Após umha introduçom em que apresenta a sua visom teórica do facto nacional e da história do nacionalismo galego contemporáneo, Causa Galiza dá por superado o período estatutário e define a sua proposta para a constituiçom da nova organizaçom nacionalista.
No modelo organizativo, Causa Galiza propom recuperar "o modelo da extinta AN-PG", mostrando-se contrária à articulaçom frentista da constelaçom de partidos participantes nas assembleias do NPC.
Quanto ao conteúdo político, o documento aposta na "autodeterminaçom como instrumento para avançar cara à independência", incluindo também referências à defesa da maioria social, do feminismo, do internacionalismo, do idioma, da Terra e do socialismo.
Direita galeguista pugna com o galeguismo reformista para marcar os ritmos
Apesar da sua participaçom nas assembleias, o soberanismo galego nom parece estar situado no centro dos debates para a constituiçom do NPC. Entretanto, o processo iniciado com a saída de diferentes grupos situados à direita do BNG, assim como a força "altermundista" liderada por Xosé Manuel Beiras, sim tem produzido já alguns frutos no reagrupamento de algumhas forças e mesmo na dispersom doutras.
No primeiro caso, situa-se a confluência de Açom Galega com o Partido Nacionalista Galego (PNG), Partido Galeguista (PG), Terra Galega (TEGA), Coligaçom Galega (CG) e Partido Galeguista Democrata (PGD). Todos eles formam a ala mais direitista, umha parte da qual procede do BNG, enquanto outra vem doutros espaços políticos, incluídos conhecidos militantes do Partido Popular, como o empresário Rafael Cuinha, filho do falecido José Cuinha, que fora conselheiro de vários governos do PP nos anos 90.
Também os social-liberais de Mais Galiza e o recentemente criado "Espaço Ecogaleguista" parecem experimentar umha tendência ao entendimento e agrupamento, enquanto o Encontro Irmandinho mantém um perfil mais autónomo e tenta marcar o ritmo das negociaçons, graças à liderança exercida pola principal figura política de todo o processo em andamento: Xosé Manuel Beiras.
Em todo o caso, parece evidente que som as reunions das cúpulas dos diferentes grupos que marcam os passos dados e os que ainda se darám, apesar da retórica assemblear a que quase todas as forças apelam. Assim tem sido denunciado por alguns dos grupos participantes tanto nas assembleias como nas diferentes reunions bilaterais das direçons políticas que se produzem em paralelo.
O soberanismo, na periferia do processo
Do lado soberanista, a própria Causa Galiza foi a primeira sacrificada no processo em curso, com o abandono da FPG e do MpB, ficando unicamente em maos da OLN. As três organizaçons que a formavam antes da ruptura do BNG participam agora separadamente nas assembleias e em diferentes conversas bilaterais com outros grupos participantes, tentando fazer parte da força resultante, consensualmente etiquetada como NPC.
Por seu turno, NÓS-Unidade Popular continua a ser a única organizaçom que fica claramente à margem do processo de discussom para a criaçom do NPC, cujos tempos e debates parecem estar fortemente marcados pola convocatória de eleiçons autonómicas no próximo ano.

