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ZasGaliza - Diário Liberdade - [Antom Papaqueijos para o Diário Liberdade] Fundador de bandas que atingírom um grande sucesso no panorama galego, como Lamatumbá ou Sonoro Maxim.


Acordeonista, guitarrista, letrista, cantor, mestre e mais cousas que por certo esqueço, mas, sobretodo, e perante todo, ourensano de gema, Ico é junto ao seu grupo musical, um máximo expoente dentro do submundo festivaleiro galego.

Se conseguirmos concretizar num ente orgánico com sistema simpático e parassimpático o tropicalismo e o enxebrismo galaico dentro de um sistema de ordenadas e abscissas governados polo bom gosto, temos situado no seu quadrante respetivo o Sonoro Maxim, umha equipa altamente qualificada para trabalhar duro no planeta canfurnada. Mesmo antes de apanhar o aviom que o vai levar de viagem à China, tivo tempo para atender o Diário Liberdade.

Que tal vos saiu o disco?

Após gravar as bases no caserio (casa rural do País Basco), no mês de maio, e o resto de instrumentos em Ourense mesmo antes do verao, acabamos a gravaçom, mescla e masterizaçom no mês de julho lá em Andoain (País Basco).

Foi umha produçom bastante longa para nós, entre ensaios e estúdios. Agora, já finalizado, ficamos contentes com o resultado. É muito diferente do que fazemos ao vivo. Queríamo-lo assim, distinguir, sem dúvida, o concerto da gravaçom em estúdio. No estúdio podes dedicar mais tempo aos arranjos, a umha maior instrumentalizaçom, dar com a frase melódica certa...

Que tal no estúdio com o Káki Arkarazo? Como é o seu jeito de trabalhar?

Káki é um amigo que compreende muito bem a informaçom que lhe sugeres e é capaz de refleti-la nas gravaçons. Sabe por onde nos mexemos e conhece onde somos fortes como banda, mas também conhece os pontos fracos. Também pom o seu graozinho de areia para participar de um projeto que, por amizade, lhe chama a atençom. Trabalhar com ele é singelo, ajuda muito a ter no estúdio um ambiente de trabalho efetivo e criativo. As sessons som duras mas efetivas, polo menos para nós.

Quando vai ser apresentado o novo disco? Após tanto tempo sem tocardes ao vivo estades com saudades de concertos?

Estamos pensando as maneiras de, primeiro, apresentar umha série de cançons enfeitadas com novos conteúdos através do nosso site (http://www.osonoromaxin.com/).

Achamos importante dar umha vida mais longa ao disco, na procura de que antes de o disco nascer, as cançons já tenham um caminho trilhado. Vamos tratar o site como alicerce do projeto, abrigando nele, cada pouco tempo, novos conteúdos. Também é umha necessidade de procurar novas vias para mostrar o teu trabalho, quebrando o percurso clássico de disco + promoçom + concertos. Pensamos pôr em andamento estas ideias antes da viragem de ano, e apresentar o disco e começar com os concertos a partir da primavera.

Todo bem por Ourense? Há ambiente musical? É melhor ou pior que há 15 anos?

Ourense é um fervedoiro artístico. No campo musical também. Há dúzias de grupos, associaçons, projetos, locais de ensaio... que funcionam sem nengum qualquer apoio, nem público nem privado. Há variedade de estilos predominando como sempre, o rock. Em Ourense aparecêrom a partir dos anos 60 umha série de grupos de rock (Los Ben Posta, Los Posters, Los Murciélagos, Nueva Democracia). Desde aquela nom deixamos de produzir bandas. Quando eu comecei, o panorama era similar, grupos que saíam ao mexeres umha pedra. Muitos som grandes virtuosos. Nom nos conhecíamos e, polo gosto de tocar, tecemos laços.

O_Sonoro_Maxin1Quando se forma O Sonoro Maxim (OSM) e por quê?

OSM forma-se há 6 anos com um grupo de conhecidos chamados polo poder sugestivo da cúmbia, de um baile que é anárquico já que cada pessoa decide como, onde, porque, com quem, para que bailá-lo, cada qual inventa os seus passos de baile, porque a nossa cúmbia também a inventamos nós. Daí que nem seja cúmbia nem seja nada. Segurados por esta dança que se inventa a cada momento, crescemos e decidimos dançar com mais gente. Desde aquele dia OSM reside na Casa da Tralha, um local ingovernável de roqueiros que amam música, mas odeiam, embora dancem, cúmbia.

