproveitar a estética e a sona da Praça para afundar no caminho da turistificaçom da zona velha.
Um projeto que aprofunda na desigualdade de acesso aos postos de dentro. Como é possível? A resposta é clara, som mulheres, som labregas e som rurais. Esta tripla discriminaçom coloca-as numha posiçom de exclussom numha cidade que vive de costas ao rural e à terra. E, nom obstante, som elas quem fam possível essa ponte pola que tem que passar o futuro, um modelo de alimentaçom que garanta dignidade a quem produz e qualidade a quem consome e umha cidadania consciente que fará viáveis também outras experiências que abrem espaços novos de encontro, como som o Mercado de Lusco e Fusco, as tardes das terças no parque de Belvis, ou o Mercado de Alimentos Labregos dos Tilos dos sábados às manhás.
A soberania alimentar, modelo agrário e alimentar alternativo que coloca a vida acima do negócio, que reivindica políticas ao serviço das pessoas e nom do capital, nutre-se destas experiências de resistência.
Foto: Nós-UP

