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davide1Galiza - Diário Liberdade - Neste sábado 29 de Dezembro, Siareir@s Galeg@s organiza por quarto ano consecutivo o jogo da seleçom galega de futebol no Natal, inserido numha jornada reivindicativa que inclui jogos populares, promoçom do desporto de base, manifestaçom e concertos, além do próprio jogo da seleçom. Falamos com Davide Rodeiro, membro de Siareir@s, que apresenta para o Diário Liberdade estas jornadas, e revê conosco o passado, presente e futuro da luita pola oficialidade das nossas seleçons.


Diário Liberdade: Bom dia, Davide. Neste fim de semana terá lugar em Ponte Vedra a jornada organizada polo vosso coletivo, em prol da oficialidade das nossas seleçons, que este ano leva por título "Duas naçons, um objetivo: oficialidade!". Podes-nos apresentar o programa das jornadas?

Davide Rodeiro: Podo. No programa o prato forte será o jogo da seleçom entre a Galiza e, nesta ocasiom, o Curdistám. Mas como sempre, quigemos completar a programaçom deste dia com com umha série de atividades. Este ano começaremos ao meio dia com umha sessom vermute, amenizada com a música do Cé Orquestra Pantasma, um jantar popular e umha demonstraçom de jogos populares. Partipará a Liga Nacional de Bilharda, que colabora connosco desde o primeiro ano. Por segundo ano, contaremos com umha demonstraçom da arte marcial galego-portuguesa do jogo do pau e, também, com outros desportos galegos como a chave. Às 7 da tarde começam os atos centrais da jornada, com a manifestaçom nacional que parte da praça da Ferraria. Desde lá transitaremos polas ruas de Ponte Vedra reclamando o direito das seleçons galegas a competir oficialmente, até o campo de futebol da Junqueira, onde está prevista para as 8 da tare umha exibiçom de futebol gaélico. Após dita exibiçom contaremos com a intervençom de desportistas galegos e galegas, às que aproveitaremos para dar-lhes voz e homenagear. Às 9 da noite terá lugar o jogo entre a Galiza e o Curdistám. Após o jogo, organizamos um concerto a cargo de bandas de música galega, como Rebelión do Inframundo, Arenga, Falperrys, Keltoi, e também contamos com umha banda de Euskal Herria, como Berri Txarrak.

D.L.: Há já quatro anos que a Junta deixou de organizar os jogos das seleçons galegas de futebol polo Natal. Desde entom propugestes-vos mater esta data e dar-lhe também umha componente reivindicativa. Qual é a vossa avaliaçom destes quatro anos?

D.R.: A avaliaçom é sumamente positiva, porque tomamos a decisom de nom simplesmente protestar após a decisom do Governo de cancelar os jogos da seleçom galega, mas de assumirmos umha posiçom ativa e tomar a iniciativa. Isto permitiu-nos de um lado, ter a ocasiom de escolher as equipas com as que íamos jogar e fazer de altifalantes das reivindicaçons de países como a Palestina, o Saara ou neste caso o Curdistám. Mas, para além disto, cremos que é sumamente importante tomarmos a iniciativa, bem seja na defesa do desporto galego, como no noso caso, ou na defesa doutras causas, como a língua ou a educaçom. É muito importante que o povo em geral e as associaçons, plataformas, etc, demos um passo para a frente e passemos a fazer as cousas por nós mesmas, sem aguardar pola administraçom pública ou por partidos políticos que vam mudando e que nom nos podem garantir projetos e objetivos a longo prazo. Levamos quatro anos a organizar o jogo da seleçom, mas nom pararemos até que as instituiçons responsáveis de organizá-lo o fagam.

D.L.: Neste sentido, o ano passado um companheiro vosso descrevia-nos um panorama muito negativo do ponto de vista da acolhida das vossas iniciativas e reivindicaçons por parte das distintas administraçons públicas. Tem mudado algo desde entom?

D.R.: A verdade é que nom mudou nada; mudárom os nomes de alguns políticos, o partido que está no Governo continua a ser o mesmo e a sua atitude com as desportistas galegas continua a ser a mesma ou pior. Nom é um tema que lhes interesse e nom vam mudar o seu modo de agir. Mas isto nom é um impedimento para nós porque continuamos a ter muito trabalho que fazer e muito campo. E esse é o nosso objetivo, trabalhar dia após dia pola oficialidade e polo resto de objetivos da nossa associaçom: promover a igualdade entre os e as desportistas e potenciar o desporto de base. Sempre temos algo polo que luitar e continuaremos a levar as nossas reivindicaçons à rua.
Mas infelizente há que voltar a incidir na repressom que estamos a sofrer por parte das forças de segurança. Os nossos atos, que som completamente públicos, estám a ser boicotados pola polícia, que está a pressionar a Cámara de Ponte Vedra para que nos deneguem as licenças e proibam as nossas atividades, qualificando-nos de grupo radical. Os radicais som eles porque as nossas atvidades som totalmente públicas e o nosso objetivo completamente lícito. Nom é outro mais que defender as seleçons galegas quando eles o único que querem é reprimir a nossa atividade.