Semelha que sodes uns grandes fazedores de cúmbias... donde vem esse gosto exótico? Podes-nos falar un chisco desse estilo musical e da sua história?

Nom achamos que sejamos grandes fazedores de cúmbia. Apanhamos o popular e que dava para dançar da cúmbia e levámo-lo ao nosso campo, contar histórias. Depois nós contaminamos a cúmbia e a cúmbia transformou-nos como banda. Pensamos que esse ritmo chegado da América através de orquestras como Os Tamara ou grupos como Sabor Hit, é a nossa forma de facilitar o baile a pessoas que nom o tenham fácil na pista. Na nossa cúmbia, dançares o que dançares, com esse ritmo tam marcado, qualquer movimento do corpo dá certo, e se nom és virtuoso com os passos de baile, sempre podes inventar a tua dança para desfrutar. As histórias complementam o baile e a música, assim, para além de mover os pés, mexes também a cabecinha.

Quem fai parte da banda?

OSM é Jaime na bateria, a quem compartilhamos com um amplo número de grupos de Ourense; Jurjo no baixo, um ebanista com o cerne mais duro que o carvalho; Marcos que toca as percussons e que fala com as maos a língua dos tambores; Cris, a mulher sem medo, no acordeom; Sámu que leva o vento por onde passa com o seu negócio do demo; Abraham, um mestre que domina as três primeiras cordas de qualquer guitarra e Miguel, o nosso técnico de som que tem um ouvido privilegiado, um gosto maravilhoso e umha paciência infinita.

Quais os teus grupos galegos preferidos?

Gosto muito de ouvir Ataque escampe, o Leo, Emílio José. Guádi e Guilherme sempre adorei. Há uns anos descobrim Magim Branco. Que sei eu, Marful, Narf, Ith. Nom tenho um critério claro e respondo à arroutada. A emoçom é o que prima na escolha.

E de fora?

De fora também nom tenho a cousa clara, mas por dar umhas dicas: La Troba Kung Fu, adoro Héctor Lavoe e Rubén Blades, Deolinda som muito emocionantes e gostei muito do último disco de Kiko Veneno. Juan Perro e Marc Ribot também penso que som legais.

O teu concerto preferido acima do palco? E em baixo?

Som muitos concertos que poderiam ser lembrados, mas em todos gravas muitas faces, tanto as nossas como as do público. As caras de gozo ficam na memória. Como público podo trazer à tona também muitos concertos. No entanto, o primeiro pode ser importante, nom é? Rádio Futura, no ano 1989 em Ourense. Tenho ainda lembranças daquele dia.

Como avalias a política cultural da Junta, o funcionamento do Agadic e as políticas educativas no ámbito musical?

Política cultural da Junta???? Isto deve ser como os óvnis, nom há provas de que exista realmente. Falta investimento, venha de onde vinher, apoios institucionais que encham os buracos que existem: locais, estúdios, cursos...

O Agadic vê suficiente a ideia do circuito da Rede ao vivo mas esquece outras muitas cousas.

Quanto à educaçom, a música sempre estivo, do ponto de vista institucional, por trás das outras matérias curriculares. Nom há nem haverá preocupaçom pola matéria, nem pola educaçom em si.

Por nom se preocupar, nem se preocupam de que o alunado sinta o galego como próprio. Vam-se preocupar do tema da música? Ainda assim, os mestres continuaremos a luitar, gostamos das causas perdidas.

Conta-nos um pouquinho a tua trajetória em Lamatumbá

Lamatumbá nasceu no ano 1998. Daquela éramos cinco e passávamos o tempo tentando arrumar umhas ideias musicais totalmente descontroladas. O grupo cresceu com o boca a boca da gente como um incêndio. Após dous anos, o pessoal conhecia muitas das nossas cançons, apenas graças a umha fita-demo caseira que circulou de mao em mao. Figemos muitos concertos, vivemos muita aventura, foi umha etapa emocionante. Gravamos o Lume, contando, como esta vez, com Kaki na produçom. Desse projeto guardo grandes lembranças e grandes amizades que nascerom através do disco. Mas chegárom também tempos tristes de tantar mudar o espírito da banda. A profissionalizaçom, o dinheiro, os egos, figérom muito mal. Deixei Lamatumbá porque era um grupo com o que, nesse momento, nom estava de acordo em como se agia. Deixou de ser o projeto que eu vira nascer. Já nom me interessava. Com o tempo acho que talvez as cousas se teriam feito doutra maneira, mas agora já está feito.

