O Festival Minhoreggae é umha iniciativa popular de colaboraçom entre as duas margens do rio Minho, que neste ano cumpre a sua segunda ediçom e de corre em Vila Nova de Cerveira nos dias 8 e 9 de Julho, constituindo umha referência para o mundo do reggae na Galiza e Portugal, além de um exemplo de integraçom prática entre os povos galego e português.
Achamos que valia a pena aproximarmo-nos desta realidade e darmo-la a conhecer ao público leitor do Diário Liberdade. Por isso mantivemos esta conversa com Xoán Lois Vila, um dos impulsionadores da iniciativa.
Diário Liberdade. Como nasceu o Minhoreggae?
Xoán Lois. Bom, pois nasceu do encontro entre Zamaramandi e Meninos Carentes, duas bandas de reggae do sul da Galiza das quais fazíamos parte eu polos Meninos Carentes e Javi, outro dos pilares do Minhoreggae, por Zamaramandi. E dessa amizade passamos para a necessidade de criar um festival no sul para levantar por um lado a cena do reggae na Galiza por outro para dar impulso às poucas bandas existentes e ajudar a que nasçam mais; e, por último, para recuperar as raízes do reggae, o reggae routs, já que sobretodo em zonas como Vigo, onde o reggae ainda tem certo acompanhamento, está a desvirtuar-se o que é a propria música reggae, substituindo-se polas últimas novidades da música Jamaicana que giram agora em torno do dancehall, música eletrónica..
DL. Porque na beira portuguesa?
XL. Num principio pensou-se, como eu moro em Oia, recuperar o festival RockMosteiro, mas colocárom-se bastantes inconvenientes e problemas. Mais tarde, tentou-se negociar com o governo de Tominho a recuperaçom da Fiasta, festa popular que organizava a vizinhança e que se fazia no interior dumhas fortalezas, e que se foi ao garete por culpa dumha produtora de Madrid que vendeu à Cámara de Tominho umha festa medieval que nom funcionou e a festa deixou-se de fazer. No concelho de Tominho deparamos com um governo tripartido com o qual nos foi impossível chegar a um acordo, já que umha cousa é a política e outra a cultura.
Também no Rosal tivemos muitíssimas reunions, chegamos a falar com a vereadora da Cultura, com o presidente da Cámara... mas cada pouco mudavam-nos o projeto. Nós propugemos-lhes fazermo-lo nas Azenhas, umha pequena paragem natural, que curiosamente nom nós deixarom por isso mesmo, por ser umha paragem natural, e agora, dous anos depois, vam levantar exatamente ali uns pilares enormes para que passe o Vial Tui – A Guarda em forma de viaduto.
E já por último, depois de dar muitas voltas ao projeto e de desistir um pouco, pensamos em Vila Nova de Cerveira, ainda que sendo galego/as tivéssemos gostado de o fazer na Galiza. E o sítio é maravilhoso, além de ser a Vila das Artes. Entom, ali fomos falar com o governoo local e de algum modo gostárom do projecto, além de ver-nos com muita vontade e motivaçom para o fazermo realidade. Entom, apoiarom-nos como associaçom sem fins lucrativos que somos. Cedêrom-nos o auditório municipal (ao ar livre) e todo o que precisássemos, mesmo acampar na praia da Lenta.
DL. Pensades que este tipo e festivais estám suficientemente apoiados polos organismos públicos?
XL. Bom, todos os subsídios tenhem nome e dono, sabemos que somos um festival mui novo para receber qualquer subvençom, mas o que se vê normalmente som o número de ediçons e nom a qualidade destas. Por outra parte, toda a historia que há montada sobre a eurorregiom Galiza – Norte Portugal é umha mentira. A nível cultural é umha mentira, é umha verdade a nível empresarial. É a gente do povo que fai com que esse vínculo exista, mas nunca os políticos. A única ajuda que recebemos é por parte de Portugal e nom de nengum órgao do governo galego, polo qual o apoio a cultura galego-portuguesa é umha grande farsa, já que ou se fai na Galiza ou nom há ajuda, ainda que os/as organizadore/as sejamos galegos/as.
DL. Como vedes o panorama musical do reggae galego?
XL. Pois eu, particularmente, vejo-o crescer, em geral. Ainda que por exemplo na Corunha o festival Foundation já leve 10 anos e as bandas de reggae ali nom cresçam, no sul da Galiza, apesar da falta dum festival, saírom pequenas bandas nos últimos anos, como Zamaramandi, que já esta a ganhar um certo renome. E, como comentava antes, com a criaçom deste festival o que pretendemos também é isso, que as pequenas bandas tenham a oportunidade de atuar.
DL. A vossa aposta no português como língua própria do concerto deve-se a um simples facto circunstâncial ou é que praticades a unidade lingüística?
XL. Eu particularmente levo escuitando música brasileira há muitos anos e cheguei a música brasileira porque achava em falta música galega em galego. A minha surpresa naquela altura foi que a primeira banda brasileira que escuitava era perfeitamente entendível agás algumhas palavras, já que era braileiro proprio das favelas. Agora, incluso quando canto o galego-português já me sae só e saeme como algo natural. Sei que o brasileiro é o galego que os portugueses levárom ao Brasil e por isso considero que é umha maravilha podermos fazer um festival a beira do Minho em que confluam galegos/as e portuguesas/es.
A propaganda do concerto, ainda que a maioria seja em português, também tem umha parte em galego isolacionista, mas para o ano temos em mente empregar o galego-português exclusivamente.
DL. Para irmos concluindo, esperades que a iniciativa tenha umha longa trajetória no futuro?
XL. Como sabedes, aqui na Galiza o tema do associativismo é muito complicado. Asssim como na Catalunha é umha maravilha, aqui nom. As associaçons dependem dum número mui pequeno de pessoas que som as que puxam do carro e que no momento em que cansam ou nom podem seguir trabalhando por amor à arte, os projetos costumam a pique. Mas, no caso do Minhoreggae, acho que as pessoas que a compomos somos todas pessoas com amor ao que fazemos com muita vontade, que começamos humildemente, mas com um bom ritmo.
Tampouco queremos que o festival cresça de mais, mas sobos conscientes da diversidade cultural que brota do Minho e imaginamos um festival inclusive nas duas beiras. O que conseguimos com o festival é unir pessoas da Galiza e de Portugal e que saibam que som iguais, que nom som tam diferentes como podiam chegar a pensar, e isto é algo que nunca governos portugueses ou galegos tinham conseguido.
DL. Muito obrigad@s.
Toda a informaçom sobre o Festival Minhoreggae pode ser consultada no seu site, aqui.
