A imagem, porém, é de Torrente Ballester, e com lapso engraçado que apõe cor e sabor e quem sabe que evocações freudianas à cousa; sai nos seus instigantes Cuadernos de La Romana (série 1ª), quando fala daquele Machado (Antonio, poeta) e da sua esposa Beatriz (Leonor Izquierdo em verdade, mas Beatrice efêmera mesmo) e de como os moços de Sória despediram o casal apedrejando com sanha até não ficar um cristal da carruagem (suponho que de 2ª quando menos nessa oportunidade).
Encadeia o ferrolão com a hipótese da mocidade soriana ter estabelecido para o ataque uma aliança senhoritos-artesãos contra-natura ou contra-poeta, ainda que provavelmente fosse contra o catedrático que já o poeta é contra natura de natural, que cometia o exagero de ter escolhido uma artesã de quinze anos e preferido esta a todas as moças de família.
Ai os poetas!! Sempre revolucionários ao seu jeito contrariando verso a verso.
E como seria bom terminar este breve com frase machadiana daquelas equidistantes nas iras, mas como isto não são as páginas mercenárias de qualquer um jornal galego vou deixar a anedota literária e dedicar o tempo e o pensamento para o Carlos Calvo e o Antom Santos submetidos a uma legislação de exceção que é norma e com os comboios das suas vidas lapidados por esses meios de comunicação em aliança contra natura com um poder que se revela mais cada vez simples caciquismo e suporte de ladrões.
E por ver, quem isto escreve, uma e outra vez, que não são raras estas alianças que explicam os versos duros, a crônica permanente da violência institucional, a denuncia perene dos negócios e amizades dos grandes anunciantes dos meios e os gestos irados dos moços gentis que tinham antes de serem poetas, historiadores, filósofos, professores e percorrerem os anos da mocidade na paisagem plena de valores civis e verdadeiramente democráticos numa pátria livre.
Foto: Antom Santos, intelectual galego preso em cárceres espanhóis polo seu compromisso político com a liberdade da Galiza.


