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230312_ataque1Galiza - Diário Liberdade - [Antom Papaqueijos para o Diário Liberdade] Portavozes do auto-denominado como 'rock de série b', os Ataque Escampe som umha das bandas mais prolíficas da música galega dos últimos anos. Com 5 discos publicados desde o ano 2007 e um feixe de concertos nas costas, Álex, Xoán, Miguel, Samuel e Roi som os encarregados atuais de dar forma musical a um projeto de normalizaçom necessária para a língua e a cultura galegas.


Na entrevista de hoje falamos com Miguel Mosqueira, comandante deste navio desde as cordas da guitarra. Começamos!

Ataque Escampe... 'es una Mierda?'

É umha pergunta complexa. Como quase todo na vida Ataque Escampe tem defeitos e virtudes. Ainda que sejas unha merda, é interessante persistir se pensas que há algumha possibilidade de reverter a situaçom, otimizando as virtudes e paliando os defeitos.

Quem tivo a ideia de enxergar esta movida de Ataque Escampe?

Alex, Miguel, Roi e Samuel figérom-se amigos no ano 2001 e ao terem bastante tempo livre decidírom que estaria bem formar um grupo e fazer músicas, dar concertos, gravar discos e "roquear" em geral um pouco. Miguel e Samuel sabiam tocar vagamente algum instrumento, Alex e Roi nom, nem tinham vontade de aprender, por tanto repartírom os postos de cantante e percussionista. Com pequenos câmbios humanos e materiais, chegamos até hoje.

Explica-nos porque é necessário para a sociedade o vosso grupo?

Tanto como necessário igual nom é, mas mal á sociedade tampouco lhe fazemos. Numha sociedade dominada pola ditadura do pensamento único e pola homogeneizaçom das personalidades é saudável que haja grupos e pessoas dissidentes que questionem com a sua conduta o funcionamento do sistema.

E entre outras cousas, na Galiza continua sendo heterodoxo e subversivo ter um grupo de rock e cantar em galego. Por outra, quando recebes o feedback da gente (desconhecida) polas cousas que fazes sente-se minimamente necessário e reconhecido.

230312_ataque2Que é isso do 'Rock de Série B'? Na Galiza há possibilidades de fazer outra cousa?

Rock de série B é una justificaçom por ter involuntários, elementários e quase que incompreensíveis erros na execuçom musical. Nós vemos outros grupos galegos por aí e a nom ser que tenham menos de quinze anos, nom tenhem esses erros. Outro tema à parte som as dificuldades estruturais e económicas que há na hora de criar umha cena galega solvente. mas a culpa é da precariedade de meios, nom da qualidade dos grupos.

Ora bem, com mais meios os grupos seriam ainda melhores provavelmente. Volvendo ao de série B, é certo que ainda que seguimos sem gostar de ensaiar, agora detetamos melhor os erros e tentamos que se notem menos.

Qual é a percentagem de sangue bravú que corre polas vossas veias?

Um 25%. Naquela época éramos mais de Yellow Pixoliñas e Heredeiros da Crus. Em qualquer caso, mais aló do musical, o trabalho concetual e divulgador que levou consigo o bravú serviu para legitimar o rock em galego quanto a discurso culturalmente sério. Nós de aí colhemos bastante.

Dizia unha vez Tonhito de Poi que a diferença entre Heredeiros e Diplomáticos estava em que os primeiros saíam em 'Ver para creer' e os segundos na 'Mandrágora'. O rock deveria converter-se na Galiza num género adulto e perdurável, nom numha moda juvenil. E penso que aos poucos estamos avançando nesse caminho.

Fala-nos algo (ou todo o que saibas) do nosso amigo o 'Sintasol'

Pouco sei. É um parqué dos anos 70 acho, a década psicadélica. O sintasol simboliza o cutre e o desfasado, mas mantendo certo encanto vintage. Além disso a palavra soa muito poética, sin-ta-sol. Seguro que Manuel António havia usa-la de ter existido na sua época.

Ataque Escampe devem decrescer?

Devem, para sermos mais felizes. Decrescer significa fazê-lo tu mesmo e relacionar-te com o mundo em igualdade de condiçons, quer dizer: a Auto-gestom. Se recebes ajudas privadas ou públicas bem mas desde o momento no que dependes dumha empresa ou do subsídio dum governo estás a te subordinar e, por cima de todo, num país tam volátil como é a Galiza corres perigo de desaparecer quando as cousas vam mal.

Para formar um projeto que aspira a ser duradoiro é preferível nom se reger polo 'pam para hoje e fome para amanhá', mas por comer o justo e necessário todos os dias, sem grandes enchentes, que ademais nom som boas para o sistema cardiovascular..

Quem compom os temas? Sodes umha série de koljós produtivo a nível lírico? Umha comuna rocanroleira?

Todos compomos, fazemos divisom do trabalho para sermos mais eficientes. Ora bem, nom todo o mundo trabalha o mesmo, por tanto quem menos trabalha tem depois menos poder de decisom, ainda que cobrar cobramos o mesmo. Nom sei como fariam no koljós mas a nós parece-nos que é um sistema justo.

Ataque Escampe, quem sodes? Compostela, Lalim, Betanços... de onde caralho vindes? Cara onde ides?

