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240712 rebecaGaliza - Galizalivre - Com motivo do Dia da Pátria Galega do galizalivre.org quigemos falar com as duas organizaçons que convocam manifestaçom independentista desta volta, Causa Galiza e Nós-UP.


Publicamos hoje a entrevista com Rebeca Bravo, porta-voz nacional de Nós-UP, e esperamos poder publicar a de Causa Galiza quanto antes. Nelas abordamos sem autocensuras a desuniom do independentismo e possíveis soluçons, as novas correntes do nacionalismo, e a suposta viragem independentista destas assim como do BNG.

Neste ano volve haver duas manifestaçons independentistas para o Dia da Pátria, a vossa e a da Causa Galiza. Quais som as vossas expetativas para este dia?

O objetivo de NÓS-UP, já no ano passado e quando decidimos realizar a convocatória própria, e nesta ocasiom novamente, é garantir umha campanha e umha manifestaçom nitidamente independentista no nosso Dia da Pátria, que combata as tendências reformistas verificadas no chamado soberanismo galego.

Neste ano, quando lançamos a convocatória, todo indicava que nom iria haver manifestaçom pola independência, o que ainda tornava mais importante que convocássemos. Somos conscientes de que NÓS-UP é umha organizaçom ainda pequena, mas estamos a trabalhar com seriedade para crescer, por isso aspiramos a que a manifestaçom deste ano marque umha tendência positiva em relaçom à do ano passado.

Desde que Causa Galiza convocou umha manifestaçom independentista unitária no Dia da Pátria em 2007 pola primeira vez, pouco a pouco fôrom-se desvinculando coletivos e rompendo essa unidade. Primeiro decidistes vós deixar o coletivo, e agora FPG e MpB. Tal e como estám as cousas, está mais longe do que nunca a unidade política do independentismo? Qual vai ser a vossa proposta para reartelhar todo isto?

NÓS-Unidade Popular dedicou nada menos de umha década a priorizar algumha forma de unidade, quer orgánica, quer de açom, com as restantes correntes que se proclamavam independentistas e de esquerda, as quais já previamente arrastavam longos anos de divisom.

Quando um objetivo tam elementar nom é conseguido, algumha responsabilidade deve corresponder aos diferentes setores e nós nunca negamos a parte que poda corresponder-nos. Em todo o caso, foi umha etapa que a nossa organizaçom deu por esgotada, dada a evidente falta de condiçons e mesmo de vontade por parte de algumhas organizaçons participantes nas diversas tentativas.

Em relaçom a Causa Galiza, nom tivo que passar muito tempo para que se visse que a nossa análise era correta: Essa plataforma era mais um cenário de confrontaçom permanente entre correntes que um espaço de diálogo e de trabalho em comum pola autodeterminaçom. Nom passou nem um ano, depois do abandono de NÓS-UP, para que, como conseqüência do abandono do BNG por parte do grupo de Beiras, o oportunismo de uns e outros liquidasse aquela plataforma da noite para o dia, no que nós e outra muita gente avalia como um espetáculo lamentável.

Em todo o caso, Causa Galiza foi um bom exemplo da absoluta falta de disposiçom de alguns para a unidade, o que contrasta com a facilidade com que se juntam a iniciativas de cunho claramente reformista, como temos visto nestes últimos meses.

Em lugar de falar de umha unidade inviável, NÓS-UP decidiu há dous anos ensaiar umha via diferente, partindo das próprias forças e das dinámicas unitárias com outros setores sociais com os quais coincidimos em luitas concretas.

Longe da convencional retórica unitarista, para nós, fica fora da agenda qualquer nova tentativa de unidade imediata com as mesmas organizaçons que demonstrárom umha nula disposiçom para essa tarefa, ainda mais vendo a deriva ideológica que estám a experimentar.

Renunciastes desde o princípio a participar no chamando NPC, no que sim participou Causa Galiza, FPG e MpB. Como valorizades esta recomposiçom do campo nacionalista, e agora já com mais distância, a vossa decisom de nom participar?

Realmente, a distáncia é ainda pequena. Nom tem havido novidades desde o início do processo, no passado inverno, até a cristalizaçom das duas organizaçons resultantes há uns dias. Nem Compromiso por Galicia nem o NPC enganárom ninguém. Sabíamos que eram, basicamente, correntes internas do BNG enfrentadas à hegemonia da UPG, mas nom mais avançadas que ela, nem no plano nacional, nem no plano social.

