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041211_tvgppGaliza - Diário Liberdade - [Ramom Maceiras para o Diário Liberdade] Sobre o tratamento informativo na operaçom policial contra Resistência Galega.


A imprensa galega julgou e sentenciou os presos na operaçom policial contra Resistência Galega sem mediar maior contraste da informaçom. A única fonte foi a policial. A versom policíaca foi dada como um facto. Os jornalistas nom fôrom testemunhas das detençons, nom lhes consta a origem do presumível material incautado. As fotos que se publicárom provinham da polícia. A rigorosidade que se exige aos informadores desapareceu totalmente para se converter em simples propaganda de guerra. Neste caso, os serviços de informaçom da Polícia Nacional substituírom totalmente as redaçons dos meios de comunicaçom.

O caso mais rechamante é o de La Voz da Galicia. O diário corunhês cedeu as suas páginas aos redatores de informaçom dirigida desde a PN. No caso de LVG, é umha prática que violenta abertamente a doutrina jornalística da qual presume o diário no seu conhecido Livro de Estilo.

Podem ler no Livro de Estilo da LVG as seguintes citaçons textuais (em itálico):

3.1. Informaçom. Denominamos notícia ou informaçom a informaçom pura, ainda que cada vez sejam mais borrosas as fronteiras entre os géneros jornalísticos.

a. Uma informaçom é um texto destinado a prover o leitor de dados para que conheça a atualidade e a perceba. A sua principal caraterística é a objetividade. Nem se opina nem se interpreta a realidade. Isso vai fazê-lo o leitor com a informaçom que se lhe oferecer. Na notícia, o jornalista, como mero intermediário entre os factos e o recetor da informaçom, deve ser absolutamente fiel àqueles. Dará por certo o seguro, e por duvidoso, possível ou provável, o nom comprovado. Nem as opiniçons nem as convicçons próprias lhe permitem alterar os factos no seu relato.

O texto do Livro de Estilo de LVG fala por sim mesmo...A pregunta é óbvia: comprovou algum membro da redacçom de LVG a veracidade dos dados que se publicaram nas informaççons sobre a operaçom policial contra RG?

Sigamos com Livro de Estilo de LVG... Todas as versons. Ante conflitos e assuntos controversos, devem dar-se as versons de todas as partes, ainda que se hierarquizem e se dimensionem segundo critérios de valor informativo. A necessidade de confrontar versons é mais importante, se cabe, com informaçons que com opinions. Nom se deve imputar a alguém umha açom repudiável sem lhe pedir a sua versom dos factos, para oferecer ao leitor todos os ángulos do assunto. Em caso de que a pessoa ou a instituiçom de que se tratar rejeitem pronunciar-se, assim se fará constar. Som exceçom os acontecimentos e os assuntos judiciais em que a imputaçom procede de fontes oficiais, como un juiz ou a polícia.

No caso que nos ocupa, a versom policial foi a única a ter em conta e difundida coma um facto. Que diferença com o recente caso do diputado José Blanco. LVG imediatamente o consultou e publicou a sua versom dos factos. Chama a atençom que o próprio Livro de Estilo de LVG considere excepcionais as versons que provenhem de fontes judiciais ou policiais. No entanto, o tratamento varia dependendo de quem for imputado... Toda a doutrina jornalística salta polos ares dependendo da proeminência do sujeito argüido.

O Livro continua com o tratamento das fontes da informaçom: 1.14.a. Em geral, devem citar-se as fontes, pois ajudam o leitor a avaliar a fiabilidade das informaçons e a sua possível orientaçom. A identificaçom é imprescindível quando a fonte verte opinions, e costuma sê-lo se se derem diferentes versons dos factos. Também devem citar-se quando forem a única origem da informaçom e o jornalista nom puder responder desta por ele próprio.

Neste caso, era imprescíndível atribuir a origem da informaçom, já que nengum jornalista nem fotógrafo presenciou os factos que se descrevem.

d. Evitaranse fórmulas de atribuiçom que nom achegarem informaçom objetiva: segundo as fontes consultadas, segundo fontes solventes, segundo fontes fiáveis... Há que precisar minimamente: segundo as fontes consultadas na Presidência do Governo, segundo fontes solventes do Banco de Espanha, segundo fontes fiáveis da Guarda Civil... Nestes casos, sempre deve existir a fonte, ainda que se proteja com essas formas.

LVG atuou no caso da operaçom contra RG passando por alto seu Próprio Livro de Estilo e atuando como agente propagandístico da Policía Nacional espanhola. A qualificaçom de terrorismo nom é competência dos jornalistas. É umha acusaçom muito grave que amerita um tratamento informativo profissional e objetivo. Os jornalistas enfrentam-se cada vez mais a um grande desprestígio social...Tratamentos informativos como este nom ajudam muito a recuperar a credibilidade de umha profissom cada vez mais manipulada e dependente dos interesses económicos e políticos dos poderosos.


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