O programa do Governo Federal de "Crack, é possível vencer" irá distribuir armas de choque e sprays de pimenta para as polícias usarem contra usuários da droga. Até o momento, este programa está em funcionamento em 12 estados, sendo o principal o Rio de Janeiro, que recebeu maior parte dos recursos (9 dos R$ 62 milhões).
Com isto, o ocorrido na cracolândia de São Paulo no começo do ano, se tornará cada vez mais comum. A utilização de armas de choque, no entanto, agrava ainda mais a situação, uma vez que usuários de crack podem apresentar problemas cardíacos, aumentando o risco de morte ao se receber o choque de cinco mil volts.
Especialistas e ativistas estão condenando a ação do governo federal como um genocídio anunciado. Eles acreditam que esta medida está sendo usada para "limpar" as principais cidades às vésperas de eventos grandes, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
a psiquiatra Maria Thereza Aquino, ainda questiona, "por que não usam esse dinheiro (da compra das armas, orçada em R$ 240 milhões) para montar clínicas de ruas, de famílias, consultórios móveis, e criar mais leitos?". (odia.ig.br)
Além disso, a ação está relacionada com a especulação imobiliária. Este objetivo estava claro no caso de São Paulo, onde o prefeito já havia anunciado a privatização de maior parte da área que seria desocupada na ação "Nova Luz" que expulsou os usuários de crack de parte do centro da cidade.
No Rio, o suposto combate ao crack se intensificou juntamente à ocupação de morros na zona norte da cidade. Com isto, pretende-se entregar estas áreas para a especulação imobiliária, valorizando-a e expulsando a população pobre e operária da região.
Há, também, o avanço no sentido de permitir ao Estado internar de forma compulsória os usuários de drogas. No entanto, isto abriria caminho para que qualquer pessoa acusada de ser usuária seja internada.


