Até esse momento tam só me expressava cada quatro anos, via eleitoral, e passeava-me por algumha data importante do nosso calendário reivindicativo como o Primeiro de maio ou o Dia da Pátria.
Pois bem, dous dias depois, decidim que já era o momento de implicar-se para mudar as cousas, de deixar de lamentar-se no bar, comodamente no sofá da casa ou através das redes sociais. Tinha que dar o passo, enfrentar-me à realidade, e mediante um correio eletrónico solicitei a filiaçom na organizaçom em que atualmente milito. Abandonei, pois, a posiçom "conformista", metim os pés no barro e comecei a trabalhar.
Quase quatro anos depois, ser militante da organizaçom política de massas da esquerda independentista e revolucionária galega nom é umha tarefa singêla, e em muito casos nem tam sequer agradável, mas podo assegurar que a satisfaçom pessoal é enorme. Só as pessoas que trabalhamos no dia-a-dia ,na luita diária defendendo as nossas ideias, podemos ter essa mesma sensaçom. Mantendo firmes os princípios e sem deixar-se arrastar polo oportunismo. É um trabalho lento, sem resultados imediatos, sem avanços a curto prazo. É umha carreira de fundo, umha maratona, e atualmente só estamos percorrendo os primeiros quilómetros.
Após as eleiçons do passado 21 de outubro, sem entrar em valorizaçons a fundo sobre os resultados, tenho umha sensaçom similar. Emigraçom? Oportunidades? Há futuro? Som perguntas habituais que podemos escuitar entre a juventude. E sim, claro que há futuro. Na véspera das eleiçons de 2009, houvo mostras suficientes da capacidade do povo na luita diária. A jornada do 8 de fevereiro na defesa da língua, ou as grandes greves do metal na cidade – reclamando melhores condiçons laborais – som exemplos de luita diária, onde nós, povo trabalhador galego, também podemos e devemos agir como sujeito do nosso futuro. Se nós nom luitamos de forma organizada polos nossos direitos, a casta política milionária vai impor ao seu jeito as receitas neoliberais e centralistas do Capital e Espanha.
Pouco ou nada mudou em 2009, e agora seguiremos na mesma linha de austeridade e recortes marcada por Madrid ou Bruxelas.
Realmente, 21-O passou sem pena nem glória. As pessoas com dificuldades económicas (umha de cada quatro galegas) nom notaria umha hipotética mudança de governo. A família que foi despejada da sua casa esta semana tampouco perceberia diferenças substanciais entre um governo de Feijó ou um de Pachi Vasques. Realmente governam para nós? Queremos jogar ao seu jogo? Nom houvo derrota, nem sequer perdemos umha simples batalha, porque realmente esse dia nom tínhamos nada que ganhar.
A folha de rota de este governo está clara: austeridade, privatizaçom, recortes e miséria para a classe obreira e o conjunto do povo trabalhador. Evidentemente há que mudar as cousas, e umha data favorável para isso é o 14 de novembro, dia de umha greve geral internacionalista, desde Atenas até Lisboa, contra o Capital.
Mas nom deve ficar ai, numha data isolada, numha jornada de luita pontual. Temos que avançar na defesa e conquista das nossas reinvidicaçons, e estás tenhem que ir além de freá-los, fazer-lhes frente ou pará-los. Temos que organizar-nos e provocar umha rebeliom popular, temos que derrubar este sistema. Esse é o caminho, a luita. O único caminho. É hora, agora mais do que nunca, de seguir trabalhando para poder construir e libertar a Pátria, a nossa classe e as mulheres.
Iago Moreno é Responsável Comarcal de Vigo de NÓS-UP

