O jogo enquadra-se nas atividades do XII Festival da Terra e da Língua. Falamos com Martín Fernández, jogador da seleçom galega, para achegar ao público do Diário Liberdade um pouco mais a este modalidade desportiva.
Diário Liberdade - O Futebol Gaélico é um desporto praticamente desconhecido para a maioria das galegas e galegos, como explicarias brevemente em que consiste?
Martim Fernandes - O futebol gaélico é a modalidade desportiva que conta com mais arraigo na Irlanda e, ainda sendo um deporte amador, é capaz de mover grande número de pessoas e de encher com mais de 80.000 espectadores o mítico Croke Park dublinês, para ver os jogos do All-Ireland. Digamos que fai parte da cultura Irlandesa e é um autêntico orgulho para eles e elas. Vivem este deporte, assim como o Hurling (outro dos desportos gaélicos) com autêntica devoçom.
Falando em termos desportivos, o futebol gaélico é jogado por 15 integrantes de cada equipa, num terreio de jogo rectangular, de dimensons maiores que as de um campo de futebol (exceto fora da Irlanda, onde habitualmente jogam 11 contra 11 num campo de futebol ou ráguebi). A ambos lados, há umha baliza com forma de agá (H) e, como em todo desporto de campo, ganha o equipo que máis tantos consegue transformar.
Podem meter-se tantos com a mao ou batendo de punho, assim como também com o pé, pontapé clássico e, no caso de entrar por baixo da trave numha baliza, ao estilo que acontece no futebol, somam-se 3 pontos e, se for por cima da trave e entre paus, soma-se 1 ponto. Além disso, joga-se com umha bala esférica, ligeiramente mais pesada que a de futebol, e os passes podem fazer-se com o punho num gesto similar a umha pancada de voleibol ou com o pé. A bola pode levar-se individualmente sem dar nunca mais de quatro passos sem botar ou bater a bola.
De todos os modos, nom há nada como ver ou provar o futebol gaélico para compreender que se trata de um desporto muito completo, espetacular, cheio de açons tanto físicas como técnicas e, sobretodo, que conta com a filosofia do terceiro tempo que fai com que as ligaçons entre jogadores e torcedores rivais se estreitem.
DL - Na Galiza, na atualidade, só contamos com umha equipa na Corunha, Filh@s de Breogám. Achas que se pode conseguir umha socializaçom do futebol gaélico, graças ao trabalho de base e em vários anos estejamos a falar dumha liga nacional galega? Por outras palavras, poderia haver um "boom" deste desporto como sucedeu com a Bilharda?
Martim - O "boom" de um desporto novo sempre é impredizível, de todas as formas, na equipa dos Filhos de Breogám pensamos que na Galiza se dam umha série de condicionantes culturais que podem fazer com que este desporto arraigue com a criaçom de novas equipas em diferentes lugares do País. Nesse sentido, estamos a trabalhar na difusom do desporto nom só com a nossa participaçom e organizaçom de umha das jornadas do circuito da Liga Ibérica de Futebol Gaélico, mas também com a organizaçom de jogos amigáveis frente a equipas da entidade do campeoníssimo Irlandês Nemo Rangers em setembro passado, ou contra Madrid Harps. Além disto, acabamos de assinar um acordo com a Universidade da Corunha para, em março de 2013, inaugurar a Escola Universitária de Futebol Gaélico Seánie McEvoy, que julgamos pode servir para impulsionar o conhecimento e a prática desde desporto.
Sabemos que isto non é suficiente e para que realmente o gaélico fique na Galiza tenhem que surgir novas equipas noutras cidades, por isso os Filhos de Breogám apoiaríamos esses novos nascimentos, ofrecendo-lhes os nossos já quase dous anos de experiência tanto a nível legal-burocrático como desportivo.
DL -O jogo do próximo dia 20 é um passo importante para que a Galiza seja reconhecida oficialmente pola Associaçom Atlética Gaélica (GAA). Que nos podes comentar sobre isto?
Martim - Este passo é algo que já temos andado, já que acabamos de ter o reconhecimento por parte da GAA como seleçom oficial depois de muitas discrepáncias, mas a votaçom final resultou favorável a interesses de Seleçons como a da Galiza ou a da própria Bretanha. Há que dizer que os bretons figérom bastante força para que esta oficialidade fosse reconhecida e à vista estám os resultados. Digamos que a todos os efeitos, o próximo Galiza-Bretanha é um jogo que se disputará entre duas Seleçons oficialmente reconhecidas pola GAA.
DL - Algumha cousa que acrescentar?
Martim - Pouco mais, a nom ser que esperemos que a gente que se achegue a Narom no próximo dia 20 de julho conheça e se interesse polo nosso desporto e, se calhar, se anime a provar e, claro, que desfrutem da festa que supom o primeiro jogo da Seleçom Galega de Futebol Gaélico.
Foto 1: Martim Fernandes durante um jogo na Corunha. Foto 2: Jogo da equipa feminina corunhesa 'Filhas de Breogám'
