Poderia ser um extraterrestre que esvara polos bares, umha landra que caiu dum carvalho da Alameda e rola polas ruas da Zona Velha empurrada polos pontapés dos bêbedos, ou mesmo um desses velhos que botam a andar sem rumo e passam três dias de odisseia polos caminhos, ganhando sona comarcal fotografados nos anúncios das marquesinhas.
Porém, som simplesmente mais um. Mais um número. Umha cabeça de gado a rumiar, estabulada num bar, o penso nocturno. Exatamente como todas as outras cabeças, movida polo mesmo e a procurar a mesma cousa.
Na granja há que estar estranho para ser normal, para passar despercebido e assim poder chamar a atençom. A normalidade, na granja, é o que te vira estranho. Aqui há que se pôr fora para poder ficar dentro. Estar no sítio, sem mais, costuma ser julgado polas outras vacas como umha anomalia a meio caminho entre a transgressom excêntrica e o pecado mortal.
Aqui os rendimentos som em sexo e aparência. O dinheiro compra o penso. Comer muito penso e nascer boa vaca som duas variáveis que, bem combinadas, permitem dar muito leite. A aparência gera sexo, o sexo gera aparência, e cresce a bola. É assim que as tristes vacas, noite a noite e ano trás ano, vamos amassando o nosso capital nocturno.


