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010113 plGaliza - Primeira Linha - Tal como prognosticávamos há exatamente agora um ano, os 365 dias de 2012 fôrom nefastos para os interesses da classe obreira, dos setores populares e do projeto nacional galego.


Nós, as comunistas galegas, os comunistas galegos, nom estamos dececionados com o governo espanhol, nem com a sua sucursal na Comunidade Autónoma, porque nunca confiamos nas promessas nem nas demagógias das fraçons mais reacionárias da burguesia.

2012 foi um ano de permanentes agressons contra os tímidos direitos adquiridos, de constantes cortes nas conquistas sociais e laborais, de involuçom nas liberdades básicas, de endurecimento do patriarcado e do espanholismo.

O governo de Mariano Rajói aprofundou nas políticas neoliberais de Zapatero, aplicando duríssimas medidas socioeconómicas tendentes a fazer recair sobre o povo trabalhador as conseqüências da crise capitalista.

2012 foi um ano de distribuiçom maciça e indiscriminada de dor, tal como de forma descarnada manifestou o ministro espanhol de (in)justiça Ruiz-Gallardón.

Um ano de retrocessos e derrotas

O balanço constata que perdemos poder aquisitivo e direitos. A reforma laboral legalizou e embareteceu ainda mais o despedimento livre. Vimos reduzida a prestaçom por desemprego.

Foi incrementada a idade da reforma e nom fôrom revalorizadas as pensons de acordo com o IPC. As pessoas idosas fôrom um dos setores sociais mais golpeados polo PP.

Mais de 30.000 trabalhadoras e trabalhadores galegos passárom a engrossar o desemprego, aproximando-se a cerca de 300 mil o número de compatriotas que nom tenhem trabalho.

Perante a ausência de alternativas laborais, umha parte destacada da juventude, basicamente a mais preparada, é forçada a emigrar para garantir um mínimo futuro.

Baixárom os salários do proletariado industrial e da funçom pública, incrementando as jornadas de trabalho.

Subírom os impostos ao povo trabalhador, aumentando o IVA e o IBI. Suprimírom ajudas e subsídios sociais, paralisando a de por si tímida Lei da Dependência.

Acelerárom a privatizaçom da sanidade mediante o copagamento farmacêutico, eliminando subsídio a 417 medicamentos, suprimindo os direitos à saúde da populaçom imigrante, e reduzindo o investimento em hospitais e centros de saúde.

Idêntica receita aplicárom no ensino, piorando as condiçons de trabalho do professorado, subindo as taxas universitárias, reduzindo o orçamento para assim condenar o ensino público à deterioraçom, enquanto se subsidia o privado.

Mais de 6.000 famílias perdêrom as suas casas em 2012 por nom poderem pagar os créditos hipotecários. Cada dia produzem-se na Galiza 17 despejos pola voracidade da banca.

Superam as 40.000 o número de famílias que perdêrom boa parte dos aforros da sua vida, mediante a legalizaçom do roubo realizado polas entidades bancárias por mor das decisons adotadas pola casta política.

Aumentárom produtos básicos de primeira necessidade, o gás, a eletricidade, o transporte.

As conseqüências deste quadro som diáfanas e indiscutíveis: aumentou a exclusom social e a pobreza, as dificulades para chegar a fim de mês, e as condiçons de vida das imensas maiorias.

Incremento do centralismo espanholista

Simultaneamente a esta ofensiva burguesa contra todas e todos nós, o governo do PP aprofundou na centralizaçom política espanholista visando destruir o projeto nacional galego.

As medidas legislativas do Ministério espanhol de Educaçom som umha autêntica contrarreforma educativa de caráter reacionário e clerical. A denominada "Lei Orgánica para a Melhora da Qualidade Educativa" (LOMCE) pretende espanholizar ainda mais as novas geraçons de galegas e galegos.

O conjunto de medidas adotadas contra a nossa língua e sinais medulares da cultura nacional som umha declaraçom de guerra contra a Galiza.

A tímida descentralizaçom administrativa do "Estado das Autonomias" está permanentemente pendendo de um fino fio, sob a enganosa justificaçom de reduzir despesas e suprimir duplicidades administrativas.

Espanha é a nossa ruína

Sob a opressom nacional espanhola, a Galiza está condenada a seguir empobrecendo-se, forçada a ser economicamente inviável, perpetuando o papel de mera fornecedora de matérias primas e energia, de mao de obra barata, território onde implantar indústria de enclave hipercontaminante, ao serviço dos oligopólios e das multinacionais estrangeiras.

