Nesta segunda-feira (15), a Polícia Militar do Rio de Janeiro começou uma operação para vasculhar casas dos moradores das favelas ocupadas neste final de semana. A ação é um ataque à liberdade e à privacidade dos moradores, feita sob o pretexto de combate ao tráfico. No domingo, os morros Manguinhos, Jacarezinho, Mandela I e II e Varginha.
A operação desta segunda, que conta com cerca de 150 policiais, concentrou-se nas favelas Manguinhos e Jacarezinho. Além de invadir casas e vasculha-las, a PM também realizou diversas revistas, intimidando e ameaçando a comunidade.
Outra ação da polícia foi feita no mesmo dia em uma região da Manguinhos, onde ficam usuários de crack. Parecida com a operação "Nova Luz" feita no centro de S. Paulo, esta apreendeu diversas pessoas e procurou espantar os demais da localidade.
No domingo, foi armada uma verdadeira operação de guerra, contando com membros da Marinha e das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal, para ocupar estas favelas da região norte. O objetivo é implantar uma base da fascista Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nesta região no começo do próximo ano.
Como resultado, apenas quatro traficantes foram presos na operação. Isto gerou diversos questionamentos a respeito do objetivo da ação que seria supostamente para combate ao tráfico de drogas.
Em entrevista, o secretário de segurança pública, José Beltrame, ao ser questionado sobre o baixo número de apreensões, respondeu apenas que "a polícia nunca vai prender todos os bandidos".
Na mesma entrevista, Beltrame anunciou a ocupação da favela do Rato Molhado, na mesma região, que deve ser feita ainda esta semana.
As primeiras experiências indicam que, de fato, o objetivo das ocupações não é o fim do tráfico de drogas ou das milícias. Apesar destes continuarem atuando, em alguns casos até com a participação de membros das UPPs, fatores como a repressão e o custo de vida da comunidade aumentaram.

