O terreno onde ficava a ocupação Pinheirinho, que sofreu a brutal reintegração de posse no começo deste ano, irá a leilão no final de setembro, segundo determinação da justiça. O local de 1,3 milhão de metros quadrados será leiloado com lance inicial de R$ 93,5 milhões, muito abaixo do valor de mercado. Menos de R$ 30 milhões irão para os cofres públicos, para pagar as dívidas da empresa.
O leilão será organizado por Luiz Fernando Sodré Santoro, o maior leiloeiro do país, que lucra com a venda de carros, produtos e imóveis tomados daqueles que não conseguem pagar.
O lugar estava ocupado, por mais de oito mil pessoas, a mais de oito anos. A reintegração de posse foi um verdadeiro massacre, a Polícia Militar de São Paulo armou uma verdadeira praça de guerra, com milhares de policiais que usaram balas de borracha, gás de pimenta e lacrimogênio, munição letal, helicópteros e etc., para retirar as famílias de trabalhadores do local.
Apesar de o governo ter escondido, há diversos relatos de pessoas que foram assassinadas e casos de abuso sexual. Além disso, mesmo após a desocupação os moradores do Pinheirinho continuaram sendo perseguidos e expostos às péssimas condições, no ginásio em que ficavam a comida chegava estragada, as pessoas dormiam no chão e viaturas policiais rondavam o lugar, ameaçando-os.
Para se viabilizar a operação, houve um grande malabarismo judicial, passando o processo por várias instâncias e criando outros processos, de forma a tornar o caso incompreensível.
O leilão vem para confirmar os verdadeiros interesses por trás do massacre. Logo no processo da venda, ele ira gerar um lucro para um carniceiro. O valor inicial é menos da metade de avaliações já feitas da área, o que deve favorecer algum outro especulador ou empresário que lucrará com o massacre da população pobre.

