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210111_miguel1Galiza - Diário Liberdade - É estudante de História, militante de AGIR e integrante da Assembleia de Estudantes que nestes momentos mantém ocupada a Biblioteca Geral da Universidade de Santiago de Compostela em protesto contra a precarizaçom do ensino público universitário.


A ocupaçom das instalaçons universitárias fai parte da série de protestos do estudantado ao longo do atual ano académico. O Diário Liberdade estabeleceu contato telefónico com o interior da Biblioteca Geral e entrevistou um dos estudantes revoltados contra as políticas neoliberais impostas contra o ensino público na Galiza, no quadro da aplicaçom do Plano Bolonha e em plena crise capitalista.

Diário Liberdade - Miguel, resume-nos os antecedentes da ocupaçom que iniciastes ontem e mantedes de maneira indefinida.

Miguel Cuba - A problemática que provoca esta açom parte do início deste ano letivo, em que as crescentes medidas precarizadoras de recursos e discriminadoras do estudantado de licenciaturas e diplomaturas em extinçom obrigou a umha resposta organizada.

Inicialmente, a Faculdade de História, com forte tradiçom de auto-organizaçom estudantil, constituiu umha assembleia e lançou umha greve  que tivo umha adesom de 100% e mostrou a necessidade de estender a iniciativa. Aí surgiu a Assembleia de Estudantes da USC que, inicialmente, contou com o apoio das três organizaçons de estudantes: AGIR, SE e Comités. Convoca-se umha nova greve, desta vez abrangente dos cámpus compostelanos, a 16 de dezembro, conseguindo umha resposta importante e umha manifestaçom de 500 estudantes que se dirige à reitoria para reclamar a anulaçom de medidas como a reduçom de convocatórias e da optatividade, o cumprimento dos horários de atendimento e outras.

Nesse momento, as entidades estudantis ligadas ao reformismo (SE, Comités e MEU) decidem aceitar umha suposta negociaçom com a reitoria, contra o critério maioritário das centenas de manifestantes que nom estávamos dispostos nem dispostas a assumir um engano como o que o tempo se encarregou de demonstrar.

A manifestaçom continuou e foi ocupada a vice-reitoria de estudantes durante várias horas, mas a necessidade de retomarmos a atividade dos piquetes obrigou-nos a abandonar o edifício, com o compromisso coletivo de retomarmos umha açom similar. A ocupaçom da Biblioteca Geral representa essa continuaçom mobilizadora, umha vez comprovado que as promessas da equipa reitoral ao reformismo eram só fumo.

DL - Porque a Biblioteca Geral?

MC - Porque nos últimos dias a reitoria deu mais um passo na precarizaçom de serviços, suspendendo unilateralmente o serviço de 24 horas que a Biblioteca de Medicina vinha dando em época de exames. Existe um grande descontentamento no estudantado do cámpus histórico e era importante ligarmos essa e as outras reivindicaçons, já que respondem a umha mesma política neoliberal de ataque à universidade pública.

DL - Quais som concretamente as vossas reivindicaçons?

MC - Em síntese, elas som:

1. Manutençom das 6 convocatórias para o estudantado de licenciaturas e diplomaturas em extinçom, que representam qualquer cousa como 60% do estudantado atual da USC.

2. Manutençom das matérias optativas para garantir os itinerários curriculares nos termos que a normativa estabelece.

3. Cumprimento do direito ao atendimento ao alunado dessas licenciaturas e diplomaturas, perante os incumprimentos constantes que prejudicam o desempenho académico do estudantado.

4. Da mesma forma, devem manter-se os seminários para matérias práticas extintas, respeitando o direito do alunado a essa formaçom.

5. Supressom do Mestrado Docente (antes chamado CAP) e substituiçom por um curso específico para estudantes de licenciaturas e umha adaptaçom pedagógica aos planos de estudo dos graus.

6. Reabertura da Biblioteca de Medicina em horário extraordinário durante as épocas de exames, se for preciso, sendo autogerido polo próprio alunado.

DL - O que tem respondido a "autoridade competente" depois de mais de 24 horas de fechamento?

MC - O vice-reitor visitou-nos ontem tentando embaucar-nos com boas palavras. Nós respondemos que queríamos compromissos concretos e por escrito, comprometendo-se ele a consultar e trazer-nos as suas propostas. Até agora, isso nom aconteceu.

210111_ocupa2DL - Qual é o grau de unidade do movimento estudantil nesta luita?

MC - Existe um amplo consenso contra as medidas da equipa de governo e sobre a necessidade de contestá-las, sendo a nossa iniciativa umha mostra disso. Aqui estamos fechadas alunas e alunos de História, Medicina, Filologia, Políticas, Magistério, Biologia, Económicas... somos meia centena que representa um sentir maioritário.

Inclusive as bases do SE e dos Comités mostram desacordo com a linha pactista dessas entidades, manifestando simpatia pola linha mais combativa da Assembleia de Estudantes, na qual AGIR, entidade da esquerda independentista, foi a única entidade a integrar-se e assumir as suas decisons, tomadas de maneira assemblear.

DL - Que explicaçom dades às medidas e atitudes da equipa reitoral?

MC - Primeiro, há que dizer que essa camarilha representa umha maioria da casta burocrática do professorado universitário, submisso às directrizes neoliberais de Madrid por medo a perder os seus importantes privilégios. De resto, o ataque às universidades públicas inscreve-se numha época de crise sistémica em que um governo em falência e ao serviço do grande capital precariza serviços sociais públicos de maneira sistemática, sem que o sistema educativo constitua nengumha excepçom.

No caso das universidades, inclusive o tam cacarejado I+D é dos setores mais afetados pola reduçom de investimentos públicos. Nom temos dúvida que estamos perante mais umha manifestaçom da profunda crise capitalista e o estudantado filho do povo trabalhador galego deve exercer o papel que lhe corresponde: defender direitos adquiridos depois de muitas décadas de luitas sociais para estender e favorecer o acesso do povo a um ensino público de qualidade. É isso que está em causa.


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