Aproximadamente 107 mil trabalhadores morrem por ano no mundo vítimas de doenças causadas pelo amianto, que é uma fibra mineral utilizada em telhas, caixas d'água e em cerca de outros três mil produtos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o amianto cancerígeno desde 1977. Diante desse quadro, o Supremo Tribunal Federal (STF) organizou uma audiência pública em duas etapas (dias 24 e 31 de agosto) para debater a utilização desse mineral no Brasil.
A legislação federal permite o uso controlado de um tipo de amianto. Porém, cinco estados brasileiros proíbem sua utilização. Desde 2007 tramita no STF uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3937) que questiona uma lei do estado de São Paulo que proíbe a substância.
Ex-funcionário da Eternit do município de Osasco (SP), Eliezer João de Souza, trabalhou 13 anos em contato com a substância. Mais de uma década depois, ele teve que fazer uma cirurgia para retirar nódulos da pleura - uma membrana que envolve o pulmão. Atualmente, ele preside a Associação Brasileira de Expostos ao Amianto.
"O trabalho hoje contra o amianto é um trabalho preventivo, porque geralmente quem já está contaminado, como no meu caso, eu não tenho mais volta, eu posso morrer amanhã ou depois com uma outra doença, mas o amianto vai comigo, está no meu corpo. Portanto, a luta é acabar com o amianto antes que ele acabe com a futura geração."
A contaminação por amianto ocorre pela via respiratória e especialistas já a consideram uma questão de saúde pública, que atinge toda a população.
As doenças mais comuns causadas pelo amianto são a asbestose – conhecida como "pulmão de pedra", em que o doente é levado à morte por asfixia – e o mesotelioma – um tumor maligno, agressivo e letal na maioria dos casos.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

