Já em janeiro, a LCP apontava que "Confúcio Moura aprovou, através do Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisas Agropecuárias – Consepa1, a elaboração de um 'plano de manejo para a Área de Preservação Ambiental Rio Pardo e Flona Bom Futuro" e que com isso preparava o terreno para "expulsar mais de 5 mil trabalhadores das terras para entregar as riquezas naturais nas mãos de grandes madeireiras e grandes mineradoras com a conversa fiada de 'preservação ambiental'".
A partir de então, a vida do povo de Rio Pardo tem sido um tormento. As famílias de camponeses, pequenos e médios produtores que há mais de 13 anos vivem, trabalham e produzem naquela área de aproximadamente 97 mil hectares, sofrem constante ameaça de expulsão. Dezenas de soldados do exército brasileiro circulam em toda a região ostentando aparato de guerra.
Na manhã de 13 de setembro, ocorreu uma tensa reunião entre moradores da Flona (Floresta Nacional) Bom Futuro; Jucy Gomes, representante da APA (Área de Proteção Ambiental) Rio Pardo; Ana Rafaela, representante do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade); e João Caetano, da Ouvidoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Tal reunião tinha como objetivo comunicar as cerca de 40 famílias moradoras da Flona Bom Futuro de que seriam despejadas. Vestidos com coletes militares e fortemente escoltados por soldados do exército, os representantes do velho Estado leram o texto do Laudo de Interdito Proibitório nº 8568/73 de 2009, que determinava o dia 17 de setembro como data limite para que todos os moradores da Flona deixassem suas respectivas propriedades e ficassem acampados "dentro do perímetro urbano do distrito durante uns trinta dias sem nenhum destino final" [fonte: jornal Folha dos Municípios].
Revoltados, os moradores cercaram os ongueiros e protestaram veementemente contra a nova tentativa de expulsão das famílias da Flona Bom Futuro.
Em 19 de setembro, cumprindo determinação do juiz Cláudio Henrique Fonseca de Pina, da 5° Vara Federal, foi posta em marcha a chamada "Operação Êxodo", para expulsar de forma violenta os moradores da Flona. Segundo determinação do juiz, a operação deverá remover todas as famílias dentro de dez dias.
A operação conta com um efetivo de cem militares do 6º BIS (Batalhão de Infantaria e Selva) da Fronteira de Guajará Mirim, 12 agentes do NOE (Núcleo de Operações Especiais) do serviço de patrulhamento das rodovias federais, oito agentes e dois delegados da Polícia Federal. Toda a ação de expulsão das famílias é coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. A Ouvidoria Agrária Nacional e Sistema de Proteção da Amazônia também integram a operação.
De acordo com reportagem publicada no jornal Folha dos Municípios, que circula em várias cidades de Rondônia, até o dia 20 de setembro, oito famílias já haviam sido removidas da área, "jogadas ao relento sem o devido cumprimento do TAC entre Governo Estadual e moradores". Ainda de acordo com essa reportagem, "as famílias estão sendo obrigadas a alojarem (sic) nas dependências da única escola existente na cidade do Rio Pardo causando a paralisação total das aulas, além de ser entregue para cada família uma lona plástica e uma cesta básica com capacidade de alimentar somente por um dia para cada família retirada".
Foto: AND - O despejo contou com 100 militares, 12 agentes do Noe e 2 delegados da PF