D.L.: O jogo da seleçom coloca Siareir@s no foco da atualidade informativa no Natal, mas nom é a única iniciativa que levades a cabo para reivindicar a oficialidade das seleçons galegas. Podes-nos falar do resto das vossas actividades ao longo do ano?

D.R.: Pois este ano foi importante por termos estabelecido contatos com companheiras do País Basco (ESAIT) e dos Países Cataláns (Plataforma Pró-Seleçons Nacionais) e por termos organizado um ato conjunto. Foi um ato de muita releváncia por ser no Congresso dos Deputados de Madrid, e muitos meios de comunicaçom informárom dele, o que nos permitiu publicitar os nossos objetivos, neste caso a reivindicaçom da oficialidade. Mas também é importante face ao futuro por termos estabelecido laços com outras associaçons que tenhem os mesmos objetivos que nós. Nom duvidamos de que as suas vitórias também serám as nossas, e as nossas também serám vitórias suas. Foi um ato institucional que nos permitiu avançar um pouco mais, ainda que evidentemente o caminho ainda é muito longo e resta muito por percorrer.

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D.L.: Comentavas-nos anteriormente que este ano incorporavades pola primeira vez umha demostraçom de futebol gaelico, um desporto desconhecido no nosso País, mas que está a experimentar um grande crescimento. Que vos levou a apoiar o desenvolvimento desta disciplina na Galiza?

D.R.: Pois para começar, este desporto que há um ano era quase testemunhal na Galiza e que hoje já conta com oito equipas, tem como característica que nom é profissional. Trata-se dum desporto próprio dos países celtas, muito popular na Irlanda. A Galiza é um país afortunado porque pode estabelecer vínculos com a lusofonia, mas também tem vínculos históricos com os países celtas. Queremos estreitar laços com um país como a Irlanda promovendo um desporto que, aliás, desde o seu nascimento é amador, nom profissional. Trata-se dumha atividade capaz de mobilizar mais de 80.000 pessoas na final de futebol gaélico no estádio de Croke Park, em Dublin, mas sempre mantendo esse carácter amador. Isso é mui importante para nós porque nom está sujeito ao factor dinheiro nem à mercantilizaçom dos desportistas que é habitual no desporto profissional. Vimos ajudando ao fomento do futebol gaélico na Galiza e o mais importante é que surjam equipas estáveis e autogestionadas para que, quando houver umha massa suficiente, criar umha liga galega. Esse seria o objectivo; há contatos entre as equipas, há contatos com a GAA (Gaelic Athletics Association, Associaçom Irlandesa de Desportos Gaélicos) e continuaremos a promocionar este desporto, como apoiamos a bilharda ou outras ativiades desportivas que sejam feitas por e para o povo.

D.L.: Nesta ocasiom escolhestes como rival o Curdistám, a naçom sem estado mais extensa do mundo. Quais som os motivos desta escolha?

D.R.: Como sempre, procuramos um rival que compartilhe com nós a ausência de reconhecimento das suas seleçons desportivas nacionais. Evidentemente isto é a consequência dumha situaçom politica de negaçom e repressom da naçom curda que queremos denunciar. Falamos com pessoas como Séchu Sende, que tem um vínculo forte com o Curdistám pola publicaçom dos seus livros em curdo, e com associaçons de apoio à causa curda sediadas em Vigo. Estas fornecêrom-nos os contatos que finalmente nos permitírom reunir umha seleçom de 20 futebolistas curdos e curdas que estám a jogar na primeira e sugunda divisom de países como Dinamarca, França ou Alemanha e que se deslocarám para a Galiza, junto com outra delegaçom de 20 pessoas do Curdistám. Há que dizer que os estados nos que existe populaçom curda, como o Iraque, pugérom problemas para o deslocamento de desportistas desde o primeiro momento, denegando os vistos de algum dos jogadores. Em qualquer caso, sábado teremos umha seleçom de jogadores curdos de primeiro nível que se medirám à seleçom galega.

D.L.: O ano passado contastes com desportistas como Verónica Boquete, David Branco ou Ezequiel Mosqueira. Qual é a acolhida das vossas iniciativas polo conjunto dos e das desportistas galegas?

D.R.: Em geral a acolhida sempre foi boa. Cada ano tratamos de mobilizar diferentes desportos, com futebol, triatlom, ciclismo e em todos eles houvo mui boa acolhida. Este ano voltaremos a contar com representantes do futebol feminino como Pilar Neira, e provavelmente Verónica Boquete, e queríamos contar com outro desporto muito importante no nosso país, como é o remo. As remeiras que ganhárom a bandeira da Concha de Donostia acodirám a Ponte Vedra este sábado. Mais umha vez estamos a falar de mulheres desportistas galegas que nom tenhem o reconhecimento necessário. E mais tendo em conta os incidentes que tivérom lugar na bandeira da Concha, onde nem sequer pudérom mostrar a bandeira do seu país, após ganhar a regata de trainheiras. Para nós é muito importante dar-lhes voz para que nos contem que é o que está a acontecer no seu desporto.

D.L.: Pois mais nada, Davide. Muito obrigadas por nos atenderes.

D.R.: Muito obrigado a vós.


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