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CARIMBO galiza ceiveGaliza - Diário Liberdade - Reproduzimos a seguir um texto independentista dos anos 30 do século passado, assinado por Santiago Fernandes, publicado polo site Galizalivre e adaptado à grafia galega pola equipa do Diário Liberdade. 


Defesa, justificaçom e elogio do separatista

No coro de vozes que falam hoje no nacionalismo galego, falta o meu epifonema separatista.

Muitos homens do galeguismo falam nos comícios, escrevem nos boletins e dizem: nós nom somos separatistas –como para se libertarem dessa alcunha que lhes botam por cima–, nós somos também contra o separatismo; ainda que, acrescentou algum, nós chegaríamos a justificá-lo e ajudá-lo se o Estado espanhol continuasse cego como até agora para os nossos problemas essenciais.

Eu sim: eu sou separatista; nitidamente, seguramente. Como postura ativa radicalmente conseqüente com umha definiçom ideológica: o nacionalismo. Como jeito expressivo de umha afeiçom entoada no profundo inconsciente do meu ser, que nom é meu já porque pertence ao tradicional, ao acervo coletivo: o patriotismo. Desde que os Reis Católicos começárom a obra monstruosa do nosso submetimento, desde que começou o nosso adormecimento na assimilaçom a Castela, o castramento das nossas energias raciais, a Galiza deverá encaminhar-se pola única luita independentista; como reaçom natural, biológica, como pulo salvador. (Mas a Galiza quase chegou a se suicidar afogando no assovalhamento estrangeiro).

De aqui a nossa missom clara, taxativa, contra teorizaçons, retóricas e sobretudo frente a posiçons cómodas que nos entreguem de joelhos ao inimigo: o independentismo; singelamente, fortemente. Temos que recriar no povo galego que só é massa a vontade nacional, o imperativo patriótico; começando por fortificá-lo em nós mesmos.

E logo vem o universal: uns tenhem umha concepçom católica, que percisamente terám de fazer encarnar na nossa alma nacional; outros tenhem umha dialética materialista que quererám aplicar na nossa Terra de acordo com as outras Terras do mundo. Mas primeiro temos que refazer a Pátria frente de todos os inimigos: demo-nos as nossas maos profanas para acometer essa obra de salvaçom nacional e desenvolveremos o seu Espírito na sua catolicidade cristá, o seu Corpo no seu determinismo cósmico, como Deus mandar, como o mundo deixar.


 

Santiago Fernandes

Guieiro, nº 14, p. e, em: ANT, 20/4/1935, nº 362


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