No último final de semana, a Favela da Chatuba, em Mesquita, RJ, foi palco de um conflito entre grupos de traficantes que levou à morte de doze pessoas, metade delas, pelo menos, não tinha relações com o tráfico. Isto foi usado como pretexto pela Polícia Militar para ocupar a comunidade.
Entre as vítimas, está um grupo de adolescentes, que desapareceram na sexta-feira, quando iam para uma cachoeira próxima a um local dominado por outro grupo daquele que controla a área onde os jovens moram, o que deve ser o motivo da chacina.
Na madrugada desta terça-feira, 11, o Batalhão de Choque junto com o Bope (Batalhão de Operações Especiais), o Batalhão de Ações com Cães, Grupamento Aeromarítimo e o 3º Comando de Policiamento de Área, com um efetivo de mais de 250 membros, invadiram a comunidade, usando até mesmo blindados da Marinha. A ação da polícia já levou à prisão de pelo menos 10 pessoas com supostas ligações com o tráfico de drogas.
Após o fim da operação, a PM irá instalar uma base da Companhia Destacada que contará com 112 policiais e ficará na comunidade por tempo indeterminado. Segundo a Secretaria de Segurança de segurança do estado, o objetivo é acabar com o tráfico de drogas nesta comunidade.
Apesar da operação não fazer parte do plano das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), o objetivo é o mesmo, colocar as comunidades negras e operárias sob estado de sítio. O combate ao tráfico é usado apenas como um pretexto, mas acabam por servir muito mais à repressão da população.
Nas favelas do Complexo do Alemão que foram ocupadas pelo exército e depois foram implantadas as UPPs, houve vários casos de assédio dos policias e das tropas contra a população. Além disso, aumentou a repressão contra as organizações independentes das favelas, até manifestações foram reprimidas por estes policiais. Na Favela do Chatuba, não será diferente.
O único meio de impedir a repressão, seja por parte dos policiais ou do tráfico é através da organização independente das comunidades operárias. Para isso é preciso lutar tanto contra a ocupação militar quanto contra o tráfico de drogas e pela liberdade de organização



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