Quero manifestar minha indignação contra esta calunia infame cometida pela Folha. Não bastam desculpas. Eu não acredito que se trate de um simples erro. A Folha de São Paulo repete o procedimento da Rede Globo, em uma orquestrada tentativa de falsificação da história e difamação pessoal. Trata-se de um ataque criminoso contra Anita Leocádia Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, historiadora marxista e militante comunista; uma das mais brilhantes intelectuais deste país, lutadora das causas proletárias e populares, coerente e honesta, respeitada até por seus adversários políticos e ideológicos.
Trata-se de um ataque político visando desgastar uma personalidade que nunca se vergou às políticas privatizantes e de retirada dos direitos dos trabalhadores. É a arma covarde da mentira de um poderoso órgão de imprensa contra uma historiadora comprometida com os movimentos populares. É a arma vil da calunia de um grupo da mídia monopolista contra uma intelectual que usa a força das ideias, que faz da pesquisa cientifica comprometida com a evidência histórica uma ferramenta para contribuir com a construção de uma contra-hegemonia. As classes dominantes constroem sua hegemonia utilizando seus intelectuais orgânicos que, entre outras coisas, elaboram uma “história oficial” mentirosa que ajuda a reproduzir um sistema de opressão e exploração do povo trabalhador. Anita honra o papel de intelectual marxista que é de renovar a cultura com a ciência social histórica comprometida com a verdade. Sabemos que a arma da crítica pode se transformar em uma força material sócio-histórica, pode contribuir com a formação de um novo bloco histórico das forças populares e dos oprimidos. É este conteúdo de renovação da interpretação crítica da história do Brasil que surge nos seus livros, ensaios e palestras.
A grande burguesia e o imperialismo dispõem de instrumentos sofisticados para manter sua dominação de classe autocrática. A grande mídia é praticamente impenetrável pela perspectiva dos “de baixo”, como dizia Florestan Fernandes. A televisão, os jornais da grande imprensa brasileira, não publicam nada que ameace o “pensamento único” dominante, fazem silêncio sobre as reais condições de vida e as lutas dos trabalhadores. E mentem! Eles mentem despudoradamente para narcotizar a consciência popular, mentem sistematicamente, impunemente.
Então não bastam desculpas hipócritas. Não basta que a Folha de São Paulo publique uma curta errata em algum lugar escondido do jornal. O meu pronunciamento aqui tem um sentido prático e político claro. Ele tem o sentido de cobrar uma reparação prática de um direito político que foi atacado; porque está é uma questão política. Ela vai além da necessária e justa reparação de um atentado criminoso, de uma tentativa de linchamento político que fere os direitos individuais de uma pessoa que foi caluniada. Trata-se de uma questão de defesa de democracia real para as massas do povo, uma defesa do direito à informação verídica. É necessário que a pessoa caluniada, no caso a nossa companheira Anita Leocádia Prestes, tenha a oportunidade de defender-se em público. A Folha de São Paulo tem uma dívida moral e política a saldar; tem o dever de garantir, através de uma entrevista em espaço importante do jornal, um espaço para que Anita Prestes exponha sua posição.
*Deputado Estadual em SC e membro da Direção Nacional da CCLCP