Também somos de Tui. Fisicamente nom penso que vaiamos muito longe, mas mentalmente sim. E nom estou falando de alucinógenos, mas de inquietude mental.

Esto é unha pergunta obrigada. Evitemos prolegómenos e contade quais som as vossas influências musicais

Vam cambiando com o tempo, vam aparecendo cousas novas. Em geral nom temos grupos de referência nem nada. Vai por épocas. Grupos que se mantiveram aí ao longo dos anos: Neil Young, Frank Zappa, PJ Harvey, Stereo Total, Serge Gainsbourg, Sr. Chinarro, Psicofónica de Conxo, Dominique A, Curtis Mayfield, Grupo de expertos sol y nieve, De la soul, Coltrane ...

O vosso blogue http://ataqueescampe.blogspot.com/ é realmente bom e muito completo, quem o fai?

Obrigado! É obra do senhor Charlón, que ademais de cantante tem o cargo, dentro do nosso governo ou desgoverno próprio, de ministro de Novas Tecnologias. Relacionado com o da auto-gestom que dizíamos antes, esta é unha boa ferramenta de promoçom, difusom e contacto com os ouvintes.

230312_ataque3Algum de vós nom só escreve músicas, também escreve livros... ou é ao invés?

É. Samuel Solleiro e Roi Vidal. Mas nom tem que ver muito umha cousa com a outra. É como nadar e correr: usas as pernas e os braços mas os meios som distintos. A musicalidade e concreçom métrica que é precisa na cançom condiciona muito a escrita. Além disso, ainda que cada um tenha o seu estilo próprio, quando se escreve para Ataque Escampe compre situar-se dentro das coordenadas ataqueescampianas que se fôrom estabelecendo com o passo do tempo e das cançons.

Que sentistes a primeira vez que tocastes com umha bateria de verdade?

Que ia ser um aborrecimento desmonta-la e que íamos tardar mais em recolher e começar a beber a sério. Começamos com a de verdade porque se nos fodeu a eletrónica e porque, também é certo, a ninguém lhe prestava o invento da bateria eletrónica. Nom a levavam a sério.

Temos um pequeno romance com um/umha turista que chegou desde Mongólia e que quer ir de festa pola Galiza e conhecer novas músicas... por tanto iríades aos concertos de:

Gente que cante no idioma galego e que tenha um discurso próprio, que para que cantem em espanhol podíamos quedar nas Filipinas ou em Burgos. Nom sei, dependeria do ânimo do momento: Fluzo, Os cempés, Labregos do tempo dos Sputniks, Emílio José, Os três trebóns, Dios ke te crew, Marful... e vários mais.

Os anos 10 efetivamente som violentos (porquê?) mas menos ou mais que os anos 20 que venhem? Vaticine...

Porque está a se intensificar a violência sistémica que levamos séculos padecendo na que umha minoria submete económica e socialmente à maioria do planeta. Por isso quando se produz outro tipo de violência mais explícita há que diferenciar de onde procede, se do opressor ou do oprimido. Dessa contradiçom dialética esperemos que saia triunfante o oprimido, é dizer, a maioria da humanidade. Por isso os anos 20 serám felicíssimos. O pessimismo é um pensamento contra-revolucionário.

Tedes algum tipo de compromisso/referência ideológica?

Esquerda anticapitalista e antiespanholista. Depois haverá matizes, penso recordar, em cada um dos membros. Mas mais que compromisso com palavras ou siglas, o que temos é compromisso com causas.

Continuades a comprar música? A gastar dinheiro nos discos?

Algum vinil de quando em vez, algum cd nalgum concerto, ou nalgumha gasolineira que os vendem a 1 ou 2 euros. Os cds ainda som úteis para regalar ou para escuitar no carro. Os originais vam melhor que os gravados polo menos na minha rádio.

Tedes os temas na SGAE? Como vedes a dia de hoje as alternativas de gestom de direitos das cançons para os músicos galegos?

Nom, nom cremos no sistema da Sgae. Pensamos que a propriedade intelectual é um roubo. Preferimos Creative commons que também protege e gestiona os direitos mas que permite a difusom livre que é o que a nós nos interessa. Em todo caso, @s autores que estejam na Sgae saberám porquê o fam e se lhes compensa ou nom.

O vosso concerto definitivo seria...

No estádio olímpico de Beijing, com Faye Wong e com os Leningrad Cowboys, gravaria-o todo Aki Kaurismaki para um filme titulado: We are the world.

230312_ataque4Celta ou Dépor?

Os dous, mas algo mais o Celta.

Ana Kiro ou Juan Pardo?

Nengúm, irremediavelmente.

Bob Dylan ou Suso Vaamonde?

Bob Dylan, mas tivo mais sorte que o outro de nascer onde nasceu para se dedicar à música.

O rock galego é umha...

hóstia enriba da mesa

A esquerda galega é umha...

maioria sociológica.

A direita galega é umha...

úlcera de estômago.

Para terminar e sem que serva de precedente, identifica em Ataque Escampe...

O intelectual é...

Carlín

O guapo...

Mosqueira

O feio...

Charlón

O mau...

Vidal

O rosmom...

Solleiro


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