Em apenas 10 dias (12 a 21/8) a Polícia Militar do Rio de Janeiro alcançou a marca recorde de 26 mortos, durante suas operações contra a população pobre do Rio de Janeiro, quase todas ocorridas, segundo a versão da própria PM, em comunidades pobres dos subúrbios da Capital.
Nos 27 "autos de resistência" (nome dado pela PM a operações em que faz vítimas, sob a alegação de que houve reação por parte de "suspeitos") registrados pela corporação, durante o mês de agosto, 27 pessoas forma morta, incluindo crianças, sem qualquer relação com a declarada atividade dos "suspeitos".
Desse total, 11 "autos de resistência" foram em operações do Bope (Batalhões de Operações Especiais) exaltado no filme Tropa de Elite, do "capitão Nascimento", cujos principais atores e diretores se tornaram cabos eleitorais do PSOL, que como a totalidade dos partidos burgueses apóia a intensificação da repressão contra a população carioca que impôs na cidade um verdadeiro regime de estado de sítio contra a população pobre, de maioria negra.
Com o crescimento do número de assassinatos, nos últimos dias, julho e agosto somam até o momento 76 mortes – 1,46 por dia, ou seja, 2 mortos a cada três dias. Duas mortes desta terça (21/8) no Morro do Juramento, área do 41º. BPM, da região de Irajá, que liderou o recorde de matança no mês de julho com 37 assassinatos.
"Proatividade" ou matança autorizada
Segundo Nota Oficial da PM "O comando da Polícia Militar tem procurado atuar com mais proatividade nas ruas, buscando a redução dos principais índices de criminalidade" (O Globo, 22/08/2012). Estas e outras declarações, mesmo diante do assassinato de crianças (como Yasmin de Moura Camilo, de 6 anos), deixam evidente que a ordem de matar, vem de cima e não se trata de uma ação desmedida de policiais "despreparados" ou "fora de controle", como muitas vezes procura iludir a população governantes e políticos da "direita" e da esquerda pequeno burguesa, os quais procuram apresentar que a solução para melhorar a ação da Policia seria investir mais oferecer mais treinamento e equipamentos para os policiais.
É claro que se trata de uma política premeditada que visa espalhar o terror entre a população pobre e trabalhadora, como forma de tentar conter a revolta latente entre os explorados diante da política facista que se impôs na cidade de remoções, repressão e todo tipo de ataque à população pobre em benefício dos lucros de um punhado de especuladores e tubarões capitalistas.
Só há socorro para os policiais
Um dos aspectos que evidenciam que a ação da PM está destinada a matar (e não "reduzir a criminalidade") está na farsa montada em torno do suposto socorro prestado às vítimas dos "enfrentamentos" – como descreve a PM – da Polícia com os "suspeitos".
Nesses "enfrentamento", os mortos são em 99,99% das vezes os "suspeitos", muitos dos quais várias horas depois das execuções não estão ainda sequer identificados. A versão policial se repete (no Rio, como em muitas outras cidades do País): as vítimas são conduzidas pelos soldados do local em que foram atingidas com vida, mas quase sempre não resistem no caminho e chegam mortas aos prontos socorros e hospitais. Desta forma os corpos são retirados dos locais, dos olhares de possíveis testemunhas, dificultam –se possíveis (e improváveis) investigações das condições covardes em que ocorreram as execuções e garante-se a realização do "serviço completo", que o "suspeito" não resista e possa contar sua versão dos fatos.
Evidenciando que não há "confronto", mas uma operação criminosa realizada pelos "homens da lei", nos "enfrentamentos" quase nunca há vítimas policiais e, quando isso ocorre, as mesmas são devidamente socorridas. Foi o que ocorreu, por exemplo, nesta terça (21). Durante a operação, teria sido atingido por uma bala o sodado Vinicius Barbosa Ferreira, que foi atendido na Unidade de Pronto Atendimento mais próxima e, depois, no Hospital Central da PM.



Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.