Em setembro, os indígenas já haviam retomado cerca de mil hectares de uma das três fazendas da área.
Na terça-feira, as famílias realizaram um mutirão para a construção de barracos de moradia. "Quando nós entramos, ainda não tinha nada. Ontem montamos tudo", conta a liderança indígena guarani Elpídio Pires. "De noite fomos atacados. Foi com tiro. A gente tava no barraco, mas aí voltou para o outro acampamento. Não sabemos se alguma coisa foi destruída", relata. Segundo Elpídio, os pistoleiros não puderam ser identificados. Ninguém ficou ferido.
"Informamos a Funai. Estamos aguardando a chegada da Força Nacional. Cada dia aumenta o número de famílias aqui e temos medo do que pode acontecer. Até o momento não chegou ninguém", conclui.
No total, os Guarani – ou Nhandeva, como também se autodenominam – reivindicam cerca de 4 mil hectares de terras, invadidas por fazendeiros na década de 1960 – quando foram expulsos e passaram a viver em outra aldeia, em Paranhos – e já declaradas como território indígena desde 2000. Potrero Guasu tem a demarcação questionada por colonos e fazendeiros na Justiça, mas com decisão favorável à ocupação pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo.

