1- Com que motivo nasce a Plataforma pola Proteçom da Serra do Galinheiro?
Que mudou desde o seu nascimento até o dia de hoje?
Nasceu a finais do 2010 com a ameaça da instalaçom dum polígono eólico. Já naquele momento sabíamos que esse nom ia ser o único problema que teria o Galinheiro. As que conhecíamos a serra sabíamos de todos os problemas que já sofria: pistas por todos os sítios, veículos a motor polo monte, canteiras ilegais, plantaçons de eucaliptos, excessivo número de tomas de água que dessecam o monte, acampada ilegal, estrada asfaltada na serra…
Mas nós nom podíamos imaginar que tivéssemos que chegar a luitar contra umha mina! Umha mina para a extraçom de “terras raras” a céu aberto.
2- Que coletivos formam parte dela?
Somos 40 coletivos mais pessoas a título individual que luitam pola integridade do Galinheiro. Há coletivos de todo tipo, desde proprietários do monte como as comunidades de montes em mao comum até ecologistas, associaçons vicinais, clubes de montanha, associaçons culturais, etc., além de muitas pessoas que sem pertencer a nengumha organizaçom, disponhem do seu tempo para trabalhar arreio por esta causa.
3- A Serra do Galinheiro é o lugar natural de encontro das comarcas de Vigo, Val Minhor e Baixo Minho. Que conseqüências provocaria para a vizinhança a sua perda?
Seria umha desgraça porque perderíamos a água que consumimos, o futuro, a identidade, os costumes e os usos que deste monte fazemos, a paisagem que nos enquadra, a memória coletiva.
O território entregado à minaria é irrecuperável. No caso do negócio eólico a empresa dispom de 30 anos prorrogáveis indefinidamente, tendo direito a fazer qualquer outro uso relacionado com a energia. Inclussive sem chegar a realizar a exploraçom, podem vender os direitos a outra empresa, entrando assim num ciclo especulativo.
No Galinheiro estám as propriedades silvícolas dos habitantes destas paróquias, o monte de 3 Entidades Locais Menores e o de todas as Comunidades de Montes das paróquias que conformam a serra. Algumhas estám a desenvolver projetos de exploraçom multifuncional, cultivando madeiras autóctones, manipulando pinheiros e castanheiros para a produçom de cogumelos. A gadaria de vacas, cabras e ovelhas, e a exploraçom do cavalo do monte.
Obviar todo esta planificaçom socioeconómica só pode ter um interesse especulativo e oculto. A isto chamamos-lhe atuar em contra do povo e em contra do comum.
4- Primeiro foi a ameaça dum parque eólico, agora umha mina a céu aberto para a extraçom de “terras raras”. A riqueza da serra semelha mui apetecível para o capital privado e os interesses de multinacionais . Porquê e como se vai paralisar esta agressom?
A única maneira de deter todos os atropelos é a mobilizaçom da gente, porque os governos que temos nos vendem. As pessoas que integramos a Plataforma estamos convencidas que o único jeito de que a gente se implique por esta causa é conhecendo este espaço natural.
Sabemos que os eólicos, as minas, ponhem-se naqueles lugares onde nom queda ninguém, porque a populaçom emigrou ao estrangeiro, às cidades ou para a beira-mar galega. Utilizam aquelas comarcas onde nom há ninguém para luitar contra os especuladores, porque a gente é anciá ou porque ali só se vai de fim de semana ou de férias.
5- A ameaça mineira e a especulaçom das multinacionais, com o colaboracionismo da Junta, pretende destruir o meio natural da Galiza para enriquecimento duns poucos.
Umha Galiza com poder de decisom real, quer dizer, com plena soberania, teria capacidade para parar e evitar esta destruiçom?
Entendo que se queremos que a Galiza tenha decisom própria devemos estar mui atentas à hora de eleger quem nos gere, isto é, eleger quem nos governa. Estou convencida de que nunca podemos descansar no voto, há que estar sempre atentas e partícipes das decisons diárias da sociedade em que vivemos.
6- É necessário a criaçom dumha figura de proteçom acorde com as caraterísticas e realidade atual da Serra do Galinheiro?
Na Plataforma sabemos que só umha figura de proteçom ampararia a Serra do Galinheiro. Mas nom quer dizer que umha denominaçom como Rede Natura, Espaço LIC, nem tam sequer Parque Natural poria a salvo nada neste país. Sobretodo quando os interesses económicos duns poucos som os que mandam por cima de quase todo. Mas é evidente por outros casos, que a figura de Parque Natural faria mais difícil a instalaçom dum polígono eólico ou dumha mina nesse lugar.
De facto, esta serra forma parte da mesma unidade geográfica e natural que o Monte Aloia, (primeiro Parque Natural da Galiza historicamente falando). A Serra do Galinheiro possui mais valores naturais que o próprio Parque, tanto pola sua extensom como polos habitats que tem; polas espécies florísticas endémicas que existem, polas aves que nela vivem em certas épocas do ano, pola geomorfologia e pola própria natureza geológica e paisagística do espaço.