Após o escasso seguimento popular das mobilizaçons convocadas para esse dia polas organizaçons espanholas, em confronto com as galegas, é tempo de reflectir sobre o modo de agir destas. Se bem que o NOVAS DA GALIZApretendesse entrevistar num primeiro momento o secretario-geral da CIG para abordar estas questons, Suso Seixo nom mostrou disposiçom para concretar um encontro. Paulo Rubido, da Federaçom de Serviços da mesma central sindical, explica qual é a analise realizada nesta organizaçom sobre a greve e as possibilidades mobilizadoras que deixou no nosso país.
Na greve geral do 29-S explicitou-se a pouca repercussom social que na Galiza tenhem os sindicatos espanhóis. Quais som os motivos disto?
É evidente que a atitude de CCOO e UGT, há já muitos anos, provoca muito descrédito na classe trabalhadora, sobretodo naquela que se mobiliza. Do 29-S há que salientar que foi umha das poucas vezes que a resposta foi maior que a prevista. Ademais, a classe trabalhadora mostrou-se consciente da complicada situaçom em que está e da necessidade de que esta greve fosse um sucesso.
No trabalho anterior à greve, há outra questom que diferencia a CIG de CCOO e UGT. Estes sindicatos fam campanhas de muita imagem mediática, enquanto que a CIG desenvolveu um trabalho para realizar assembleias em todas as empresas. Quando se prepara umha mobilizaçom por baixo, a resposta sempre é muito melhor. Nas assembleias informativas os trabalhadores queixavam-se de que esta greve se fijo tarde e mal, e isso deveremos tê-lo em conta.
Para a CIG, quais fôrom as razons para nom convocar umha greve geral nacional à margem de CCOO e UGT?
Tenho perfeita constáncia que nom se debateu em nengum organismo da CIG levar a cabo umha greve geral, unilateralmente ou nom. A explicaçom deu-na o secretário geral, Suso Seixo, numha assembleia de delegados quando foi perguntado por esta questom, onde respondeu que a CIG nom tinha capacidade para convocar umha greve geral de forma independente. Eu entendo que é umha valorizaçom pessoal de Suso Seixo que é compartilhada pola maioria sindical da CIG.
Causa tensons na CIG o facto de que este debate nom se desenvolvesse?
A CIG é umha organizaçom mui grande e há muitas visons particulares dentro dela. Acho que este debate, o de se tínhamos de ter convocado ou nom, devemos tê-lo agora obrigatoriamente. Se neste momento a CIG nom tomar a iniciativa para decidir que medidas pôr em andamento para defender os direitos dos trabalhadores, eu acho que, da mesma maneira que eles nos apoiárom agora, poderám retirar-nos este apoio no futuro.
Entom a mobilizaçom continuará nos vindouros meses...
Depois da greve, a mensagem inicial da CIG foi que era preciso dar continuidade às mobilizaçons. A pregunta entom deveria ser se a CIG vai dar mais algum passo em determinados sectores ou de carácter global. Teremos que estudar que capacidade temos, onde a temos, quais som os objectivos e a partir daí eu penso que há que ter vontade para a convocatória de greves nós sós. Deixar a iniciativa a CCOO e UGT é um erro. A CIG tivo que assumir umha convocatória que chegou tarde. Se isto aconteceu umha vez, que nom se passe mais vezes.
Tem volta atrás a reforma?
Eu nom creio que as cousas sejam definitivas, no sentido de que haja umha reforma que seja irrevogável ou que haja um ponto de inflexom do qual nom se poda regressar. O que interessa som as tendências e agora estamos a sofrer umha de perda de direitos. Entom, é obrigaçom da classe trabalhadora, e sobretodo das suas organizaçons sindicais, luitar por mudar esta situaçom, conseguindo que a classe trabalhadora volte a avançar. Nom se trata de melhorar o sistema, porque a classe trabalhadora só conseguirá avançar em direitos na medida em que seja superado o sistema. E para isto nom se pode contar com CCOO e UGT.
Depois do 29-S tentarám-se criar novos laços com forças sindicais que participárom nas mobilizaçons da CIG, como a CUT e a CNT?
Sobre esse tema duvido que venha a haver umha mudança de posiçom em relaçom à actual de aqusência de contacto. A nível particular, eu entendo que umha conclusom a extrair do 29-S é com quem se pode contar e com quem nom se pode contar. Tenho claro que nom se pode contar com CCOO e UGT e que se pode com outras centrais sindicais que trabalhárom nos piquetes e que respondêrom.
Nos discursos da CIG do 29-S fijo-se referência ao BNG como única força política que apoiou a greve geral. É ajeitado para umha central sindical fazer este tipo de concessons à classe política?
Para aprofundar no tema, falemos de como se debateu isto na central sindical. Por parte da Executiva Confederal redigiu-se um argumentário para difundir nas assembleias informativas. Dentro destas ideias fazia-se especial mençom da importáncia do voto e de orientá-lo a organizaçons nacionalistas, nomeadamente o BNG. A título pessoal, nom compartilho que a CIG faga este tipo de concessons. Neste país as três forças políticas com representaçom parlamentar já tivérom a oportunidade de governar e nengumha delas deu mostras de defesa dos interesses da classe trabalhadora.
No caso concreto da Federaçom de Serviços da CIG, como considerades que se deve desenvolver o trabalho sindical?
Com a que nos vem em cima, temos que voltar a um sindicalismo muito mais combativo e que vai contar com menos mecanismos de defesa dos que temos agora. Os próprios métodos de organizaçom dos trabalhadores vam ver-se atacados. Percebe-se claramente que vai haver umha limitaçom por lei do direito à greve. Também há indícios de que se tocará a negociaçom colectiva para a conduzir ao ámbito da empresa e ao individual, nom do sectorial.
Por outra parte, num contexto regressivo coma o actual, acho que em conflitos pequenos devem-se obter triunfos sindicais e praticálos como mecanismo de combate e de luita. Com este tipo de conflitos, tés espelhos nos quais a classe trabalhadora pode comprovar que todo o que se nos di é mentira e que nom é momento de estar à defensiva, senom de seguir com um trabalho sindical ofensivo.
Tirado do Novas da Galiza nº 95
