As manifestações têm refletido o nível de insatisfação da população com as políticas de Estado voltadas ao grande capital em detrimento dos anseios dos trabalhadores. Em algumas cidades, o povo nas ruas já transcende a questão imediata da passagem e exige um transporte coletivo de qualidade. E no encalço das manifestações, surge também a reação repressiva do Estado representada pelo braço armado da polícia, preocupada em manter a ordem burguesa sob o pretexto da preservação do patrimônio público e da garantia do direito de ir e vir. Esquecem que o povo está nas ruas justamente pelo fato de que o seu direito de ir e vir ser constantemente cerceado pelo preço abusivo das tarifas e pela política irracional dos governos de incentivo aos monopólios do automóvel, o que tem levado as grandes cidades ao colapso do trânsito e da mobilidade urbana.
O modelo de transporte coletivo na sua configuração atual representa a mais perversa forma de prestação de um serviço público, essencial às necessidades da população, que ocorre sob a forma de concessão. Além de experimentar a péssima qualidade, com baixa frequência de horários, veículos desconfortáveis e superlotação nas horas de pico, trabalhadores e estudantes acabam pagando cada vez mais caro.
Este modelo está umbilicalmente ligado ao modelo econômico capitalista que vê o trabalhador apenas como portador de força de trabalho capaz de produzir bens e serviços, como mais uma mercadoria. O transporte urbano é visto apenas como um meio de levar o trabalhador ao seu posto de trabalho para que produza e garanta o lucro ao seu empregador. O direito ao lazer, à cultura, à educação e, em última análise, o direito à cidade é negado ao trabalhador, pois a escassez de horários e o custo da tarifa lhe são proibitivos.
Diante deste cenário, nós, comunistas, colocamo-nos ao lado daqueles que estão nas ruas lutando por uma cidade e uma sociedade sem catracas, que permita a todos acessar e ocupar as diversas potencialidades que a cidade oferece. A JCA defende a redução imediata das tarifas, o fim da repressão do Estado às manifestações populares legítimas e o projeto estratégico de um transporte público com tarifa zero. Defendemos, assim, a municipalização do transporte coletivo com vistas à criação de empresas públicas de transportes com controle social. A manutenção desse sistema deve ser feita pelo poder público visando à gratuidade, com custeio feito pela taxação da propriedade de grandes imóveis e empresas.
Na medida em que as manifestações se espalham pelo país, muitas delas de forma espontânea são motivadas pelo anseio generalizado de transformação social. Assim se fortalece um movimento amplo e massivo, com muitas pautas justas, porém ainda difusas e desorganizadas, que devem ser ligadas a uma estratégia comum, um projeto de sociedade alternativo ao atual. A luta contra a corrupção e a corja de políticos parasitários, os gastos abusivos com a Copa, a violência policial, entre outras, devem ir à verdadeira raiz do problema. A abolição de todos os males desse país só pode acontecer com a abolição deste modo de produção predatório, destrutivo e desumano que é o capitalismo. As lutas que estão sendo travadas estão tendo vitórias em vários locais, como vimos no caso de Porto Alegre. Mas em longo prazo, só serão vitoriosas se estiverem ligadas a uma estratégia revolucionária socialista, de derrubada e dissolução do Estado burguês e construção de um Estado verdadeiramente democrático, ancorado e construído através do poder dos trabalhadores e do povo. Por isso, chamamos a todos e todas para ir às ruas nesse momento, a fortalecer as manifestações em suas cidades, mas também mobilizar-se permanentemente na luta revolucionária pelo socialismo.
Todos às ruas!
Contra a repressão e a criminalização do movimento!
Pelo direito ao transporte público e de qualidade!
Pelo direito à cidade!
Pelo socialismo!