Nom havia, portanto, nengum motivo para que a esquerda independentista participasse num processo de recomposiçom do autonomismo social-democrata. O facto de que a FPG e o MpB liquidassem Causa Galiza para aderirem a esse processo, ao qual também se somou imediatamente a OLN através do cascarom vazio de Causa Galiza, define bem as tendências ideológicas a que antes aludimos, e ajuda a explicar a impossibilidade de um verdadeira processo de unidade à esquerda do BNG.

Sabemos que somos umha organizaçom fraca e minoritária, mas contrariamente a outras, nom estamos em disposiçom de integrar-nos em projetos eleitoralistas que nos afastem da razom pola qual existimos: a luita pola independência, polo socialismo e pola derrota do patriarcado. Uns princípios mais vigentes que nunca num mundo capitalista em crise terminal e num Estado espanhol especialmente esgotado como projeto histórico da burguesia oligárquica espanhola.

Tanto ANova como BNG estám a efetuar um giro soberanista, quando menos na linguagem. A palavra "independência", sobre a que pairava desde a morte de Reboiras polo menos um férreo tabu, agora é reivindicada por todos eles. Como interpretades vós esta mudança no campo nacionalista?

Na verdade, NÓS-Unidade Popular nom deteta esse suposto giro na prática concreta dessas organizaçons que citades. Beiras sempre utilizou umha linguagem radical e mesmo quando era porta-voz do BNG fazia alegatos independentistas. O BNG tem falado noutras ocasions de autodeterminaçom e mesmo de soberania, mas nunca oculta que a sua aposta é "confederal", portanto, espanhola.

É verdade que os tempos atuais exigem discursos mais duros, já que a média social é mais recetiva, devido às duras condiçons impostas polo sistema, mas todo isso nom passa de umha manobra tática por parte dessas organizaçons, sem correspondência, por exemplo, na política concreta que aplicam nas instituiçons onde governam.

Semelha que nunca até o de agora o independentismo, chamemos-lhe "social", tivo tanta força. Porém, a nível "político" continua em cueiros, e de novo fragmentado. Compartides esta impressom?

Devemos relativizar também essa força social. O independentismo é umha opçom minoritária na sociedade galega, que historicamente foi submetida a um duríssimo processo de extorsom identitária, umha violenta espanholizaçom e um descabeçamento absoluto das suas elites, o que deixou o nosso país nas condiçons de dependência em todos os planos que hoje arrastamos. Devemos partir de reconhecer a realidade tal e como ela é se realmente aspiramos a transformá-la.

Dá-se o paradoxo de contarmos com umha clara identidade diferencial, sem correlato na afirmaçom política do direito a exercer essa identidade com plena normalidade. O próprio nacionalismo galego, na sua corrente maioritária, constitui umha rara exceçom nas naçons sem estado, ao evitar qualquer compromisso com a plena soberania política, afetado por um doentio anti-independentismo que tolhe o processo de construçom nacional.

O independentismo é a tendência mais fraca desse nacionalismo. A fracionalismo, o sectarismo, a marginalidade, os confrontos... existem potencialmente em qualquer movimento político, mas tenhem um maior relevo nos movimentos minoritários. Passar a umha nova fase em que todo isso perda peso frente às tendências positivas é um desafio que só poderá ser superado por movimento independentista e socialista mais forte social e politicamente.

Como seria possível um Dia da Pátria de 2013 unitário para o independentismo na manifestaçom e/ou nos atos da tarde? Umha comissom com gente respeitada por todas "as famílias"? Umha assembleia temporal só para a organizaçom do 25 de julho? Umha renúncia dos coletivos políticos a todo ou parte do protagonismo, e umha convocatória do 25 de julho desde centros sociais e outros coletivos, ao estilo de Galiza Nom Se Vende?

Umha unidade fictícia no Dia da Pátria, sem bases sólidas no trabalho do resto do ano, terá pouca utilidade para o realmente importante, que é ultrapassar esta etapa de minoridade do movimento independentista e socialista galego.

O verdadeiramente importante é avançar com passo firme na construçom do movimento revolucionário, independentista e feminista que a Galiza necessita para enfrentar os tempos difíceis que vivemos e os ainda mais dramáticos que vam vir. Sem essa ferramenta política ao serviço do povo trabalhador, ficaremos reduzidos e reduzidas a umha espécie de movimento folclórico que se manifesta em datas assinaladas, mas que carece de verdadeira introduçom e capacidade de influência na deriva do País e da maioria social explorada polo capitalismo espanhol.

NÓS-Unidade Popular vai continuar a apostar na construçom dessa ferramenta política. A partir daí, as fórmulas concretas em que se manifeste um forte movimento independentista cada 25 de julho poderá ser um aspeto a decidir de maneira flexível em cada contexto concreto.


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