RebumbioO teu grande hit Licor do Negro Café... donde surgiu? Está registada na SGAE? Cobras algum peso por ela?

O Licor café nasceu da leitura de um grande da literatura mundial, Eduardo Galeano.

Acho que foi nos seus livros de A memória do fogo onde lim os versos colombianos:

"Licor de las verdes matas

que me tumbas, que me matas,

licor de las verdes matas

me haces andar a cuatro patas"

Deses versos saiu algumha das estrofes da cançom. Nom houvo mais que trazê-lo até os nossos gostos. Entre amigos, e à noite, começou a se cantar, como se fosse umha peça mais do nosso próprio repertorio. Os arranjos vinhérom depois quando a gravamos para a fita-demo. A cançom nom fijo mais que crescer pola sua conta. Mas era alucinante escuitar cantar a cançom ao público nos primeiros concertos. Onde a ouvírom? Como a conhecem? Cada um apropriou-se dela. E a cançom escolheu o lugar onde queria estar, na boca da gente, como o licor-café.

Nunca cobrei um peso da SGAE, nem doutra entidade parecida. Nem por esta cançom nem por outra. Suponho que porque a idade e a ignoráncia governavam daquela muitos dos meus atos, as cançons dérom-se de alta na SGAE. Porém, nunca fum sócio de nengumha entidade de gestom de direitos.

É possível ser de Ourense e ser abstémio?

Cuido que sim. Dependendo do mês em que mo dixeres. No outono e no inverno é mais complicado, mas tenho certeza de que é factível.

Chegam os marcianos a Ourense e querem ir a um concerto e de caralhada convosco. Onde os levas?

Suponho que se querem dar comigo, ou sabem onde moro, ou se dirigiriam ao Grándola, umha maravilha na Praça de Sam Marcial, no epicentro da Cidade Velha. Movemo-nos, estám com fame? Embrenhamos cara ao Orelhas. Som louco pola sua picada. Continuamos cara ao Sam Xês, os melhores petiscos de presunto assado. E fechamos no Catador com umha enguias ou ameijoas, ou luras, ou cabrito.

Algumha cousa mais forte? No Relámpago experimentamos o licor-café. No Paris, um calimocho (purrela com cola) com a mocidade. Subimos para o Vaca-loura, para o Auriense... As luzes do óvni cada vez som mais nítidas.

É possível umha indústria musical galega?

Como todo, falham os investimentos neste campo. O valor potencial demonstra-se cada dia com centos de bandas que trabalham com qualidade, cumha bagagem musical enorme, com as cousas claras. Temos que ter claro que a música é parte da cultura do país. Mas neste momento, a cultura é o que menos importa aos governantes e políticos, nom dam dinheiro e a cultura nunca pode virar mercadoria.

As três cousas que mais che prestam de Ourense som:

O Magusto, O Entruido e a Cidade Velha. Três som poucas cousas para escolher!

As três cousas que mais odeias de Ourense som:

Caciques, a pedra das praças, os políticos. Também som poucas cousas para esta pergunta.

AurienseO senhor me dê umha opiniom de:

O Cuco de Velhe: O Sr. Cláudio Anhel, o Cuco de Velhe, é um referente na vida ourensana, conseguiu popularizar cançons antes de que se gravasse um disco e que agora esses temas formem parte do repertório musical ourensano. Também se tornou, com o tempo, numha teima pessoal.

Curros Henriques: Um de Cela Nova que escreveu poesia magnífica, pai do Ressurdimento e da Academia Galega. Comprovou até onde podia chegar a Igreja. Sempre está bem acudir aos clássicos.

Baltar: José Luís Baltar? José Manuel Baltar? Artur Baltar? Dos dous primeiros nom tenho cousas boas que dizer polo que melhor fico calado. De Artur Baltar dizer que é um escultor que fai magia com o barro, magia pura.

Valhenato: Género musical popular colombiano, bem apto para a dança. Alejandro Durán o Rei do valhenato. Sempre está bem acudir aos clássicos.

A Auriense: Associaçom nascida nos anos 60 que revitalizou a vida cultural através da sua implicaçom com a língua.

Ourense: Umha vila de que gosto, vinculada sempre à familia e às amizades, por isso nom podo dizer outra cousa dela.

O Luar (programa da TV da Galiza): A festa do playback.

O negócio musical galego: Nom acho que a música seja um negócio salvo para umha pouca gente, para te dedicares a isto deves esquecer o dinheiro. Na Galiza devem-se poder contar com os dedos de umha mao os que vivam da música.


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