Morto com oito tiros por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard, Jean Charles foi confundido com um terrorista, poucos dias após uma série de atentados atingir o sistema de transportes de Londres. As investigações foram concluídas sem que nenhum dos envolvidos fosse punido.
Familiares, amigos e membros da Campanha "Justice 4 Jean" prestaram uma homenagem ao brasileiro. A prima de Jean, Patrícia Armani, expressou o sentimento da família ao destacar que "hoje, depois de cinco anos, a gente fica com a dor da perda, com a saudade. A nossa posição é de que ficou a saudade e a falta que ele faz, mas também o sentimento de que não foi feita a justiça que realmente precisava ser feita". Vivian Meneses, outra prima, ressaltou que "a família continua esperando justiça e punição dos policias responsáveis pela morte dele".
A investigação pública sobre o assassinato de Jean teve início no dia 22 de setembro de 2008. Foram ouvidas quase 70 testemunhas, 40 delas policiais. Esse procedimento jurídico – específico da Inglaterra e do País de Gales – tem como objetivo determinar as causas de uma morte em circunstâncias violentas ou não explicadas.
A policia britânica chegou a reconhecer que estava errada, porém não divulgou a identidade dos policiais envolvidos. O então primeiro-ministro Tony Blair lamentou o que aconteceu, mas disse que era preciso compreender que “a polícia estava trabalhando em circunstâncias complexas”. Em fevereiro de 2009, a Promotoria britânica informou que nenhum agente seria processado pelo assassinato. O júri concluiu não ter certeza sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles.
O caso foi encerrado em novembro de 2009, quando a família de Jean Charles aceitou uma compensação financeira de 269,1 mil reais. Segundo o jornal Daily Telegraph, Ian Blair recebeu 1,1 milhão de reais em indenização quando deixou o comando da Scotland Yard após receber críticas pela morte do brasileiro.
No dia 7 de janeiro de 2010, quando Jean Charles completaria 32 anos, foi inaugurado um memorial permanente em sua homenagem na estação de Stockwell. O monumento foi um pedido da família “para que Jean não seja esquecido”.
Caso
O assassinato do brasileiro aconteceu duas semanas depois que diversos ataques realizados por terroristas suicidas mataram 52 pessoas e deixaram mais de 770 feridas na capital do Reino Unido, em 7 de julho de 2005.
No dia 21 do mesmo mês novas bombas foram programadas por terroristas, mas falharam. Na onda de repercussões dos ataques e na busca pelos responsáveis, a polícia britânica baleou e matou o brasileiro Jean Charles, confundido com um dos suspeitos e que não tinha relação alguma com os ataques.

