Pescadores artesanais do Rio de Janeiro são a longo tempo perseguidos por denunciarem os abusos das empresas Petrobrás, no Complexo Petroquímico da Petrobrás (Comperj) e ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), ambas financiadas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Em junho deste ano, os pescadores Almir Nogueira Amorim e João Nunes Penetra, membros Associação de Homens e Mulheres do Mar (Ahomar) foram encontrados mortos e amarrados na Baía de Guanabara, após participarem da Cúpula dos Povos.
Os ataques já ocorrem há tempos, mas têm se intensificado após a cidade ser selecionada para ser sede da Copa do Mundo e Olimpíadas, como tem acontecido com a população em várias outras cidades. Em 2000, os pescadores já denunciavam os danos que tiveram devido a um vazamento na baía. Dez anos depois, ainda denunciando o acontecimento, por não terem recebido qualquer tipo de indenização, Márcio Amaro foi assassinado. Outro caso foi o de Paulo Cézar Souza, tesoureiro da Ahomar, brutalmente assassinado em 2009.
Além disso, um dos membros da organização dos pescadores, conhecido como “Careca”, está desaparecido há mais de uma semana. Alexandre Anderson, presidente da associação, já sofreu várias ameaças e até mesmo um atentando, agora vive sobre escolta policial a todo o momento e afirma: “Após cada ato que fizemos em defesa da baía, um pescador caiu assassinado. O recado é claro”. Denunciando o claro e pesado ataque contra a organização dos pescadores.
Visto a gravidade que a situação chegou, câmara dos vereadores convocou uma audiência pública, mas, como é esperado, foi criado por pura demagogia, para parecer que o Estado faz algo a respeito. O descaso foi tamanho que apenas dois vereadores estiveram presentes. Após a audiência ocorrida no dia 1º de agosto, os pescadores juntos de apoiadores da causa fizeram um ato que passou em frente à Petrobrás e ao BNDES.
Os pescadores, assim como toda a classe trabalhadora, não devem ter ilusões no governo do PT, ou qualquer outro que aja em nome do Estado, pois este serve apenas à classe dominante, a qual controla as empresas, reprime e explora os trabalhadores. A única maneira de impedir que tais ataques, é através de um governo dos trabalhadores e para os trabalhadores, que tenha controle sobre as empresas.