A mesma Espanha submetida aos diktados de Berlim, mais similar a um neoprotetorado da troika que a um Estado soberano, segue a conceber-nos e tratando-nos com umha mentalidade colonial, considerando que nos pode saquear ou vender ao melhor postor.

Que perguntem à populaçom de Corcoesto, condenada a ver como as águas do rio Alhons e a riqueza natural da Comarca de Bergantinhos, vam ser novamente envenenadas com arsénico pola canadiana Edgewater Exploration, para extrair ouro do seu subsolo, um século depois do brutal saqueio cometido pola británica Sagasta Gold Mines.

Que perguntem às vizinhas e vizinhos da ribeira do Arnoia, onde as multinacionais elétricas pretendem construir novas barragens à custa de destruir o património natural e a economia agro-pecuária que alimentam as águas procedentes da serra de Sam Mamede.

Ou como interpretar a demolidora evoluçom demográfica do País. Segundo os prognósticos, a Galiza perderá mais de 140 mil pessoas na vindoura década, um pouco mais de 5% da populaçom atual, no que nom pode deixar de ser definido como um etnocídio perfeitamente planificado.

Ofensiva patriarcal contra as mulheres

As mulheres, o setor social maioritário na Galiza de 2013, tem padecido sobre as suas costas umha sobrecarga destas medidas, pola aliança da ofensiva burguesa com o patriarcado.

A crise provocou umha agudizaçom das condiçons sociolaborais da mulheres, reforçando assim a sua marginalizaçom, exploraçom e opressom.

O terrorismo machista matou na Galiza seis mulheres em 2012.

As mulheres devem cumprir um rol dirigente e protagónica nas luitas, tingindo-as de lilás feminista e antipatriarcal.

Os ricos cada vez mais ricos

Esta ofensiva global, ilimitada e permanente, que sob a justificaçom de reduzir o défice e sanear as contas públicas, só procura disciplinar e derrotar a classe obreira, aterrorizar os setores populares, aniquilar a Naçom Galega, para mediante a aplicaçom da doutrina do shock implantar um capitalismo selvagem, recuperando as relaçons laborais decimonónicas. Avançamos face a instauraçom de umha pós-democracia burguesa caraterizada polo autoritarismo e a repressom.

O conjunto de medidas adotadas neste ámbito confirmam esta tendência. Manipulaçom e censura informativa, impunidade policial, incremento disparatado das despesas em material repressivo, endurecimento progressivo e constante do Código Penal, privatizaçom da justiça, som um conjunto de decisons interligadas que procuram amedrontar para dissuadir o nosso povo de luitar.

Mas enquanto o povo trabalhador se empobrece, sofre, é condenado à emigraçom, perde direitos e liberdades, a oligarquia é cada dia mais rica.

O poder económico e a riqueza tem-se concentrado e incrementado simultaneamente ao processo de depauperaçom generalizada.

Os mais ricos da Galiza tenhem um património "reconhecido" superior ao da maioria dos galegos e galegas.

Amáncio Ortega, Rosalia Mera, Manuel Jove, José António Castro de Sousa, José Maria e Manuel Fernández de Sousa-Faro, José Manuel Loureda, Jacinto Rey, Pablo Isla, Luís Fernández Somoza, família Freire, Manuel Añón, Isabel Castelo, por só citar algumhas das mais destacadas fortunas deste País, acumulam a propriedade da maioria das fábricas e indústrias, minas e imóveis, bancos e seguradoras, som os reis e senhores da Galiza, os que marcam e decidem as linhas mestras da ofensiva burguesa que a a casta política assalariada se encarrega de legislar. No fim de contas, os governos de Rajói e Feijó som meros gestores do grande capital.

2012 também foi un ano de luitas

As ruas e centros de trabalho e ensino do País fôrom um constante fervedoiro de reivindicaçons, manifestaçons, protestos e luitas polo emprego, contra a reforma laboral, na defesa do ensino e a sanidade pública, contra os despejos, pola recuperaçom do dinheiro das preferentes. Proletariado e conjunto da classe trabalhadora galega aderírom de forma maioritária às greves gerais de 29 de março e 14 de novembro.

Mas o incremento progressivo da conflituosidade social e laboral, a modesta radicalizaçom que se vai produzindo, ainda está por baixo das necessidades e da gravidade da situaçom.

Tenhem sido luitas maciças e clamorosas em muitos casos, mais sempre isoladas e esporádicas, sem um fio condutor nem um programa integrador.

A falta de vontade política das direçons do sindicalismo maioritário tem impossibilitado até o momento promover um movimento de massas com umha estratégia permanente e encadeada de luita para frear a ofensiva burguesa e criar poder popular.

O reformismo emprega as greves gerais, as grandes mobilizaçons de massas, como simples válvulas de escape, vazias de conteúdo, para facilitar rebaixar as enormes tensons sociais que geram as políticas ultraliberais. Nom as concebe como um mecanismos de acumulaçom de forças, como ferramentas defensivas que permitam criar consciência e abrir espaços de contrapoder obreiro e popular.

2013 vai ser um ano similar

Agora, longe de euforias e falácias, som também os próprios responsáveis pola desfeita social e nacional que padecemos que já nom podem ocultar nem maquilhar a ofensiva.

Já nom se pode evitar deixar de prognosticar que o novo ano que hoje iniciamos vai ser mui duro. Mas, diferentemente da contençom que solicitou há uns dias Rajói e da inevitablidade das medidas adotadas, é necessário alargar e radicalizar as luitas e construir simultaneamente umha alternativa socialista, feminista e patriótica ao caos a que nos está a conduzir o capitalismo.

A luita é o único caminho frente às superstiçons eleitorais

Os recentes resultados das eleiçons autonómicas constatárom um saudável incremento da desafetaçom de umha considerável parte do nosso povo com a casta política corrupta e cleptocrática que padecemos, mas também reforçárom e atualizárom as nefastas tendências a acreditar nas ilusons da via parlamentarista como melhor caminho para mudar as políticas reacionárias.

Primeira Linha nom participou no engano "unitarista" que facilitou a confluência de umha parte dos reformismos autóctones com o espanholista, na plataforma eleitoralista denominada AGE. Mais alá de atrativos fogos de artifício e de fumo de cores, o sucesso nas urnas nom vai contribuir par o rearmamento político, ideológico e organizativo do movimento obreiro e popular. Tam só vai atrasar o processo revolucionário galego distraindo as massas das suas tarefas e objetivos.

Tampouco acreditamos nos cantos de sereia do noqueado BNG. Perplexa e abatida polo retrocesso eleitoral, a sua direçom agora pretende -de forma tam oportunista como falsa-, promover virtuais operaçons de reformulaçons do espaço da esquerda soberanista. Simples declaraçons de intençons retóricas para ganhar tempo, curar feridas e reconfigurar-se.

As comunistas galegas mom queremos enganar o nosso povo e a nossa classe. A única alternativa viável para as imensas maiorias à crise capitalista passa por umha saída política. Esta nom virá determinada exclusiva, nem fundamentalmente, pola via elitoral. Mas sim de umha combinaçom complementar da luita de massas, eleitoral e de confronto com Espanha, o Patricado e o Capital.

A rebeliom popular deve ser umha atitude e umha prática para mudar o curso dos acontecimentos e virar o imposto roteiro que a burguesia tem traçado.

Construir umha alternativa revolucionária

É necessário e urgente que a Pátria e a sua classe obreira se dote de umha alternativa revolucionária com projeçom e apoio de massas.

Nom pode ser fruto de enxertos nem simplesmente de fórmulas elaboradas nos laboratórios sociais e políticos.

Há que moldá-la e construí-la nas luitas quotidianas, parciais e setoriais, nas ruas e nos centros de trabalho e ensino, em base a açom teórico-prática de milhares de honestos ativistas dos movimentos sociais, do sindicalismo, de militantes revolucionárias, das experiências acumuladas em anos de praxe de muitas derrotas e poucas vitórias.

Tem que fugir de minimalismos, de ambigüidades e complexos, procurando mestizagens e convergências, em base a um programa avançado, de caráter ruturista e revolucionário que ligue o combate contra o capitalismo e o patriarcado à intransigente defesa da independência e soberania nacional da Galiza.

2013 deve assistir a avanços nesta direçom. Primeira Linha achegará a sua experiência e trajetória a contribuir modestamente para a construçom desse espaço anticapitalista, feminista e independentista que a Pátria necessita.

Com @s que luitam

Nom queremos despedir este 2012 sem saudar a Galiza rebelde e combativa, a toda a juventude, as mulheres e homens da classe obreira que luitárom nas suas respetivas trincheiras de combate contra as agressons em curso, com destaque para os e as presas políticas galegas, com especial carinho a Telmo Varela, encarcerado em Topas (Salamanca).

A todas elas, e a familiares e amizades, enviamos umha saudaçom comunista, patriótica e feminista.

Saudaçom que fazemos extensível ao conjunto do movimento popular galego e a todas aqueles coletivos e organizaçons que luitam sem trégua.

Antes mort@s que escrav@s!

Até a vitória sempre!

Viva Galiza livre, socialista e feminista!

Viva a Revoluçom Galega!

Comité Central de Primeira Linha

Galiza, 1 de janeiro de 2013


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